Capítulo 56: Um idiota que não entende nada de como bajular mulheres
Alice correu apressada e levou apenas uma hora para chegar à mansão ancestral dos Fontes.
De longe, ela avistou o carro de Bernardo estacionado, hesitando por um momento se deveria entrar ou não.
Ela apurou os ouvidos e escutou atentamente a conversa de alguns empregados que fofocavam à distância.
— O irmão da Senhora tem um gênio terrível. Assim que entrou, já foi questionando o Patriarca se ele permitia que o neto maltratasse a irmã, e ainda por cima xingou a Pequena Senhorita.
— A Pequena Senhorita tem um temperamento tão dócil, nunca fora insultada assim; ela até chorou.
— Que Senhora o quê, ela agora é a ex-senhora. Devemos chamá-la de Senhorita Guimarães. Falando nisso, o Patriarca tem um gênio tão difícil, por que está sendo tão cortês com os Guimarães? Até a Paola chorou, e ele nem deixou os seguranças agirem.
— A ex-senhora foi escolhida pessoalmente pelo Patriarca para casar com o patrão. É claro que ele gosta dessa neta de consideração. Se ele trata bem os Guimarães, não é por consideração a ela?
— Eu acho que é mais por causa do poder da família Guimarães. O fim da aliança não impede parcerias futuras, especialmente agora que a ex-senhora detém o poder real dos Guimarães; não podem ofendê-la.
— Mas me digam, a Senhora é linda, bondosa e rica; por que o patrão se divorciou dela?
— Será que ela o traiu? Ou foi o patrão quem traiu?
Vendo que a conversa tomava rumos absurdos, o Governante Vagner apareceu.
Após dispersar os empregados, ele avistou Alice. Seu rosto de "gelo" transformou-se instantaneamente em um sol de primavera e ele correu calorosamente para convidá-la a entrar.
Alice caminhou pelo pátio sob os olhares curiosos de inúmeras pessoas da mansão até chegar ao pavilhão onde o Patriarca residia.
Ela achou que encontraria apenas o avô, Bernardo, Paola e seu irmão burro, mas —
Ao ver a sala cheia de membros da família Fontes, inúmeras linhas de frustração surgiram em sua testa.
Cacete!
Ela não deveria ter vindo resgatar esse irmão idiota que só sabia colocá-la em roubadas.
Tanta gente!
A linhagem direta: o Patriarca, Bernardo e Paola.
Mas os ramos secundários também não podiam ser ignorados; o poder dessa família era ramificado e complexo demais.
Mesmo sendo a primogênita dos Guimarães e detendo o poder do grupo, ela não ousaria "se libertar" diante de tantas pessoas.
— Alice Guimarães? Eu já estava querendo falar com você. Além de se divorciar do meu sobrinho, ainda manda o seu irmão vir aqui nos insultar? O que você pensa que a nossa família é?
Quem falava era o Sr. Maurício (Fu Xuan), fruto de uma indiscrição da juventude do Patriarca Fontes — o tio de Bernardo. Esse "Segundo Senhor" herdara a natureza galanteadora do pai; até hoje não tivera sucesso em nenhum empreendimento, mas produzira uma dúzia de filhos, todos medíocres.
Embora o Patriarca o tivesse trazido para a mansão, nunca o incluíra no registro oficial da linhagem direta; ou seja, nem ele nem seus descendentes tinham direito de disputar o poder com Bernardo.
Ele era alguém que sabia o seu lugar; sabia que o Patriarca o protegia enquanto vivo, mas depois disso dependeria do sobrinho Bernardo. Por isso, ele sempre bajulava Bernardo, tratando-o como um deus da fortuna.
Não foi à toa que foi o primeiro a abrir a boca para atacar Alice.
Alice observou os outros: eram todos primos de primeiro e segundo grau.
— Fale alguma coisa! Você precisa dar uma explicação à família Fontes pelo que houve hoje! — Maurício apontou para Alice, furioso.
Alice fez uma reverência educada ao Patriarca Fontes e desculpou-se:
— Vovô Fontes, o que houve hoje foi erro do meu irmão. Vou levá-lo de volta e educá-lo adequadamente. Pelo transtorno causado aqui, basta que o senhor peça, e eu providenciarei a compensação.
Dito isso, ela lançou um olhar severo para o irmão idiota, que estava imobilizado pelos guardas no outro canto, e em seguida dirigiu-se a Maurício com cortesia:
— A família Fontes é a mais prestigiada de São Paulo, imagino que não se rebaixariam ao nível de um estudante que nem se formou. Peço que o Segundo Senhor, em consideração aos meus pais, perdoe o meu irmão desta vez. Prometo castigá-lo severamente para que ele nunca mais ouse cruzar os portões desta casa.
Ela também não cruzaria esses portões novamente!
Ela e os Fontes seriam estranhos para o resto da vida!
Bernardo estreitou os olhos. Com apenas um olhar, soube exatamente o que aquela mulher estava pensando.
Não pense que ele não viu o desprezo nos olhos dela.
Ela provavelmente queria distância eterna dele.
O Patriarca Fontes sempre gostara de Alice como neta: generosa, elegante, linda e talentosa; ela era perfeita. Ele não entendia o que dera nesse neto com água no cérebro para querer o divórcio.
Os outros membros da família, vendo a postura impecável de Alice, não ousavam dizer muito; muitos olhavam para o Patriarca, pois cortar ou não relações com os Guimarães dependia da atitude dele.
Maurício, sem senso de observação e querendo bajular o sobrinho rico, continuou depreciando Alice na frente de Bernardo:
— Quem você pensa que é? Uma jovem como você se atrever a falar em nome dos Guimarães sobre compensar os Fontes? Por acaso a nossa família está passando necessidade?
Alice franziu a testa: — O Segundo Senhor quer dizer...
— Chame o seu pai. Se ele não vier pessoalmente pedir desculpas aos Fontes, não pense em levar esse moleque arruaceiro. Que falta de educação, que gentalha!
Maurício começou a insultar seu irmão diretamente, e desta vez Alice não o poupou.
Ela mantinha a compostura em respeito ao Patriarca, mas por que esse "tio de segunda categoria" estava ali mandando indiretas ofensivas?
— Quem manda na família Fontes é o Patriarca, e quem detém o poder do Grupo Fontes é o Senhor Bernardo. O Segundo Senhor, além de viver em festas e gastar fortunas, desde quando aprendeu a administrar a casa?
— Sua moleca insolente, você ousa me chamar de inútil?
— Eu jamais faria uma acusação direta; as carapuças servem para quem as veste, especialmente entre os mais velhos.
— Você... você...
O Patriarca Fontes conteve o sorriso no canto da boca e disse com autoridade:
— Todos vocês, caiam fora daqui!
Todos baixaram a cabeça e retiraram-se rapidamente.
— Esperem! — O Patriarca os deteve. — Mesmo que o Bernardo e a Alice tenham se divorciado, ela continua sendo a neta que eu escolhi. No futuro, em qualquer ocasião, não ousem dificultar a vida dela! E saibam: os Guimarães e os Fontes serão sempre aliados próximos!
Alice pensou: "Isso não é bom".
Aquelas palavras do avô não eram um anúncio para o mundo de que, embora Bernardo estivesse divorciado, ela ainda era a neta favorita dele?
Agora, quem quisesse cortejá-la teria que assumir o risco de ofender o Patriarca dos Fontes.
Embora tenha resolvido o dilema dos Guimarães, será que o resto de sua vida fora "reservado"?
Isso não podia acontecer.
— Vovô Fontes, não precisa me defender assim. Eu é que falhei com o Senhor Bernardo, e nosso divórcio foi por vontade mútua. De agora em diante, os caminhos de cada um são independentes.
— Alice, o Bernardo não tem juízo. O vovô sabe que você sofreu. Fique tranquila, daqui para frente...
Alice apressou-se em interrompê-lo: — Daqui para frente, eu desejo o melhor para o Senhor Bernardo e sua amada. Eu também viverei minha vida, buscando alguém que seja ainda melhor no futuro!
O canto da boca do Patriarca tremeu violentamente enquanto ele olhava com desdém para o próprio neto.
Parece um homem de respeito, mas como pode ser um idiota tão lerdo emocionalmente, que não entende nada de como bajular uma mulher?
Se soubesse, teria deixado o Segundo Senhor ensinar um pouco para ele; se ele tivesse o talento de Maurício para seduzir mulheres, a Alice já não estaria na palma da mão dele há muito tempo?