《Divórcio Recusado: O General Beastman Perdeu a Memória》Capítulo 3

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— Sr. Hugo, você está bem? Se não estiver se sentindo bem, eu te levo de volta.

Hugo tossiu baixo, franzindo levemente a testa.

— Não sei se seria incômodo para você... Eu não quero atrapalhar. Posso esperar aqui, meu assistente virá me buscar.

Eu: — É-é mesmo?

Hugo respondeu sem expressão:

— Sim. Ele está em uma reunião agora, deve estar livre daqui a umas sete ou oito horas.

Eu: — ...

Soltei um suspiro de resignação. Levantei o rosto e segurei suavemente o braço dele.

— Está bem, já entendi. Eu vou te levar, ok?

Hugo: — ...

As pontas das orelhas dele foram ficando vermelhas. Ele assentiu em silêncio.

Eu me concentrei em pesquisar no mapa o caminho para o Edifício da Aliança.

Nem percebi que, enquanto eu não olhava, o beastman nível S virou o rosto discretamente para trás, lançou um olhar cortante para a cafeteria e curvou os lábios em um sorriso frio.

— Hunf.

8

Quando deixei Hugo em casa, Lucas já o esperava na porta. Ao me ver, os olhos dele brilharam. Ele levantou o celular discretamente, tirando fotos nossas, enquanto murmurava algo misterioso:

— Eu sabia! Meu casal é real!

Eu: — ...

Expliquei brevemente a situação para Lucas e fui embora. Mas, à noite, antes de dormir, recebi uma mensagem dele em um tom cauteloso:

— Sra. Sâmia, ouvi dizer que a senhora procurou outros beastmans hoje? O que... o que aconteceu? O General está mergulhado em uma profunda melancolia desde que voltou.

Olhei para o modo como Lucas me chamou e franzi o cenho.

Embora o divórcio não tivesse acontecido hoje, era apenas questão de tempo. Como assistente dele, não era mais apropriado me chamar assim.

Após hesitar, respondi:

— Pode me chamar de Srta. Sâmia de agora em diante, ou apenas Sâmia. Afinal, Hugo e eu vamos nos separar logo. E sim, saí com um beastman gato. É que... embora o tempo com Hugo tenha sido feliz, agora que vamos nos separar, quero tentar outros tipos. Alguém mais dócil, mais obediente. Eu... não quero mais ninguém do tipo do Hugo.

O outro lado demorou a responder.

O status "Digitando..." aparecia e sumia. Longos minutos depois, Lucas enviou:

— ...Posso te ligar?

Eu não recusaria.

Embora fosse assistente do Hugo, Lucas me ajudou muito nesses anos de casada.

Eu já o considerava um amigo. Assim que aceitei, ele ligou imediatamente.

Sua voz tremia: — Srta... Srta. Sâmia... O que você quis dizer com "não quer mais ninguém do tipo do Hugo"?

O ambiente onde Lucas estava parecia barulhento.

Não sei se ele estava assistindo TV, mas parecia haver o som de um homem soluçando ao fundo.

Parei um pouco e perguntei intrigada: — Parece que está barulhento aí. Tem alguém chorando?

— Não, é só o barulho da chaleira fervendo — Lucas respondeu apressado, afastando-se um pouco. — Não foque nisso agora. Srta. Sâmia, por que não quer mais o tipo do General? Ele se entregou a você quando ainda era um virgem puro, e agora que você o "usou", quer descartá-lo... Isso é coisa de uma...

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Lucas disse com dificuldade: — ...de uma vilã destruidora de corações virgens.

Eu: — ?

Ao ouvir aquilo, perdi a paciência.

— Do que você está falando, Lucas?! Tem mais alguém aí com você?

Lucas: — ...Não, ninguém.

Arregacei as mangas e disparei irritada:

— Que história é essa de "vilã"? Isso é bobagem! Você não tem ideia de como o Hugo é um "cachorro" — e dos piores! De dia ele parece todo formal, mas à noite ele perde o controle, fica selvagem e não me ouve por nada, não importa o quanto eu peça para parar. Me diga, o divórcio não é culpa dele?

Lucas: — ...Bem, o General é um raro beastman Lobo nível S, da família dos canídeos. É natural que ele seja um pouco... obcecado pela parceira.

Eu ri com escárnio: — É, um lobo, um verdadeiro filhote de lobo selvagem! Toda vez eu dizia "não morda, não morda", e ele deixava marcas profundas. Para quê? Para me marcar? Ele acha que eu também sou uma beastman? Ele não sabe que o corpo humano é frágil? Viver com ele era um estresse constante, eu tinha medo de morrer na cama! Já pensou que vergonha se eu morresse assim? Me diz, não seria uma vergonha?!

Lucas: — ...Er, o General disse que ele toma cuidado... que isso não aconteceria...

Eu nem dei ouvidos ao que Lucas dizia. Quando começo a desabafar, o mundo pode cair que eu não paro.

— Então, eu quero alguém fofo e obediente, qual o erro nisso? Antes eu nem pensava em divórcio, mas já que o Hugo propôs, ótimo! Divórcio aceito! Assim que sair o papel, eu vou direto atrás de alguém mansinho...

De repente, um som alto de choro — "Buááá!" — explodiu do outro lado da linha. Meu ritmo foi quebrado. Perguntei confusa:

— Lucas, sua chaleira apitou de novo?

Lucas: — ...

Ele parecia desesperado do outro lado.

— É... sim... sinto muito, Srta. Sâmia, acho que minha chaleira quebrou de vez... falo com você depois.

Ele desligou as pressas.

Olhei para o celular, pisquei e, por cortesia, enviei para ele um link: "Três métodos para consertar chaleiras elétricas".

Depois, voltei a navegar por fotos de beastmans gatos. Patinhas cor-de-rosa... tão fofas!

Passaram-se vários dias e Lucas não entrou mais em contato. Mandava mensagens e ele não visualizava.

Apenas meu banco continuava enviando notificações frias de transferências bancárias.

Olhando para aquele monte de dinheiro entrando, não aguentei e liguei para o Lucas.

— Escuta, por que o Hugo ainda não assinou o divórcio? O salário dele caiu de novo, ou foi um bônus? É muito dinheiro. Se não divorciarmos logo, vou acabar ficando com metade disso, não seria melhor para ele resolver isso rápido?

Lucas tossiu nervosamente.

— Cof, cof... Srta. Sâmia, não se preocupe com o dinheiro, isso é troco para o General. Mas o problema é que o General... ele... ele entrou no cio de repente!

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9

Eu: — ?

Fiquei um pouco atordoada: — Cio? Assim, tão de repente?

Lucas parecia estar gripado. Ele tossiu várias vezes seguidas antes de se recuperar e dizer com a voz rouca: — Quem... quem diria, não é? Foi repentino demais! O que vamos fazer, Srta. Sâmia? O que faremos agora?!

O que eu poderia fazer? Eu não sou médica.

Pensei um pouco e perguntei, sem muita convicção: — ...Usar inibidores?

Lucas ficou em silêncio por um instante. Seu tom era de profunda tristeza: — Ah, normalmente poderíamos usar inibidores. Mas o General... o General...

Meu coração também começou a apertar de ansiedade.

— O que tem o Hugo?

Lucas falou com dificuldade: — O General machucou a cabeça da última vez. Os médicos disseram que... se ele usar inibidores de novo, corre o risco de ficar com sequelas mentais graves... tipo, virar um retardado.

Fiquei boquiaberta: — É tão sério assim?

Lucas soltou um soluço.

— Sim, o General é tão digno de pena... Srta. Sâmia, o que fazemos agora?

Eu: — ...

Se ele não podia usar inibidores, parecia haver apenas uma solução.

Como esposa de um beastman, ajudar o parceiro a passar pelo período de cio é um dever conjugal. Mas os beastmans no cio costumam ser assustadoramente intensos.

Tenho medo de que meu corpo não aguente... e seria vergonhoso demais se algo acontecesse comigo nessas circunstâncias; eu nem conseguiria descansar em paz.

Perguntei hesitante: — E como está o estado atual do Hugo? Ele está... dócil?

— Dócil! — Lucas respondeu sem hesitar. — Srta. Sâmia, se a senhora não se sentir segura, eu posso até ajudar a amarrá-lo para você. Você quer?

...Hugo amarrado.

Senti uma leve coceira no coração. Assenti e disse baixinho: — Sim. Eu quero.

10

Sempre que o período de cio do Hugo se aproximava, ele costumava voltar para a mansão da família.

Lá estão suas memórias de infância e seus cheiros familiares, o que ajuda a acalmar um beastman nessa fase.

Segui o caminho conhecido até o quarto dele. Ao abrir a porta, meu coração começou a bater freneticamente.

...Lucas disse que o Hugo estava dócil. E ele não mentiu.

Talvez por causa dos ferimentos, Hugo parecia frágil, recostado na cabeceira da cama com um ar abatido.

Ombros largos, cintura fina... e os pulsos pálidos presos por algemas. Seus olhos estavam úmidos enquanto olhavam para mim.

...Parecia um cachorrinho carente.

Não pude evitar engolir em seco.

Aproximei-me dele passo a passo. Toquei hesitante o músculo do peito dele. Era firme, mas ao mesmo tempo macio. A sensação era maravilhosa.

Logo após o toque, recuei imediatamente, observando o beastman com cautela.

Antigamente, se eu perdesse o controle e tocasse apenas no braço dele, ele já me agarrava com força.

Mas agora, Hugo permanecia obedientemente no lugar. Apenas a respiração dele ficou um pouco mais pesada.

Eu: — ...Tudo bem?

Minha coragem começou a crescer. Aproximei-me lentamente e dei outro toque, dessa vez com mais vontade.

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