Capítulo 47: Aconteceu! Desta vez foi de verdade... eles dormiram juntos!
Ao retornar à Mansão do Horizonte, Bernardo finalmente entendeu o significado profundo das palavras de seu avô.
Ele embebedou Alice de propósito e fez o Governante Vagner batizar a sua bebida com algum "aditivo"...
Aquilo era uma emboscada para forçar o consumo do casamento?
Para segurar um bisneto nos braços, o Patriarca não poupou esforços! Não mediu consequências! Não teve escrúpulos!
O fogo sem nome em seu corpo ardia cada vez mais forte. No instante em que percebeu que algo estava errado, Bernardo sentiu o desejo assumir o controle de grande parte de sua razão.
O avô estava com medo de que ele fosse impotente? A dose foi alta demais!
Era várias vezes superior à que Isadora lhe dera da última vez; o velho não teve medo de que suas veias explodissem!
Da outra vez, ele ainda conseguiu se controlar minimamente para voltar e procurar Alice na Mansão do Horizonte, e mesmo após ela chamar a polícia, os remédios trazidos por Rafael fizeram efeito. Mas desta vez, Bernardo tomou banho gelado e engoliu várias pílulas de reserva de Rafael, mas nada conseguia dissipar o desejo que fervilhava em seu interior.
Ferrou!
Essa era a única palavra que ecoava na mente de Bernardo.
Ele chegara ao ponto de saborear involuntariamente a lembrança de quando a dominou no carro.
O corpo daquela mulher era inebriante, um encaixe tão perfeito que o deixava fascinado.
Não, ele não podia se aproveitar da situação!
Bernardo desligou a torneira, preparando-se para vestir a roupa e correr para o hospital.
A porta do banheiro se abriu, e um forte hálito de álcool invadiu o ambiente.
As bochechas coradas da mulher, seus olhos turvos e sedutores, o corpo perfeito despindo-se das roupas... tudo aquilo torturava o último resquício de sanidade do homem.
Seus nervos, naquele instante, entraram em colapso total...
Alice bebera demais. Ela já havia se deitado, mas estava coberta de suor e sentia-se péssima. Arrastou seu corpo mole até o banheiro para um banho.
Ela achou que estava na casa dos pais e, sem pensar, foi tirando as roupas que a incomodavam enquanto caminhava para o banho, o que resultou na cena de ambos se encarando totalmente despidos.
Alice achou que estava sonhando.
Na vida passada, após quebrarem a última barreira, eles realmente tiveram experiências de tomarem banho juntos...
Mas! Por que a expressão do homem à sua frente parecia tão real?
— Tá olhando o quê? Nunca viu não? — Alice estendeu o dedo indicador e deu um peteleco na testa do homem!
Esse pequeno gesto descuidado foi como um gatilho direto no coração de Bernardo.
A última gota de razão foi devorada pela fera na jaula, substituída por um desejo de uma intensidade absoluta.
— Ber... uhn.
A noite inteira.
Bernardo quis parar, e mesmo quando o efeito do remédio em seu corpo já havia se dissipado, ele continuava dominado pela ambição territorial e pelo desejo, perdendo toda a racionalidade. Ele segurava aquele corpo macio e fascinante, recusando-se a soltá-la.
Na vida passada, ele ia embora assim que terminava.
Desta vez...
Ela acordou sentindo como se seu corpo tivesse sido desmontado e remontado inúmeras vezes. O que viu não foi o teto, mas sim...
O rosto do homem! O rosto bonito, familiar, ampliado e com um ar de satisfação!
— AAAAAHHH! —
O grito dela perfurou os ouvidos do homem, que prontamente tapou a boca dela.
O clima de luxúria no ar, o feromônio intenso emanando do corpo do homem e a dor que ela sentia em cada centímetro do corpo indicavam um fato:
Eles dormiram juntos.
Bernardo Fontes a possuiu.
Após processar a realidade, Alice permaneceu deitada, sem forças, em um estado de total desistência.
Se aconteceu, aconteceu. Afinal, na vida passada já tinham dormido juntos antes.
Embora sentisse ódio e arrependimento, o fato era imutável.
Ela tinha que aceitar! E depois acertar as contas com esse traste!
Decidida, Alice fixou um olhar afiado no homem e disse com crueza:
— Aproveitador, brutal, implacável e sem nenhum controle. Bernardo Fontes, você se superou! Como pretende me compensar desta vez?
Bernardo: — ...?
Ele achou que Alice o odiaria e que, ao acordar, tentaria destruí-lo a qualquer custo.
Ele até já tinha planejado como assumiria a responsabilidade por ela.
Mas que tipo de conversa era aquela?
— O vovô Fontes não me convidou apenas para jantar; a taça de vinho que você bebeu também devia estar batizada. Eu tenho flashes de memória sobre isso. Claro, você se aproveitar da situação foi igualmente baixo. Você terá que pagar um preço à altura para me satisfazer!
Alice puxou a manta fina para cobrir seu corpo marcado. — Eu sei que você pretende expandir para o mercado europeu. Não quero muito: um terço daquele território.
Para Bernardo, aquilo foi como um trovão em céu aberto. Seu rosto nobre e malicioso foi instantaneamente coberto por uma camada de gelo:
— Alice Guimarães! Você está fazendo um negócio comigo?!
Essa mulher não teve uma crise histérica exigindo compromisso, nem demonstrou qualquer emoção a mais; ela estava apenas, de forma burocrática, negociando termos?
Ele estaria louco? Ele temeu que ela ficasse arrasada, criou mil motivos para consolá-la, convencê-la e estava decidido a cuidar dela pelo resto da vida.
Mas a reação dela... foi de uma frieza de congelar a alma.
Alice não tinha disposição para lidar com o colapso mental de Bernardo.
Usando o que restava de sua sanidade para conter as emoções explosivas, ela disse palavra por palavra:
— Quero ver o acordo de divisão de recursos na minha mesa, no máximo até amanhã cedo.
Dito isso, ela se levantou e foi para o banheiro.
Ao ver as pernas dela tremerem a ponto de quase cair no tapete, Bernardo pulou da cama por instinto para ampará-la.
Mas ela esquivou-se da mão dele e simplesmente entrou no banheiro.
Para ele, não houve mais nenhuma palavra, nem sequer uma emoção residual.
Era como se toda a paixão e o ardor da noite anterior tivessem sido apenas uma transação comercial gélida.
Bernardo passara metade da vida sendo arrogante e autoconfiante; jamais imaginaria que, na intimidade do quarto, seria ignorado a esse ponto.
Ele não conseguia aceitar aquilo.
...
Quando Alice saiu do banho, o homem já havia partido.
Ela suspirou de alívio. Após o que houve na noite anterior, ela não sabia como encarar Bernardo.
Pedir o divórcio agora seria prejuízo para ela e para os Guimarães.
Mas não se divorciar, agora que tinham tido contato carnal... como encarar tudo isso?
Felizmente, ela conhecia bem o seu lugar. Bernardo a "punira" antes, mas sempre com limites; a loucura de ontem certamente fora armação do Patriarca.
Ele tinha Isadora Matos no coração, não assumiria responsabilidade por ela.
E no coração dela, havia apenas a vingança, sua família e sua carreira; ela também não precisava que ele assumisse nada.
Sendo assim, ela podia, legitimamente, usar o
"incidente" de ontem como moeda de troca.
Conseguir os maiores benefícios para si e para os Guimarães era a sua última gota de dignidade.
Alice cobriu o rosto com as mãos, os ombros soluçando.
Após um longo tempo, ergueu os olhos e encarou seu reflexo marcado no espelho.
— Alice Guimarães, não chore! Finja que foi apenas uma mordida de um cachorro!
...
Rafael, ao saber que o amigo finalmente perdera a virgindade na noite anterior, quase caiu da cadeira de choque.
E logo em seguida, ao saber que Alice usara o ocorrido para negociar um acordo sem mudar a expressão, ele deu mais duas cambalhotas no chão.
— Cacete, essa ainda é a Alice Guimarães que eu conheço?
— Caramba, conseguir dormir com o homem mais bonito de São Paulo já deveria ser a maior sorte da vida dela, e ela ainda tem a audácia de impor condições!
— Bernardo, sua mulher é um fenômeno! Como eu não percebi antes que ela tinha tanta coragem!
— Mas... você aceitou, não aceitou?
Rafael observou cuidadosamente a expressão do amigo e percebeu que não havia nem sinal da satisfação ou alegria pós-coito; o semblante de Bernardo estava carregado de pura hostilidade.
Ele estava possesso de raiva?