Capítulo 62: Por pouco não encostou nos lábios dela...
Bernardo já sabia que Alice viria procurá-lo.
Ela era um pouco mais esperta do que ele imaginava, mas apenas um pouco.
— Bernardo Fontes, vista a droga dessa roupa agora! — Alice pegou a camisa que estava no banco e a atirou nos braços do homem. O tom autoritário fez o homem hesitar por um instante.
Quando ela era a "Senhora Fontes", não era tão mandona assim.
Bernardo ergueu as sobrancelhas, e seus olhos liberaram um brilho perspicaz e profundo: — Alice Guimarães, foi você quem disse que após o divórcio estaríamos quites e que o melhor era nunca mais nos vermos. Mas toda vez, quem invade o meu espaço é você.
— Você—!
Alice quase se deixou levar pelo ritmo do canalha.
Ela lembrou do objetivo da visita e, reprimindo a fúria, perguntou em tom grave: — Foi você quem mandou aquele galanteador barato do Rafael ir à família Vitória pedir a mão dela?
— A família de Rafael está de olho nos recursos dos Vitória, é normal quererem uma aliança.
— Apenas recursos? Que tipo de peça o Rafael é, a família dele não sabe? Nesses anos todos eles arranjaram várias herdeiras para ele, e o Rafael nunca aceitou. Por que, do nada, ele aceitaria uma aliança com a Vitória?
Alice aproximou-se de Bernardo passo a passo, erguendo o rosto e encarando-o com fúria: — Foi armação sua, não foi? Você sabe que a Vitória é a minha melhor amiga e está usando a vida dela para se vingar de mim!
Bernardo, observando aquela postura agressiva, inclinou o rosto e rebateu: — Me vingar de quê, exatamente?
— Me vingar por eu ter me divorciado de você!
— Alice, você é muito presunçosa.
Ao ouvir aquilo, Alice sentiu uma estranha familiaridade.
Ela respirou fundo: — Tudo bem. Vá dizer ao Rafael para tirar essa ideia de aliança da cabeça e convença a família dele a desistir oficialmente do compromisso.
— Você está me dando ordens? — O homem aproximou-se subitamente, e aqueles lábios frios e sensuais quase encostaram nos dela...
O coração de Alice batia como um tambor.
Ela alertou a si mesma em silêncio: jamais se deixe enganar pela aparência desse homem.
Era preciso lembrar que, por baixo dessa face bonita, batia um coração sombrio e cruel.
Alice desviou o olhar e disse pausadamente: — Eu sei que você tem o controle sobre isso. O patriarca dos Rafael te escuta, e o Rafael não é o seu comparsa de farras? Ele sempre faz o que você manda.
— A questão principal é: por que eu deveria te ajudar? — Bernardo olhou para Alice com escárnio. — Você ainda acha que é a Senhora Fontes?
Alice rangeu os dentes.
Quando era a Senhora Fontes, esse homem a tratava como fumaça; agora que estavam divorciados, como ele haveria de ouvi-la?
— O que você quer? Aqueles recursos que me deu de volta ou algo da minha família?
Bernardo limpava o suor do pescoço, dizendo de forma enigmática: — Você se dá importância demais.
— Bernardo Fontes!
— Rafael é meu amigo. Quando ele se casar, eu darei um presente grandioso.
Alice quase teve um infarto de raiva: — Você está fazendo isso de propósito!
Ele nem sequer olhou para ela e simplesmente saiu caminhando.
Alice não suportava aquele desprezo.
Ela correu e puxou a toalha de Bernardo, mas como ele era muito mais forte, ela acabou colidindo contra o corpo dele.
— Alice Guimarães, o jogo de desdém e sedução acabou faz tempo.
No seu ouvido, soou o aviso rouco do homem.
Alice ergueu o olhar, encarando os olhos profundos dele: — Bernardo, eu nunca joguei com você. Eu também espero que você pare de remoer esse casamento deplorável.
O olhar dele tornou-se subitamente cortante: — Deplorable?
— Eu te persegui, fiz de tudo para casar com você, o erro foi meu. Eu peço apenas que deixe a Vitória em paz.
Ele riu com desprezo. Mais uma vez, ela estava ali por causa de outra pessoa.
Ela o usara, o ridicularizara e até o enganara.
Por que ela achava que ele a deixaria em paz?
— Tudo bem. Se você aceitar ser minha amante, eu faço o sacrifício de impedir essa aliança.
Ao soltar Alice, a expressão dele era de puro nojo.
Como se tivesse tocado em algo imundo.
O peito de Alice deu uma pontada!
Esse traste!
Ela não deveria ter vindo; veio apenas para ser humilhada.
— Bernardo Fontes, você não é homem nem aqui nem na China!
— Repita isso!
— Você é um animal vestido de gente!
Após gritar na cara dele, Alice saiu da Mansão do Horizonte sem olhar para trás.
POW.
O punho do homem atingiu a parede com força.
— Eu vou esperar você vir me implorar.
...
Alice dirigia para longe da mansão, sem saber ao certo para onde ir.
Clara ligou para ela: — Tenho algo muito importante para tratar pessoalmente com você.
Alice marcou o encontro no
Rashomon
.
No camarote, Clara tirou algumas fotos da bolsa com semblante grave e as entregou a Alice.
Alice olhou curiosa.
— Henrique e Vitória?
As fotos não tinham censura; eram de fato Henrique e Vitória.
Pelas roupas, parecia ser da noite da festa de comemoração do título de perfumaria.
Havia fotos de Vitória ajudando o Henrique bêbado a entrar em um táxi, e fotos dos dois entrando no apartamento particular de Vitória.
Havia uma ainda mais comprometedora: os dois se beijando diante de uma janela de vidro.
A voz de Alice tremeu: — De onde veio isso?
— Eu já verifiquei, não é montagem.
Clara fixou o olhar na reação de Alice: — O que você acha?
— O que eu posso achar?
— O Henrique gosta de você, mas aconteceu isso com a sua melhor amiga. Você ainda estaria disposta a aceitar o cortejo dele?
Alice balançou a cabeça: — Você inverteu as prioridades. Eu nunca pensei em aceitar o cortejo dele. Com quem ele está ou o que aconteceu é problema dele. — O tom de Alice mudou: — Porém, como isso envolve a Vitória, então o problema é meu.
— Onde você vai?
— Atrás da Vitória.
Não era à toa que Vitória estava estranha, sempre hesitando ao falar e olhando para ela com culpa. Era por causa disso.
Se o Henrique realmente a desrespeitou, e se ela sente algo por ele, o problema da aliança com o Rafael estaria resolvido?
Com esse pensamento, o coração de Alice saltou de esperança.
Ao chegar à mansão dos Vitória, os empregados a deixaram entrar direto.
Na sala, ouvia-se a discussão entre Vitória e Rodrigo.
— Eu não vou casar com o Rafael! Se quer casar com ele, case você!
A voz de Rodrigo era firme e dura: — O papai já sabe da aliança. Se quer mudar a ideia dele, ou você apresenta um namorado e eu te ajudo, ou eu te levo amarrada para a família Rafael.
— Como pode me tratar assim?
— Eu lembro que, quando marquei aquele encontro com o Henrique para você, você disse que ele era o herdeiro dos Yuri. — Rodrigo mencionou Henrique de repente.
A expressão de Vitória mudou, e ela tentou mudar de assunto: — Eu já disse que não quero encontros, sou jovem e não quero casar! Você prometeu à mamãe que não me forçaria a uma aliança!
— A situação é complexa. A aliança é inevitável.
— Eu não te ajudei a conseguir aquele projeto com o Leste? Você tinha me prometido!
A voz de Rodrigo tornou-se mais urgente: — Vi, escute bem: você não tem escolha, precisa casar. Qualquer um serve. O Rafael é a escolha aprovada pelo papai. Pense bem!
Ao ouvir aquilo, Alice teve a impressão de que Rodrigo não estava forçando Vitória a casar com Rafael, mas sim forçando-a a confessar quem era o seu amor.
Será que ele também sabia sobre Vitória e Henrique?
Alice entrou na sala: — Rodrigo, eu gostaria de saber por que a Vitória é obrigada a se casar agora?