Capítulo 63: Amor após o casamento, você está falando sério?
Os irmãos Vitória olharam, em uníssono, para Alice Guimarães.
— Aceitar repentinamente a aliança com a família de Rafael foi uma forma de forçar a Vitória a fazer uma escolha, não foi?
As palavras de Alice fizeram as pupilas de Rodrigo Vitória se contraírem.
Ele olhou para Alice de forma enigmática: — Você já sabe?
— Difícil não saber, já que o Senhor Rodrigo causou um alvoroço tão grande. Como melhor amiga da Vitória, é natural que eu esteja do lado dela.
— Você esteve ocupada com o seu divórcio do Bernardo ultimamente, achei que não fosse perceber — comentou Rodrigo.
Alice sentiu uma pontada de culpa.
Ela realmente estivera tão atarefada que não teve tempo para focar em outros assuntos, muito menos no estado emocional da amiga.
Na noite do divórcio, Vitória a acompanhara na Mansão das Rosas enquanto esperavam o anúncio oficial de Bernardo; quando Alice recebeu a ligação de Henrique, o humor de Vitória claramente despencara.
— Ela tem demonstrado tendências depressivas ultimamente, e eu sei muito bem como a minha irmã deveria ser.
— Você espera que ela tome uma atitude e lute pela própria felicidade?
— Com certeza. Ela não pode continuar fugindo.
Alice e Rodrigo trocavam frases como se estivessem falando por códigos.
Vitória olhava para os dois, franzindo a testa: — Do que vocês estão falando?
— Você deveria se casar com o Henrique — disparou Alice.
Vitória arregalou os belos olhos: — Alice, você está brincando?
— Ela não está brincando. Se você não casar com o Henrique, terá que se unir à família de Rafael. Os Rafael ou os Yuri... escolha um deles.
Rodrigo, após dar o poder de decisão à irmã, retirou-se.
Alice observou a silhueta de Rodrigo, que agia com total controle da situação, e não pôde deixar de admirá-lo internamente.
Ter um irmão tão foda assim era a sorte da amiga.
— Já pensou bem? Os Rafael ou os Yuri, em qual família você quer entrar?
— Pare com essa piada. Como eu poderia casar com o Henrique? A pessoa de quem ele gosta é você.
— Mas a pessoa de quem você gosta é ele. E o que ele sente por mim é mais um apego de infância. Vocês são diferentes; histórias de amor que surgem após o casamento não faltam por aí.
Vitória ficou sem palavras: — Amiga, você anda lendo muita ficção? "Amor após o casamento"... esse clichê não combina nada comigo e com o Henrique.
— Escute-me: o Henrique é um homem bom, talentoso, de boa família... é mil vezes melhor que aquele playboy libertino do Rafael. Você não pode se autodepreciar escolhendo um marido vagabundo.
— ...
Ela não queria escolher nenhum, podia ser?
Alice arrastou Vitória para o quarto dela.
Durante todo o caminho, ela cobriu Henrique de elogios, elevando-o às alturas.
Vitória foi direta ao ponto: — Ele gosta de você. Ele estaria disposto a casar com outra mulher?
O olhar de Alice era límpido: — Eu não gosto dele. E você é tão maravilhosa que ele vai acabar se apaixonando por você.
— Alice, esse é o estado ideal. A realidade nua e crua é sempre uma confusão generalizada.
Alice tirou as fotos: — E quanto a isto aqui?
Ao ver as fotos, o olhar de Vitória foi tomado por um pânico impossível de esconder.
— De onde vieram essas fotos?
Como alguém pudera fotografá-la com o Henrique escondido?
— Isso não importa. O que importa é que, se você não casar com o Henrique, haverá quem use isso para falar mal de você pelas costas. Eu sei o que você quer dizer: em alianças de elite, cada um viver a sua vida é comum, e hoje em dia as relações não são apenas preto no branco.
Vitória prendeu a respiração, observando os lábios vermelhos da amiga se movendo.
Ela estava muito tensa.
— Naquela noite você não estava bêbada. Se não gostasse do Henrique, jamais permitiria que ele te tocasse, certo?
Vitória baixou os cílios.
Ela provavelmente enlouquecera naquela noite.
Depois do ocorrido, ela mesma não entendia bem como acabara dormindo com Henrique.
Parecia que ela gostava daquela obstinação dele pela sua melhor amiga; o brilho nos olhos dele toda vez que falava dela a deixava com inveja.
Ela chegou a desejar ser o motivo daquele brilho.
Alice segurou as mãos de Vitória com firmeza: — Não importa qual decisão você tome, eu te apoiarei.
Dito isso, ela deixou as fotos suavemente sobre a cama e saiu do quarto.
Ela sabia que Vitória precisava de tempo.
...
— Qual foi o maldito que tirou essas fotos? Eu vou acabar com ele!
Clara disse: — O sujeito me pediu um milhão. Eu paguei, mas não tenho certeza se aquelas eram as únicas fotos.
Henrique não conseguia esconder seu pânico e urgência. Ele disse em tom sombrio: — Mande investigar imediatamente. A Alice não pode saber disso de jeito nenhum.
— Ela já sabe. E já foi até a casa dos Vitória.
— Merda! Foi você quem contou para ela?
— Henrique, ela precisava saber. Você sabe muito bem que ela não tem intenção de aceitar sua declaração, muito menos de se unir à família Yuri. Seu pai foi claro: você precisa entender isso, ou não terá direito a assumir o cargo dele.
— Eu não dou a mínima para esse cargo maldito! Tudo o que eu fiz foi pela mulher que eu amo! — Henrique gritou histericamente.
Ele já estava em uma maré de azar: finalmente encontrara seu amor, mas ela estava casada.
Quando finalmente ela se divorciou, ele acidentalmente dormiu com a melhor amiga dela.
Ele queria enterrar esse segredo no abismo para sempre, mas alguém o expôs publicamente.
Tudo o que ele construiu estava prestes a ser destruído! Ele estava à beira da loucura!
— O que você tem que fazer agora é assumir a responsabilidade pela herdeira dos Vitória. Do contrário, você não terá lugar nem na elite de São Paulo, nem entre as famílias do Leste.
— Que se dane o lugar onde eu vou ficar, eu só quero a minha Alice!
— Ela não é sua! — Clara gritou de volta para Henrique.
Henrique baixou a cabeça, cobrindo o rosto com as mãos.
Como as coisas chegaram a esse ponto?
Ele estava se esforçando tanto para se tornar forte, para conseguir acompanhar os passos dela.
— O desejo do seu pai é que você vá à casa dos Vitória pedir a mão dela o quanto antes.
Clara conhecia os bastidores: o tio dela não queria uma união entre os Yuri e os Guimarães.
Primeiro, porque Alice era divorciada — ignorando o status social, ela era a presidente do Grupo Guimarães; uma aliança traria uma situação política complexa demais para os Yuri.
Segundo, porque a linhagem e o histórico de Vitória se encaixavam perfeitamente no que o tio buscava para uma nora.
Já que isso aconteceu, o tio certamente aproveitaria para pressionar Henrique a pedir a mão dela, casar logo e assumir os negócios.
Henrique jogou-se no chão, entrando em estado de "desistência total".
Ele não casaria.
Se fosse para ficar com a reputação arruinada e sem direito de cortejar Alice, que fosse.
Mas ele ainda poderia protegê-la nas sombras, como o seu cavaleiro.
...
— Não come, não bebe e não fala nada. Acho que ele está sofrendo de verdade.
Clara não resistiu e foi até Alice para sondar a situação, afinal, seu primo estava em um estado de prostração absoluta.
Alice ouviu e disse: — Vou visitá-lo depois do trabalho.
— Seria o ideal.
Clara ia saindo, mas voltou para perguntar: — Você realmente não gosta dele?
— Eu gosto. Existem vários tipos de amor neste mundo; o que sinto pelo Henrique é um afeto de irmãos.
Um brilho de decepção passou pelos olhos de Clara.
Alice sorriu: — Você parece achar que o Henrique está saindo no prejuízo.
— Eu não concordo com meu primo te perseguindo, nem meu tio concorda com ele casando com você, mas nada disso importa. O que importa é que ele te procurou por dez anos, e você o vê apenas como um irmão.
— Sentimentos não podem ser forçados. Eu não posso me obrigar a fingir um amor que não sinto para usá-lo; isso sim seria a maior das traições.
Clara pareceu entender, mas nem tanto.
Alice pediu ao chef do
Hua Ding Xuan
para preparar os pratos favoritos de Henrique. Após o expediente, ela pegou a comida e foi direto para a mansão dele.
Um carro preto discreto a seguia silenciosamente e estacionou na frente da mansão vizinha.