《Divórcio Recusado: O General Beastman Perdeu a Memória》Capítulo 2

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Lucas marcou o encontro em uma cafeteria em frente ao Registro Civil para revisarmos o acordo.

Ao entrar na cafeteria, senti um arrepio de frio.

Mesmo contida, a pressão de um beastman nível S ainda era aterrorizante. Era como estar na mira de uma fera pavorosa.

Um medo que fazia os pelos arrepiarem.

Os clientes no local estavam visivelmente trêmulos.

Alguns beastmans de nível baixo chegaram a assumir suas formas originais por puro pavor, com as orelhas brancas caídas, encolhidos nos cantos.

Alguém do nível de Hugo raramente aparecia em público; sua presença era tão esmagadora que, mesmo sem fazer nada, oprimia os outros.

Era como um cachorrinho diante de um leão; mesmo que o leão estivesse na jaula, o cachorrinho sentiria as pernas fraquejarem.

Somado ao fato de ele ainda não estar totalmente curado... aquela aura carregada de instinto de combate era assustadora.

Apertei o passo. Fui até o canto e falei suavemente com o homem sentado perto da janela: "Sr. Hugo".

Hugo estava lá, vestindo uma camisa simples, com o paletó do uniforme jogado displicentemente no sofá ao lado.

Ele estava recostado de forma relaxada, mexendo entediado em seu bracelete inteligente.

Ao ouvir minha voz, levantou as pálpebras com frieza.

"Srta. Sâmia, chegar atrasada não é um bom hábito...".

No instante em que seus olhos encontraram os meus, seu corpo pareceu estremecer.

Ele se endireitou lentamente na cadeira.

"...Querida?".

5

Abaixei a cabeça, sentindo uma pontada de culpa.

Afastei uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto, prendendo-a atrás da orelha, e pedi desculpas em voz baixa: "Sinto muito pelo atraso".

A respiração de Hugo travou por um instante. Seus olhos pareciam levemente desfocados.

"...Tudo bem. Foi eu que cheguei cedo demais".

Sentei-me à frente dele e tirei da bolsa o acordo de divórcio que havia preparado. Empurrei o papel em sua direção.

"Querido... digo, Sr. Hugo. Este é o acordo que pedi para o meu advogado redigir. Dê uma olhada e veja se há algo que queira mudar".

Ao terminar de falar, fechei os olhos, morta de vergonha. Por baixo da mesa, meus pés se encolhiam de tanto constrangimento. Que situação ridícula! "Querido"? O homem perdeu a memória, nem queria te ver e a primeira coisa que pediu foi o divórcio, e você ainda o chama de "querido".

Após uma batalha interna de sentimentos, percebi que o silêncio dominava o ar.

Levantei os olhos devagar, olhando para Hugo de forma hesitante.

Ele parecia muito ocupado; mantinha os lábios levemente cerrados enquanto seus dedos voavam pela tela do dispositivo, como se estivesse tratando de assuntos oficiais.

De vez em quando, ele lançava olhares rápidos para o acordo de divórcio sobre a mesa.

Eu: "...Sr. Hugo?".

Depois de um breve intervalo, ele voltou o olhar para mim, com as pupilas ainda parecendo fora de foco: "...Srta. Sâmia".

Dei um sorriso sem jeito e perguntei: "Bem, você parece um pouco ocupado. Que tal irmos logo resolver a papelada? Além disso, você não está satisfeito com as cláusulas do acordo? Não tem problema, podemos dividir os bens em partes iguais".

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Hugo: "..."

O rosto de Hugo foi ficando cada vez mais pálido. Suas mãos, com articulações bem marcadas, fechavam-se e abriam-se de forma estranha.

"Eu...", Hugo rangeu os dentes, "na verdade...".

Pisquei, olhando para ele com confusão.

O estado dele não parecia normal. Lembrando do pedido de Lucas, hesitei um pouco e falei suavemente.

"Sr. Hugo, por mais ocupado que esteja com o trabalho, precisa cuidar da sua saúde. Caso contrário, as pessoas que se importam com você ficarão preocupadas".

Os olhos de Hugo brilharam gradualmente.

"É sério...? Existe alguém que se preocupa comigo?".

Que pergunta... O Lucas também é gente. Assenti e respondi com doçura: "Sim, por isso você deve se cuidar bem. Vamos buscar a certidão de divórcio agora?".

Hugo de repente se levantou num salto.

Estava pálido como um papel.

"...Sinto muito, Srta. Sâmia. A Aliança acabou de me chamar para um assunto urgente, preciso ir agora".

Olhei para cima, confusa. "Ah? É tão urgente assim? Não daria para pegar a certidão primeiro? É rapidinho...".

Hugo murmurou um pedido de desculpas apressado e saiu quase correndo. Seus passos eram velozes, como se houvesse um fantasma o perseguindo.

Eu: "..."

E agora, o que eu faço?

Por coincidência, eu tinha marcado um encontro às cegas com um beastman gato para esta tarde.

Para garantir um futuro brilhante, eu planejava conhecer vários beastmans, um por um, para escolher o melhor.

Achei que pegaria a certidão e iria direto para o encontro, sem perder tempo.

Mas agora... sem a certidão na mão, eu deveria ir ao encontro? Não seria falta de ética?

6

No fim das contas, acabei indo ao encontro com o gatinho.

Não foi por eu ser "saidinha", mas principalmente porque o rapaz me enviou um vídeo.

Sobre o cabelo preto e macio, suas orelhinhas brancas e lindas tremiam de leve.

O tom de voz era doce e adorável: "Estas são minhas orelhas, irmã. Não sei se são do tipo que você gosta... ficaria feliz se gostasse >_<".

Fiz o convite na mesma hora: "Céus, que bebê mais fofo! Eu amei! [Endereço da cafeteria]".

"Bebê, estou aqui, venha que eu te pago um café~".

Enquanto esperava por ele, comecei a pensar: marcar o encontro no mesmo lugar onde acabei de ver meu marido... é apropriado?

Mas o gatinho já estava a caminho.

Mudar o local no primeiro encontro me faria parecer uma mulher insensível e sem responsabilidade.

Enquanto hesitava, ele chegou.

Eu já tinha visto a forma original dele em fotos — um adorável gato persa de pelo longo — e, pessoalmente, ele era ainda mais fofo do que eu imaginava.

Embora fosse um pouco baixo, tinha um rosto angelical, olhos redondos e brilhantes; qualquer um diria que ele era o exemplar perfeito de um beastman felino.

Ao me ver, as orelhinhas dele tremeram e ele baixou a cabeça, tímido: "Irmã...".

Eu: "Ai, meu bebê!".

Nossa, eu nunca tinha lidado com uma criatura tão fofa antes. Em menos de três segundos, eu já estava rendida.

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O gatinho aproximou-se com cautela e sentou-se. De vez em quando, ele torcia o nariz.

"Irmã, quem esteve aqui agora há pouco? Estou me sentindo um pouco desconfortável".

Senti um breve aperto de consciência.

"Err... meu marido, digo, meu ex. Viemos para tratar do divórcio. Mas ele teve uma emergência e saiu, não precisa ter medo".

O gatinho assentiu timidamente, observando-me com seus olhos grandes e submissos.

"Entendi... Irmã, então deixe-me te fazer companhia. Pode me contar qualquer coisa que te deixe triste, eu estarei aqui com você".

Eu estava radiante com tanto mimo.

Conversamos um pouco e logo o convenci a mostrar suas patinhas cor-de-rosa para eu apertar.

Enquanto eu brincava com as patinhas dele, o gatinho de repente arrepiou os pelos e começou a farejar o ar.

"Algo está errado, irmã. Sinto que há perigo por perto. Está muito próximo... parece que alguém está nos vigiando".

Eu estava tão distraída com as patinhas rosa que nem levantei a cabeça.

"Perigo? Você diz o meu ex? Ele acabou de ser chamado pela Aliança, é impossível ele voltar agora".

A voz do pequeno beastman até mudou de tom: "...Não, irmã. Olha lá... aquele não é o seu ex-marido?".

Levantei o olhar, surpresa.

Do lado de fora da janela da cafeteria, o homem alto e imponente estava parado diante do vidro.

Seus olhos escuros e profundos me encaravam fixamente, sem piscar. Parecia uma fera espreitando nas sombras. Através do vidro, ele moveu os lábios em silêncio:

Querida.

Quem é ele?

 

7

Levei um susto, mas logo recuperei a compostura.

Afinal, não estávamos ali para nos divorciar?

Então, não haveria problema nenhum em eu já começar a procurar o próximo, certo?

Após acalmar o gatinho, saí da cafeteria sentindo uma pontada inexplicável de culpa.

— Sr. Hugo, por que voltou de repente?

Hugo olhava para mim. Suas pupilas tremiam levemente. Ele parecia... prestes a desmoronar.

— ...Srta. Sâmia, você ainda não me respondeu. Quem é ele?

Cocei o nariz, constrangida.

— É um... beastman com quem marquei um encontro. Sinto muito que você tenha visto, é que eu não esperava que você voltasse...

Hugo repetiu as palavras em um sussurro:

— Um beastman com quem marcou... um encontro.

Assenti:

— Sim. Já que íamos nos divorciar hoje, pensei em aproveitar o tempo para encontrar o próximo o quanto antes. Mas e você? Não estava ocupado?

Hugo, com o rosto pálido, forçou um sorriso.

— ...Ah, de repente senti uma dor de cabeça e decidi voltar para descansar um pouco.

— Dor de cabeça? O que houve? Você está bem?

Fiquei tensa imediatamente. Hugo tinha sofrido uma lesão justamente na cabeça; sentir dor agora não era um bom sinal. O corpo dele oscilou levemente e sua voz soou fraca:

— Não é nada... deve ser apenas uma sequela, não se preocupe. Desculpe por interrompê-la, vou voltar para a Aliança agora.

Dito isso, ele se virou para sair.

Mas, após alguns passos, ele tropeçou e precisou apoiar-se na parede. Eu ia voltar para a cafeteria, mas, ao ver a cena, corri para segurá-lo.

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