Capítulo 49: Ela quer o divórcio! O equilíbrio emocional do Senhor Fontes desmoronou
— Isadora Matos, se você não entende a língua dos humanos, não me importaria de te mandar para um zoológico.
Alice observava Isadora, que estava vestida como uma universitária pura e inocente, e pensava se ela não estava com água no cérebro.
— Minha mestra disse que não importa fracassar nos negócios, contanto que eu não perca o favoritismo do homem.
— A Lin Hua te contou que, quando era jovem, ela se dedicou inteiramente a seduzir o homem que amava, mas acabou perdendo tanto o dinheiro quanto a pessoa? Além de não ter coragem de encarar o seu amado, ela ainda enlouqueceu e acabou com quem a amava?
O rosto de Isadora empalideceu: — Alice Guimarães, que asneiras você está dizendo?
Alice massageava as têmporas.
Após ser torturada a noite inteira por aquele traste, ela realmente não tinha forças para lidar com essa piranha.
— Se não entende, saia daqui.
— Não me trate com essa superioridade. Eu vim aqui para tratar de um assunto sério.
Alice baixou os cílios.
Sem paciência para essa louca.
Isadora bateu o pé e resmungou: — Eu estou grávida. Quero que você se divorcie do Bernardo agora mesmo e deixe vago o posto de Senhora Fontes.
Grávida.
Essas palavras foram como um tapa na última gota de dignidade de Alice.
As palavras que Bernardo sussurrara em seu ouvido na noite anterior ainda ecoavam.
Ele dissera:
Você é minha primeira mulher, e será a última.
Ele dissera:
Alice, não importa se você me odeia, você não pode mudar o fato de que é a mulher de Bernardo Fontes, e sempre será.
Para ela, tudo não passava de conversa fiada.
Mas, ocasionalmente, ela ainda se pegava pensando se aquele homem realmente sentia algo por ela.
Ela quase acreditou naquelas mentiras!
Que primeira mulher o quê!
Que última mulher o quê!
Com aquele ar de abstinência e pureza, ele era, na verdade, muito mais experiente que o libertino do Rafael.
— Suma.
Alice mandou ela sair, com medo de acabar batendo nela e provocando um aborto.
Isadora ergueu o queixo, triunfante: — Eu já disse que você não é páreo para mim. O único amor do Bernardo sou eu.
— Se não sumir agora, eu não me importo de mandar os dois para o túmulo de uma vez.
Talvez pela atitude de Alice ser afiada demais, Isadora tentou manter a pose de arrogância para ameaçá-la: — Uma mulher perversa como você não merece ser esposa do Bernardo! Tenha um pouco de bom senso e aceite o divórcio logo, senão você vai envergonhar toda a família Guimarães!
Alice agarrou a manga de Isadora.
— A honra dos Guimarães? Pois é, você é a filha ilegítima dos Matos, alguém que nem rosto tem. Você não tem medo da vergonha: ser amante assumida e engravidar solteira é motivo de orgulho agora?
Isadora achou que Alice ia bater nela e gritou apavorada: — Socorro! Alguém me ajude, a Alice quer me bater!
Os seguranças que ela trouxera foram barrados pela secretária lá fora. Ao ouvir batidas na porta, Alice soltou Isadora com irritação.
— Não permito que pessoas imundas e baixas pisem no meu território. Se voltar aqui no Grupo Guimarães para me procurar, eu realmente mandarei acabar com você e com esse seu ventre!
Isadora viu a crueldade nos olhos de Alice e fugiu desesperada, sem olhar para trás.
Alice conhecia bem a índole de Isadora.
Ela não perderia nenhuma oportunidade de provocá-la ou atingi-la.
Agora que estava grávida, ela queria usar o "herdeiro" para ditar as regras.
Não era à toa que viera ao Grupo Guimarães declarar guerra e ordenar o divórcio.
Alice discou o número de Bernardo.
No escritório da presidência do Grupo Fontes, Bernardo estava de cenho franzido diante de uma montanha de documentos para assinar, mas hoje ele não tinha entusiasmo para o trabalho; sentia-se apático.
O telefonema de Alice o fez despertar.
— Alô?
Ele achou que Alice queria ceder.
Parecia que ela percebera que as palavras que dissera hoje cedo foram dolorosas demais.
— O acordo já foi redigido? Estou indo aí assinar.
Ao ouvir o tom desprovido de qualquer emoção, o aperto no peito de Bernardo piorou instantaneamente.
— Alice Guimarães, a única coisa que você tem para me dizer é isso?
Alice riu friamente. Por acaso ele esperava que ela o parabenizasse pelo filho que estava por vir?
— Sobre o que aconteceu ontem à noite...
Alice hesitou nas palavras.
Bernardo sentou-se ereto.
Ele aguçou os ouvidos, esperando por um desabafo ou confissão.
— O Senhor Fontes, que está no mundo dos negócios há anos, deve entender a lógica da troca, não? Eu já paguei o preço pelo que houve ontem; agora é a vez do Senhor Fontes mostrar sua sinceridade.
Bernardo rangeu os dentes: — Você quer tanto assim?
— Eu sou uma mulher de negócios — disse Alice. — Além de transações, existe algo mais entre nós dois?
Você até já providenciou um filho bastardo e ainda quer me proibir de pegar alguns recursos como compensação?
O que você pensa que eu sou?
Uma ferramenta para satisfazer suas necessidades fisiológicas?
— A propósito, vamos agilizar o processo do divórcio. Tenho medo de que certas pessoas não consigam esperar.
Quanto à parceria dele com a família Real (Huangfu), ela supunha que ele estaria disposto a pagar o preço necessário para dar um nome a Isadora e ao bastardo.
— Alice, você...
Tu-tu-tu—
Bernardo, com uma fúria que não encontrava saída, arremessou o computador e todos os documentos da mesa ao chão.
Eduardo entrou ao ouvir o barulho e, ao ver a bagunça no escritório, sentiu seu mundo desabar.
O patrão era um viciado em trabalho; o trabalho era sua amante, ganhar dinheiro era seu hobby. Eduardo nunca o vira perder o controle emocional assim, muito menos transformar o escritório em um campo de guerra.
Alguém ia se dar muito mal!
Eduardo encolheu o pescoço, sentindo o ar ao redor ficar gélido.
...
Três da tarde.
Alice chegou ao prédio do Grupo Fontes acompanhada de sua assistente, Sônia (Song Jiu).
Eduardo colocou os documentos na mesa de forma submissa, sem ousar olhar para o rosto sombrio de seu patrão.
Bernardo fixou o olhar em Alice: — Pensou bem? Quer mesmo o divórcio?
Essa mulher, que ontem mesmo estava debaixo dele, agora pedia o divórcio com uma frieza implacável; era mais desalmada que um libertino profissional.
Alice empurrou a pasta para Sônia, fazendo sinal para que ela revisasse os termos.
Ela pegou sua xícara de café com elegância, esforçando-se para não olhar para Bernardo e, muito menos, pensar em Isadora Matos se vangloriando da gravidez na sua frente.
Hoje ela estava ali como a CEO do Grupo Guimarães, tratando de negócios.
— Eu pesquisei sobre a família Real. A parceria de vocês ainda não começou oficialmente; anunciar o divórcio agora não terá um grande impacto para você.
— E para os Guimarães?
— Esse nível de impacto eu consigo controlar. Além do mais... — Alice ia dizer: "Sua amada pode esperar? O ventre dela pode esperar?". — Quanto ao mercado europeu... — Alice encarou Bernardo nos olhos, com tom burocrático: — Eu quero 50%.
— 50%? — Eduardo ficou em choque.
De onde a patroa tirou coragem para uma exigência tão absurda?
Nem 30% seria fácil; o patrão teria que prestar contas aos velhos do conselho administrativo, quanto mais 50%.
Isso era simplesmente impossível.
Bernardo estreitou os olhos negros: — Você está abusando da sorte?
— Eu estou sendo muito sincera. Se eu revelar os segredos do Senhor Fontes, não serão apenas 50%; sua estratégia na Europa desmoronaria por questões de conduta pessoal, você perderia muitos parceiros e tudo entraria em colapso. Ninguém sairia ganhando.
Eduardo olhou instintivamente para o patrão: segredos?
Ele acompanhava Bernardo há tantos anos; que segredo terrível o patrão teria que pudesse afetar o desenvolvimento do grupo?
Aparentemente, nenhum.
Alice manteve uma postura forte, demonstrando sua eficiência executiva: — Assine, e seremos apenas parceiros de negócios, não mais marido e mulher. De agora em diante, o seu sucesso ou fracasso não me dizem respeito. Eu não serei baixa ao ponto de te causar problemas ou caluniar você; se precisar, posso até falar bem de você para a mídia.
— Humpf, e que tipo de coisas boas você planeja dizer?