Fiquei chocada com essa declaração de Dante sobre "viver do meu dinheiro" e olhei para ele sem acreditar.
Dante pareceu um pouco desconfortável com o meu olhar; ele virou o rosto para o lado, e as pontas de suas orelhas ficaram levemente avermelhadas.
"Saia daqui", disse ele friamente para Soraia. "Se ousar pisar aqui novamente, eu quebro as suas pernas."
Soraia cobriu o rosto e saiu correndo, chorando.
6
O jardim mergulhou novamente no silêncio.
Olhei para Dante e depois para Bernardo; o clima estava, no mínimo, peculiar.
Bernardo puxou levemente minha manga e disse baixinho: "Irmã, o irmão foi tão imponente agora pouco. Não sou como ele... eu apenas sinto muito por você, irmã."
As veias na testa de Dante saltaram e ele disse entre dentes: "Se você disser mais uma frase com esse seu tom cínico, eu te jogo pela janela agora mesmo!"
"Irmã, olhe para ele!" Bernardo imediatamente se aninhou em meus braços.
Massageei minhas têmporas, exausta: "Chega, chega. Parem os dois."
À noite, deitei na cama, mas rolei de um lado para o outro sem conseguir dormir.
O que as palavras de Dante significavam afinal? Ele realmente só estava interessado no meu dinheiro? Mas quando eu o perseguia, ele já sabia que eu era rica; por que não aceitou naquela época?
Enquanto pensava, a porta do quarto foi aberta suavemente.
Levei um susto e me sentei rapidamente.
Sob a luz do luar, vi uma silhueta alta entrar; as orelhas acinzentadas no topo da cabeça eram evidentes na escuridão.
"Alice." A voz dele estava rouca, carregando uma vulnerabilidade imperceptível. "Você... realmente não me quer mais?"
Paralisei, e meu coração falhou uma batida.
Aquele era mesmo o leopardo das neves orgulhoso e invencível de antes?
"Eu não disse que não te queria", respondi baixinho. "Nós não nos casamos?"
"Mas você é melhor para ele do que para mim", Dante levantou a cabeça, com os olhos azuis cheios de mágoa. "Você escova os pelos dele, você come a comida que ele faz e até deixa que ele te abrace."
Fiquei entre o riso e o choro: "Isso é porque ele tem um temperamento doce. Você vive rugindo para mim, como eu teria coragem de te abraçar?"
Dante mordeu o lábio e, de repente, pegou minha mão, colocando-a sobre suas orelhas macias.
"Eu não vou mais rugir com você", disse ele com a voz abafada. "Acaricie-me... eu também sou muito macio."
Sentindo a textura suave sob a palma da minha mão, meu coração se encheu de emoções conflitantes.
"Dante, qual é o seu problema, afinal?", suspirei. "Você me detestava tanto antes e agora vem com isso... eu realmente não te entendo."
Dante ficou em silêncio por um longo tempo, tanto que achei que não responderia.
"Eu não te detesto", ele levantou o olhar, encarando-me profundamente. "Eu apenas... não sabia como te enfrentar."
"O que quer dizer com isso?"
"Você é boa demais", a voz de Dante baixou até se tornar um murmúrio. "Sua bondade para comigo não tinha limites; não importava o quanto eu te desprezasse, você sempre se aproximava com um sorriso. Eu tive medo... medo de me acostumar com o seu carinho e, se um dia você não me quisesse mais, o que eu faria?"
Olhei para ele chocada. No fim, aquele "gato gigante" arrogante escondia uma insegurança profunda.
"Por isso, só pude fingir que não me importava, fingir que te odiava para te afastar", Dante deu um sorriso amargo. "Até que, naquele dia, o sistema notificou que você teria um segundo parceiro. Só então percebi que não suporto ver você sorrindo para outro, nem suporto ver você tocando as orelhas de outra pessoa."
Ele apertou minha mão, com um olhar que beirava o súplica: "Alice, mande o Bernardo embora, por favor. Eu prometo ser obediente de agora em diante. Colaborarei para termos quantas filhas você quiser, mas não fique com ele."
Olhando para os olhos marejados de Dante, meu coração derreteu completamente. Estava prestes a assentir quando, do lado de fora da porta, ouviu-se um suspiro profundo.
7
"O irmão é mesmo ardiloso, vindo ao quarto da irmã no meio da noite para se fazer de vítima."
Bernardo, vestindo pijamas, estava encostado no batente da porta, com seus olhos heterocromáticos brilhando na penumbra. Atrás dele, sua cauda pomposa balançava com irritação.
Dante levantou-se abruptamente, mudando instantaneamente de uma postura defensiva ao lado da cama para uma posição de ataque, emitindo um rosnado baixo: "Você se atreveu a ouvir atrás da porta?"
Bernardo entrou vagarosamente, encarando Dante sem medo: "Eu apenas saí para beber água porque estava com sede e aproveitei para ver se a irmã não tinha se descoberto durante o sono. Quem diria que eu presenciaria uma cena tão dramática."
Ele caminhou até o outro lado da cama e sentou-se, pegando minha outra mão: "Irmã, você não vai mesmo me mandar embora, vai? Eu não tenho pai nem mãe, além de você, eu não tenho mais nada no mundo."
Olhei para o leopardo das neves à esquerda e para o gato persa à direita; senti minha cabeça latejar.
"Vocês dois...", respirei fundo. "FORA DAQUI!"
"Irmã!"
"Alice!"
"SAIAM!", apontei para a porta. "Eu quero dormir! Se alguém me acordar de novo, amanhã mesmo eu providencio o divórcio!"
Os dois grandes felinos se encararam, faíscas voando entre seus olhares, mas acabaram soltando minhas mãos a contragosto e saindo do quarto, um após o outro.
No dia seguinte, fui para a empresa com olheiras profundas.
As minas dos Cavalcante estão espalhadas por vários sistemas estelares e, como única herdeira, eu tenho muitos negócios para gerir. Hoje, eu precisava inspecionar as novas pedras de energia em um planeta mineiro próximo.
Planejava ir sozinha, mas ao sair, Dante e Bernardo bloquearam a porta, um de cada lado, insistindo em me acompanhar.
"Lá fora não é seguro, eu preciso te proteger", disse Dante, vestindo seu traje de combate com uma pistola laser na cintura e uma aura de "não se aproxime".
Bernardo, por sua vez, vestia roupas casuais e carregava uma mochila, dizendo sorridente: "O trabalho da irmã é exaustivo. Trouxe lanches e chá para distraí-la."
Suspirei e acenei: "Subam na nave."
O ambiente no planeta mineiro era hostil, com poeira cinzenta por toda parte.
Usando uma máscara de proteção, verifiquei o progresso da extração dentro da mina. Dante me seguia de perto, vigiando os arredores com cautela. Bernardo vinha logo atrás, oferecendo-me água de vez em quando.
Justo quando nos preparávamos para sair, o inesperado aconteceu.
Um estrondo violento de explosão veio das profundezas da mina e, em seguida, todo o local começou a tremer violentamente, com pedregulhos caindo do teto.
"Ataque inimigo! São piratas estelares!", gritou a equipe de guarda pelo canal de comunicação.
Antes que eu pudesse reagir, Dante me derrubou no chão, protegendo-me com seu corpo robusto. Uma pedra enorme atingiu suas costas com um som surdo.
"Dante!", gritei aterrorizada.
"Estou bem", disse ele entre dentes, levantando-me do chão. "Rápido, isso aqui vai desabar!"
Corremos desesperadamente para a saída, mas os piratas estelares já haviam bloqueado o caminho. Cerca de dez piratas armados nos olhavam com sorrisos sinistros.
"Ora, se não é a herdeira dos Cavalcante. Que belo peixe fisgamos", disse o líder, um homem com o rosto cicatrizado, olhando para mim como se visse uma montanha de ouro. "Prendam-na! A família Cavalcante certamente pagará um resgate astronômico!"
Dante me protegeu atrás dele; suas mãos transformaram-se instantaneamente em garras de leopardo afiadas, e seus olhos azuis tornaram-se fendas. Uma sede de sangue aterrorizante emanava dele.
"Se querem tocá-la, terão que passar por cima do meu cadáver."
O homem da cicatriz riu: "Um mero híbrido de leopardo das neves querendo ser herói? Fogo nele!"
No instante em que o pirata puxou o gatilho, um vulto branco disparou do meu lado.
Era Bernardo!
Arregalei os olhos em pânico, achando que ele estava indo para a morte. No entanto, o que aconteceu a seguir mudou completamente minha percepção.
A velocidade de Bernardo era inacreditável; ele parecia um raio branco cortando o ar, infiltrando-se instantaneamente entre os piratas. Suas mãos, que antes pareciam delicadas, eram agora garras de gato extremamente afiadas. Cada movimento deixava um rastro de sangue.
Seus lindos olhos heterocromáticos brilhavam com uma intenção assassina gélida na mina escura. O sorriso em seu rosto permanecia doce, mas seus golpes eram letais e cruéis.
"Ai, ai... sujaram minha roupa", Bernardo deu uma risada leve enquanto quebrava o pescoço de um pirata.
Dante não ficou para trás; soltou um rugido e avançou, derrubando dois piratas com um só golpe.
Os dois grandes felinos massacraram o grupo de piratas, demonstrando uma sincronia surpreendentemente perfeita.
Em menos de cinco minutos, os piratas foram aniquilados, restando apenas gemidos no chão.