Capítulo 40: Bernardo, você não pode me estuprar!
— Sabe o que dizem sobre "cada um com o seu igual"? — Alice sorriu com polidez e sarcasmo. — O Senhor Fontes e aquela pequena bastarda dos Matos... são o par perfeito.
Bernardo cerrou os punhos: — A-LI-CE!
Alice mordeu os lábios, o rosto pálido, mas a provocação em seus olhos continuava obstinada.
A mão erguida de Bernardo congelou no ar.
Ela detestava o seu toque! Essa percepção deixava Bernardo extremamente irritado!
Ao notar o sachê na cintura dela, Bernardo perguntou instintivamente o que o incomodava: — Você gosta do Henrique?
— Você quer que eu te traia?
A resposta de Alice quase fez Bernardo ter um infarto de fúria.
— Carregar consigo um sachê enviado por outro homem... Alice, você quer esfregar a minha cara no chão repetidamente? Você acha que eu tenho tanta paciência para te deixar fazer o que quiser?
Alice brincava com o sachê na cintura e disse de propósito: — O Henrique não é "outro". O laço entre nós é algo que certas pessoas jamais entenderiam. Eu aconselho essas certas pessoas a procurarem tratamento, em vez de ficarem o dia todo medindo os outros com seus pensamentos imundos.
— Ah!
O deboche de Alice resultou na fúria total do homem.
Talvez fosse a confiança e a proximidade natural de Alice com Henrique que o irritaram.
Ou talvez fossem aqueles lábios vermelhos se movendo, provocando-o sem parar, fazendo com que ele quisesse puni-la.
Fosse qual fosse o motivo.
Ele perdeu o controle.
O instinto territorial em seu sangue despertou.
Ele decidiu mostrar a essa mulher, através da ação, quem era o homem dela!
O beijo ardente foi incessante.
Alice tentou se esquivar com todas as forças, mas não conseguiu escapar do cerco furioso do homem.
As mãos dele pressionavam as costas dela com força; a invasão em sua boca fazia a garganta de Alice doer, como se um espinho tivesse entrado ali.
As imagens da vida passada, de quando era usada por ele como uma ferramenta de desabafo e humilhada repetidamente por Isadora Matos, até o momento de sua morte terrível...
Tudo isso afogou qualquer resquício do amor inicial que ela sentira por esse homem.
Incontáveis lembranças fervilhavam em sua mente.
Ela mordeu a língua dele.
Com força.
Os dentes cravaram na carne.
O gosto de sangue misturou-se ao beijo.
— Bernardo Fontes, você é um covarde.
A voz dela estava levemente rouca, carregada de uma mágoa e um desespero indescritíveis.
Bernardo estacou por alguns segundos.
Durante esse tempo, a rebeldia dela crescera de forma insana; ele nunca a vira assim, vulnerável. Toda vez que se enfrentavam, ela agia como uma herdeira orgulhosa e fria; agora, esse ar de fragilidade o fez hesitar.
— Se você tem necessidades, vá procurar a Isadora Matos. Quando foi que eu te impedi?
— Por que me trata assim? Está se vingando de mim?
Alice continuou a xingar, ganhando fôlego: — Você não tem nojo? Me toca e depois vai tocar a Isadora?
— Bernardo, EU tenho nojo! Não me toque com essas mãos que tocaram a Isadora, não me beije com essa boca!
As acusações e a resistência de Alice apagaram qualquer fagulha de compaixão ou hesitação em Bernardo.
Ela não o deixava tocar?
O achava sujo?
— Alice Guimarães, você pediu por isso, porra!
Bernardo, sempre tão controlado, finalmente explodiu em um palavrão.
No segundo seguinte, ele parou de se conter, tornando-se ainda mais agressivo.
O clima pesado e sensual dentro do carro ficava cada vez mais denso.
Alice, sem perceber quando, já estava sentada no colo de Bernardo. O celular caíra debaixo do banco de couro e vibrava sem parar.
As mãos alvas dela empurravam o peito do homem com força.
— Me solte... uhn.
O homem ergueu o queixo dela, encarando aquele rosto corado pelo desejo forçado; um brilho intenso passou pelo fundo de seus olhos profundos e sombrios.
A fera do desejo em seu corpo estava prestes a romper as grades.
— Está gostando? — ele perguntou com malícia.
A voz rouca acrescentava uma sedução diabólica.
A mente de Alice estava confusa, já não sabia se estava na vida passada ou após o renascimento.
— Ah...
Alice soltou um som de agonia.
O homem afastou o cabelo de seu pescoço...
Ele não bloqueou os lábios dela, porque queria ouvir os sons de sua resistência e desejo contido...
Para ele, aquilo era um estímulo, uma validação.
Diziam que ele se apaixonara por Alice?
Não.
Ele estava apenas cada vez mais interessado no corpo dela.
Como um homem normal, ele tinha necessidades.
No início, ele não tinha interesse nessas questões, mas agora...
Ele tinha interesse nela.
Ele queria ir além.
Queria transformar essa mulher em seu brinquedo na cama.
Mesmo que fosse para sempre.
— Eu me responsabilizarei.
Após reconhecer seus próprios desejos, Bernardo estava disposto a arcar com as consequências; a aliança de casamento não fora sua ideia original.
Mas era inegável que o corpo dela se encaixava ao dele.
Aquelas mulheres que tentavam subir em sua cama, ou que eram enviadas para ele, de todos os tipos, ele as vira, mas não conseguia tocá-las por puro asco.
Alice era a exceção.
Isso era bom; provava que ele não era doente, que sua dignidade masculina ainda estava lá.
Ao ouvir essas palavras, Alice empalideceu de horror!
Seu olhar era de exaustão e ódio; suas mãos agarraram as mãos do homem com força!
— Eu não quero! — Alice olhou fixamente nos olhos negros do homem e disse pausadamente: — Bernardo Fontes, você NÃO PODE me estuprar!
— Bernardo Fontes!
— Você não pode me estuprar!
O sangue fervente no corpo de Bernardo pareceu congelar instantaneamente.
Os olhos, que há pouco transbordavam desejo, foram cobertos por uma camada espessa de gelo.
E essa mulher o encarava sem hesitar.
A seriedade e a resistência em seus olhos eram de uma determinação resoluta que ele nunca vira antes.
Ela, mais uma vez, o acusava.
Estupro marital.
Violação.
Hahaha!
Esta era a sua esposa! A esposa que tanto desejara casar com ele!
Ele retirou o olhar profundo e disse friamente: — Pare o carro.
Alice não conseguia ver a expressão de Bernardo; apenas soube que, assim que o motorista parou, ele ajeitou as roupas e saiu do carro.
Ela olhou para o próprio estado.
Naqueles últimos dez minutos...
Aquele canalha!
Traste sem vergonha!
Como ele pôde fazer aquilo!
Pelo menos ele teve consciência e desceu do carro; se a tivesse expulsado, com aquele estado lamentável em plena luz do dia, ela certamente pararia nos tópicos mais lidos.
— Senhora, voltamos para a Mansão do Horizonte?
— Sim — Alice assentiu.
O motorista dos Fontes era profissional e não disse uma palavra durante todo o percurso; mesmo quando ela e Bernardo estavam naquela situação no banco de trás, ele teve a discrição de baixar a divisória.
Ao chegar na mansão, Alice entrou enrolada em uma manta.
Luana veio ao seu encontro: — Senhora, o que aconteceu?
— Sujei o vestido, vou subir para tomar um banho — disse Alice.
Luana olhou ao redor: — Onde está o patrão?
— Foi trabalhar — mentiu Alice.
— Ah.
Em uma vila não muito longe da Mansão do Horizonte, um homem entrou no banheiro em um estado de ansiedade e fúria.
A água fria não conseguia apagar seu desejo, mas as palavras dela podiam facilmente derrotar sua razão e provocar sua ira.
Se ele não tivesse saído, realmente não resistiria à vontade de esganá-la.
Dez minutos depois.
— Frustração sexual? — Rafael, que passara de médico particular a babá vinte e quatro horas, teve essa reação ao ver o estado do amigo.
Ele frequentava festas e baladas desde a maioridade; conhecia bem o comportamento anormal do amigo.
Ele arriscou a vida e gritou animado: — Se você não está aguentando a pressão, podemos arrumar uma garota limpa por aí. O mundo não tem só a Alice Guimarães de mulher, sabia?!