Capítulo 43: Caindo nos braços do homem
Alice Guimarães, com sua mente cheia de monólogos internos, foi empurrada para uma situação sem saída.
Deveria ser ela a levar Bernardo para cumprimentar os convidados, mas acabou sendo Bernardo quem a defendeu dos brindes, elogiando-a e protegendo-a diante de todos, agindo como um perfeito marido apaixonado.
Ele dominou o papel perfeitamente.
Ela quase acreditou.
Ao ver Bernardo bajulando seus pais com poucas palavras, fazendo-os sorrir sem parar, Alice sentiu vontade de sumir.
Ela deveria ter proibido terminantemente que esse sujeito tivesse contato com sua família.
Na vida passada, ela foi enganada e destruída; nesta vida, ela faria de tudo para proteger seus entes queridos.
Não se sabia o que deu em Bernardo, mas ele deixou de lado seu orgulho arrogante e assumiu proativamente a postura de um genro atencioso para conversar com os pais dela.
O mundo enlouqueceu.
E esse homem também.
Ela aproveitou a oportunidade para arrastar Bernardo até uma sala de descanso e trancou a porta!
Bernardo vinha tomando remédios ultimamente, sentia-se tonto, e ainda bebera bastante naquela noite — misturando vinho e destilados. Agora, seu rosto pálido começava a corar, e até seus olhos negros, geralmente lúcidos e gélidos, estavam nublados por uma estranha suavidade.
Alice olhou para ele sentado exausto no sofá, e a fúria que pretendia soltar subitamente perdeu o rumo.
— Você está bêbado, vou te levar de volta.
— Sair antes do fim da festa?
— Meus pais estão lá, não tem problema. Além disso, eu também estou cansada, quero voltar logo para a Mansão do Horizonte e descansar.
Alice não quis perder tempo discutindo e ligou imediatamente para o motorista preparar o carro.
Do lado de fora, Henrique esmurrava a porta: — Alice querida, saia daí! Eu vi você entrando com o Bernardo Fontes, o que você está fazendo?
Bernardo ficou irritado ao ouvir a voz de Henrique.
Ele agarrou o braço de Alice com força: — Alice Guimarães, escolha um: eu ou ele!
Inúmeras linhas de frustração passaram pela testa de Alice.
O que esse traste está pensando?
Escolher?
— Me solte!
— Bernardo, solte a minha mão!
— Tudo bem, eu escolho você! Agora solte, que eu vou mandá-lo embora!
Alice não aguentou aquele olhar de acusação mortal do canalha.
Que seja, não valia a pena brigar com ele.
Afinal, ele salvara a vida dela e não usara truques para ajudar Isadora a prejudicá-la desta vez.
Ela era uma pessoa que distinguia bem as dívidas: as mágoas da vida passada seriam vingadas, mas o favor de agora seria retribuído.
Ao abrir a porta, Henrique também parecia meio embriagado.
— Alice querida, vocês já são um casal de fachada, o que têm para conversar? Não pense que eu não vi ele segurando a sua mão, esse cafajeste está se aproveitando de você!
— Você viu como ele estava bajulando seus pais? Ele deve estar possuído, ou então está planejando te dar um golpe. Se você acreditar nele, vai acabar perdendo até as calças!
— Alice, não amoleça o coração. O Bernardo Fontes é um empresário impiedoso, ele não entende nada de mulheres, e muito menos de você.
Aquelas palavras de Henrique...
Cada frase foi ouvida perfeitamente por Bernardo.
Alice ia começar a explicar, mas Bernardo surgiu atrás dela sem que percebesse. Ele ergueu o queixo dela com uma mão e, diante de Henrique, deu-lhe um beijo forçado e demorado.
Em seguida, olhou para Henrique com provocação: — Ela é minha esposa, legitimamente casada. Você cobiçar a minha mulher é uma declaração de guerra à família Fontes?
Alice não esperava que Bernardo a usasse como escudo apenas para inflar seu ego masculino.
— Já chega! — Alice o empurrou. — Se continuar com esse show, volte para casa sozinho!
Ela não tinha paciência para atuar com esse traste.
Henrique, pronto para o conflito, tentou puxar Alice...
Alice lançou um olhar gélido: — Henrique, escute bem: agora, imediatamente, suma de volta para a Mansão Yuri e só me procure quando estiver sóbrio!
Dito isso, ela pegou o celular e saiu a passos largos.
Bernardo e Henrique ficaram ali, com os olhos injetados, encarando-se.
Ninguém recuou.
Não muito longe dali, Vitória segurava uma taça e acabou derramando vinho no chão.
— Caramba, eu bebi demais. Acabei de ver o Bernardo Fontes bancando o "CEO possessivo"!
Beijo à força.
Declaração de posse.
Por que isso pareceu tão interessante de repente?
Espera, o Henrique vai partir para o soco?
Vitória entrou em pânico e correu para arrastar Henrique dali.
— Está cheio de seguranças do Bernardo por todo lado. Se você bater nele, vai dar a ele a chance de te colocar na cadeia por dois dias!
Vitória puxou Henrique, arrastando-o à força.
Bernardo esperou alguns minutos até que Alice voltasse com Zeca para ajudá-lo a sair.
...
Do outro lado.
Henrique estava sentado no carro de Vitória.
Ele sentiu o perfume familiar dela e deu um sorriso bobo.
— Alice querida, eu te procurei por tanto tempo, por que você foi casar?
Dito isso, ele encolheu os ombros como um cachorrinho e deitou a cabeça no colo de Vitória.
Vitória: ... Ela estava sendo... assediada por um bêbado?
Tentou empurrá-lo.
Mas, ao levantar a mão, viu uma lágrima escorrer pelo canto do olho do homem.
Ele... estava chorando.
Por que seu coração amoleceu do nada?
...
Alice não conseguia empurrar o canalha de cima de si, então aceitou ser seu travesseiro humano por enquanto.
Com muito esforço, chegaram à Mansão do Horizonte, e ele ainda teve a audácia de exigir que ela preparasse a água do banho?
Tudo bem, considerando que ele foi à festa mesmo doente, ela faria esse favor uma única vez.
Após preparar o banho, Bernardo abusou da sorte e pediu para Alice esfregar suas costas.
Alice riu com escárnio, jogou uma toalha nele e disse para ele se afogar na banheira.
Ela foi para o quarto de hóspedes, tomou banho e vestiu uma roupa confortável. Ao procurar o celular para responder mensagens, viu Bernardo — vestindo um pijama de seda preto — deslizando os dedos pela tela do aparelho dela.
— Bernardo Fontes, isso é violação de privacidade! É crime, sabia?
Bernardo olhou para ela de soslaio e, após um momento, um sorriso surgiu em seus olhos avermelhados:
— O Henrique... sua amiga o levou embora.
Vitória levou o Henrique?
Que levasse, mas por que esse traste parecia tão satisfeito?
Ela tomou o celular de volta, leu as notificações, respondeu às importantes e deixou o aparelho de lado.
— O que você está segurando aí...
Não era o pingente de sachê que o Henrique reformara para ela?
Aquele moleque dissera que, como as roupas e acessórios mudam todo dia, mas o celular nunca sai da mão, ele transformou o sachê em um pingente para que ela visse o presente dele (e lembrasse dele) todos os dias.
Ela achou meloso, mas difícil de recusar.
Afinal, ela gostava do sachê, e o pingente ficou bonitinho.
— Me devolva!
— Não devolvo.
— Bernardo?
— Não adianta nem me chamar de "marido".
Bernardo pegou o pingente, virou-se e foi para a cama grande.
Deitou-se e fechou os olhos.
— Você está bêbado. — Alice desistiu de recuperar o objeto por enquanto.
Ela se virou, pronta para dormir no sofá.
— Alice, por que você me odeia?
O homem deitado na cama chamou o nome dela.
Fez uma pergunta que ela jamais esperaria.
— Você está bêbado, descanse logo!
Alice virou-se, dando as costas para ele.
Momentos depois, ela ouviu os passos do homem. Imediatamente acuada, tentou levantar-se do sofá.
Antes de se firmar, caiu nos braços dele.
O hálito dele era familiar e quente.
O olhar dele era tão sedutor que fez o coração dela acelerar.
Mas ela sabia: ele não a amava, ele a detestava. Na vida passada, ele foi a faca que Isadora usou para matá-la!
Alice fechou os olhos e, ao abri-los novamente, restava apenas frieza.
— Bernardo Fontes, você já pensou em me matar?