Capítulo 37: Ele não seria jogado na rua pela irmã para virar comida de cachorro?
— Embora eu tenha prometido não perseguir a Isadora por tentar me prejudicar, isso não significa que serei uma esposa de enfeite, permitindo que você me vigie ou me manipule.
Alice pisou com toda a força no pé de Bernardo.
— Vou te avisar pela última vez: não ouse mais me vigiar!
Dito isso, ela saiu correndo, ágil e radiante.
Bernardo sentiu uma dor aguda no peito do pé e uma irritação crescente no coração.
Rafael subiu ao terraço com os remédios, preparando-se para trocar o curativo do magnata.
— Cruzei com a Alice agora pouco. Vocês dois estavam num encontro romântico aqui em cima?
A palavra "encontro" fez Bernardo sentir vontade de socar alguém.
— Você contou a ela que ficou quarenta e oito horas sem dormir só para protegê-la?
Bernardo girou o corpo e sentou-se no parapeito.
Rafael aproximou-se: — Se a Alice soubesse que, para garantir o título dela, você não apenas avisou os velhos da associação para serem justos, mas também destruiu pessoalmente o sonho da Isadora, ela certamente ficaria emocionada a ponto de chorar e se entregar a você.
Lembrando do jeito arrogante de Alice, Bernardo bufou: — Ela jamais faria isso.
— Antes do acidente, você percebeu que algo estava errado e a seguiu secretamente, conseguindo salvá-la a tempo. Ela nem te agradeceu por isso?
— Agradeceu... verbalmente.
Rafael ficou perplexo.
— Ela acredita que foi a Isadora.
— A Isadora é covarde, não teria coragem de cometer um assassinato. Acho que há outra pessoa por trás disso. Você precisa investigar; não pode deixar a Alice culpar a Isadora injustamente.
As pessoas ao redor de Bernardo sempre foram extremamente tolerantes e mimosas com Isadora Matos.
— O Iago está investigando.
Após trocar o curativo, Rafael notou que Bernardo estava pálido e praguejou: — Vamos para o hospital.
— Não vou.
— Você...
— Tudo bem! Vou atrás da Alice e pedir para ela te levar!
Rafael virou-se para sair, achando que Bernardo o impediria... mas ele não o fez.
De repente, Henrique apareceu do nada e pegou Alice no colo, girando-a no ar.
— Alice querida, você foi incrível! Você é a campeã! Eu sabia que você conseguiria!
Aquele local não tinha câmeras nem jornalistas. Henrique, que vinha mantendo distância para evitar boatos, finalmente não aguentou.
Alice ficou tonta com o giro: — Me coloque no chão, seu moleque! Estou ficando tonta!
Por coincidência, Rafael flagrou a cena e, temendo estar vendo coisas, gravou um vídeo com o celular.
Alice cambaleou ao ser solta, e Henrique a amparou rapidamente: — Você está bem? Eu só me empolguei, não foi por mal. Alice, estou muito feliz por você! Você é sensacional!
Alice revirou os olhos: — E quem você achava que era o meu mestre? A propósito, onde ele está?
— O A-Bao? Ele foi embora. Antes de sair, me mandou cuidar bem de você para não deixar ninguém te maltratar. E mandou um recado: para você se divorciar logo daquele hipócrita do Bernardo, senão ele mesmo quebra as suas pernas.
Aquelas palavras eram típicas do velho.
Alice ficou curiosa: — O mestre tem algum rancor contra o Bernardo?
— O A-Bao realmente detesta o seu marido de fachada mais do que o normal. Agora, se é rancor... nunca ouvi falar.
Henrique tirou do bolso um sachê perfumado de seda roxa profunda e o amarrou com carinho na cintura de Alice: — Alice querida, este é o meu presente de campeã para você.
— Ora, ainda tem presente?
— A associação preparou prêmios, mas este eu fiz com minhas próprias mãos. O significado é diferente. Prometa que vai carregar sempre com você, ok?
Olhando nos olhos ardentes de Henrique, Alice não conseguiu recusar.
— Tudo bem.
— Preciso resolver umas burocracias do campeonato agora. Nos vemos à noite na festa de comemoração.
— Que festa?
— Seus pais enviaram convites para todo o círculo social. Vai ser no
Yue Long Men
. A protagonista não estava sabendo?
Alice: ... Ela realmente não sabia.
Ligou imediatamente para o pai por vídeo e descobriu que eles já haviam retornado ao país.
— Negócios não são mais importantes que minha filha querida. Você ganhou o campeonato, sua mãe e eu estamos radiantes e precisamos celebrar — disse Antônio.
Helena apareceu no vídeo fazendo um sinal de positivo: — Minha filha é um gênio, estreou e já levou o ouro. Tenho tanto orgulho de você.
— A linha
Memória
já é sua. Vou pensar em outro presente à altura do meu amor por você — o homem no vídeo parecia mergulhado em pensamentos, fazendo Alice rir.
— Obrigada, pai. Eu amo você e a mamãe.
— Nós também te amamos.
Helena acrescentou: — Querida, mandei fazer um vestido exclusivo para você. Logo vão entregar na Mansão do Horizonte, não esqueça de usar.
— Combinado.
Antônio hesitou: — E o...
— Eu e o Bernardo não vamos divorciar por enquanto. Ele estará presente à noite.
Antônio assentiu sorridente: — Ótimo então. Nos vemos à noite, querida!
Alice suspirou internamente.
Parecia que seus pais ainda não levavam a sério o pedido de divórcio; achavam que era apenas uma briga de casal. Que seja, ela ainda tinha um ano de contrato com Bernardo. Nesse tempo, encontraria um jeito de convencê-los, minimizando o sofrimento.
Afinal, aquele casamento fora um erro dela, que custou a honra dos pais e o status da família. Mesmo querendo a separação, precisava agir com responsabilidade.
Como a festa era organizada pelos Guimarães e ela era a estrela, a presença de Bernardo como marido era indispensável. Ela só temia que ele fizesse birra ou tentasse manipulá-la por causa da derrota de Isadora.
— Alô, quero falar com o Bernardo.
Eduardo levou um susto ao atender: — O Senhor Fontes não está no local da competição?
— O celular dele não atende. Por favor, contate-o. Ele deve me acompanhar na festa de hoje à noite. Vou te passar o endereço.
Eduardo prontamente aceitou a tarefa.
Alice mexeu no sachê em sua cintura e soltou um suspiro de alívio.
Na estrada para mudar o destino trágico da vida passada, ela estava progredindo bem.
— Senhorita! O Jovem Mestre se meteu em confusão!
Alice travou. Leo Guimarães?
Meia hora depois, Alice estava na delegacia de Matsu, deparando-se com um Leo todo machucado.
O jovem, de um metro e setenta, vestindo camiseta branca e jeans preto, tinha um rosto bonito e exalava uma aura de juventude e orgulho.
Ao ver Alice, seu orgulho sumiu instantaneamente. Como um cachorrinho de rua abandonado, ele correu choramingando para abraçá-la.
— Mana, bateram no seu irmão! Buáaa... você tem que me defender!
Alice era extremamente protetora. Ela estava brava por ele ter brigado, mas ao vê-lo naquele estado, sua fúria se voltou contra os agressores.
— Onde estão os sujeitos com quem você brigou?
— Estão todos presos. Mana, você não vai contar pro papai e pra mamãe, né?
— Agora você tem vergonha da briga?
Leo bagunçou o cabelo bagunçado e disse sem graça: — Eu não tive coragem de pedir para eles me pagarem a fiança, morrendo de medo do papai me dar uma surra de vara.
Enquanto Alice assinava os papéis da fiança, ouviu a voz de Isadora Matos vinda de outra sala.
— Não me importa quem ele seja! Hoje, mesmo que venha o Papa, ele terá que me pedir desculpas e me pagar uma indenização por danos morais!
A mão de Alice parou com a caneta no papel. — Em quem você bateu?
Leo encolheu o pescoço, sem coragem de falar.
Desde que a irmã casou com Bernardo, ela sempre tolerou Isadora, que vivia a provocando. Na época, ele não aguentou e humilhou Isadora no dia seguinte ao casamento, acabando de castigo pela própria irmã.
Se Alice soubesse que ele tinha deixado a cara de Isadora inchada como um porco, ele não seria jogado na rua por ela para virar comida de cachorro?
Alice repetiu: — EM QUEM você bateu?
Leo viu que não tinha saída e explicou com medo: — Mana, aquela mulher estava te xingando, dizendo que você só ganhou o campeonato porque se deitou com alguém. Eu perdi a cabeça e bati nela.
— Bateu foi pouco! Que pena que não a deixou inválida para ir direto para o hospital!
Leo: ... Minha irmã ficou louca? Ou trocaram a alma dela?