Capítulo 35: Eu estou carregando minha esposa, o Sr. Henrique tem algum problema com isso?
— Aquele era o Bernardo agorinha? A pessoa que ele estava carregando...
A assistente de Isadora Matos abriu a porta do camarim para sair e ela acabou vislumbrando as costas de Bernardo Fontes.
Uma mulher vestindo um Qipao lilás elegante estava sentada à sua frente. Ela curvou os lábios em um sorriso gélido: — A competição está prestes a começar e você ainda está pensando em homens?
— Não é isso, mestra. É que a senhora não sabe, a Alice Guimarães mudou. Ela é uma pessoa completamente diferente daquela mulher que fingia virtude; agora ela usa métodos cruéis, tem uma mente perversa e ainda está fazendo joguinhos de desdém com o Bernardo. Ele está quase caindo na rede dela.
— Se o Bernardo Fontes fosse fisgado tão facilmente por uma mulher, não seria chamado de "Rei do Inferno" da elite.
— Mas...
Lin Hua disse em tom grave: — Nesta competição, você só tem uma opção: o sucesso. O fracasso não é aceitável. Se a nossa empresa conseguirá abrir capital ou não, depende de você.
— Eu sei, mestra. Fique tranquila, eu me preparei por tantos anos, não vou perder.
Lin Hua batucou na mesa, com um tom de voz enigmático: — Informações recentes dizem que a Alice Guimarães começou a estudar perfumaria aos quatorze anos. O mestre dela...
— Não importa quem seja o mestre dela, ninguém se compara à senhora. Eu estudei com a senhora por sete anos, por acaso perderia para ela?
Isadora massageava o ego de Lin Hua enquanto retocava a maquiagem.
— O mestre dela é o meu colega de formação, Policarpo. Isadora, você não deve, de forma alguma, subestimar a sua oponente.
A mão de Isadora congelou no ar. Seus olhos se arregalaram em choque: — O Mestre Policarpo? Is-isso... como é possível? Mestra, a senhora está brincando comigo, não está?
— Eu já preparei dois planos. Vá e compita primeiro; se nada funcionar, eu mesma destruirei a Alice Guimarães.
Isadora viu a crueldade nos olhos de Lin Hua e sentiu um misto de pânico e medo no coração.
...
Um senhor vestindo um robe taoísta, exalando uma aura mística e divina, estava sentado no camarim de Alice. Henrique estava comportado como um gato, sem ousar dar um pio.
A porta foi aberta por fora.
Ambos olharam simultaneamente.
Bernardo entrou carregando Alice no colo. O rosto do idoso esfriou, enquanto Henrique gritou: — Bernardo Fontes, coloque a Alice no chão agora!
Bernardo lançou-lhe um olhar de soslaio: — Eu estou carregando minha esposa, o Sr. Henrique tem algum problema com isso?
Henrique sentiu uma pontada no coração ao ouvir a palavra "esposa".
Alice ignorou Henrique; seus olhos estavam totalmente focados no idoso: — Mestre?
Ela se debateu para descer dos braços de Bernardo.
— Seu velho ranzinza, finalmente resolveu vir me ver.
O senhor, que apesar da idade era charmoso e claramente fora um galã em sua juventude, olhou sombriamente para sua pequena discípula: — Que palhaçada é essa? Casou e não contou para este velho; quer se divorciar e também não me diz nada. Você quer o quê, subir aos céus?
A aura mística foi instantaneamente manchada por um vocabulário nada santo.
Alice mostrou a língua.
Na época em que insistiu em casar com Bernardo, o velho não concordou, mas como seus pais a mimavam, fecharam o acordo com o Patriarca Fontes.
No dia do casamento, o mestre ficou furioso e se recusou a ir.
Após o casamento, ele evitou contato e se recusou a vê-la.
Agora, seis meses depois, ela queria o divórcio; assim que soube da notícia, o velho mandou Henrique para servir de apoio para ela...
Alice realmente não entendia por que o mestre era tão contra o seu casamento com Bernardo.
Mas como ela e Bernardo já eram estranhos e iriam se separar cedo ou tarde, o velho agora estava satisfeito.
— Eu até queria subir aos céus, mas primeiro preciso ganhar este título. O Henrique disse que o senhor é um dos jurados, então trate de ser justo, viu? Não vá me dar nota zero só para implicar comigo.
Alice entrelaçou o braço no de Policarpo de forma bajuladora e riu: — Faz um ano que não nos vemos, o senhor está cada vez mais místico e elegante.
— Garota atrevida, só essa sua boca sabe como me enrolar.
Policarpo deu um tapinha na cabeça de Alice e, em seguida, vislumbrou Bernardo, desdenhando: — E aí? O garoto dos Fontes está esperando que eu me curve e preste homenagens?
Bernardo balançou a cabeça e disse educadamente: — Meu avô sempre menciona o Mestre Policarpo. Se o senhor tiver tempo, pode ir à Mansão Fontes para uma visita.
— Sua família é nobre demais, este velho aqui não está à altura. Já que você vai se divorciar da minha discípula, não enrole: assine logo os papéis.
Bernardo: ... "Mais um pedindo o divórcio?".
— Sinto muito, mas nosso casamento envolve muitos interesses, por enquanto...
— Mestre, eu mesma explico para o senhor. Não temos intimidade com ele, mande-o embora — Alice apressou-se em expulsar Bernardo antes que o velho perdesse a paciência.
— Falamos depois da competição — Alice sussurrou para Bernardo.
Bernardo bufou e saiu.
Ele pretendia investigar por que esse tal Mestre Policarpo nutria tamanha insatisfação por ele.
Henrique, querendo marcar presença, aproximou-se de Policarpo: — A-Bao, a Alice já vai começar a competir, não deveríamos voltar para a mesa dos jurados? Se virem a gente aqui, podem inventar boatos de que a Alice comprou os jurados para trapacear.
— Hoje em dia, se você não tem talento real, ninguém vai te dar bola mesmo que tente trapacear — disse o Mestre Policarpo com arrogância. — Se houver qualquer fraude neste Campeonato Nacional, será uma vergonha para o nosso país. Você, como presidente da associação, trate de mostrar autoridade hoje!
— Fique tranquilo, A-Bao! Garanto que não darei chance para certas pessoas trapacearem!
Alice encontrou uma desculpa para mandar Henrique sair.
— Mestre, a Lin Hua também veio — Alice disse baixinho.
Policarpo lançou-lhe um olhar enigmático: — O quê? Você tem medo dela?
— Ela não tem boas intenções comigo — Alice lembrou-se dos eventos trágicos da vida passada; sentia que Lin Hua estava ligada a eles, embora não pudesse provar. Ao menos por enquanto, Lin Hua não dera um passo em falso.
— A Lin Hua pode estar em conluio com alguém para engolir a linha
Memória
e criar o maior grupo de perfumaria do país. Sendo eu a dona da
Memória
, é óbvio que ela me vê como inimiga.
Alice pensou bem e decidiu que esse era o melhor argumento para fazer Policarpo levar Lin Hua a sério.
— A linha
Memória
foi o presente que eu te dei. Se ela quer tocá-la, está sonhando acordada!
— Então o senhor...
— Deixe comigo.
Alice ficou aliviada.
Se o mestre ficasse de olho em Lin Hua, e Lin Hua temesse o poder e os recursos dele, ela não seria tão agressiva.
Bastava dar a Alice tempo suficiente para resolver os problemas internos da empresa que Lin Hua, usando as palavras do mestre, "poderia tirar o cavalinho da chuva".
As regras eram simples: cada um prepararia uma fragrância ao vivo e sete jurados dariam as notas.
Antes de começar, Alice recebeu uma mensagem de Vitória.
Havia sedativo no suco.
Alice riu friamente; que truque medíocre. Alguém ali realmente não tinha cérebro.
— Inimigos declarados são fáceis de evitar, mas cuidado com os ataques pelas costas, amiga! — avisou Vitória.
— Fique tranquila. Vou começar agora, fique de olho no pessoal da Lin Hua para mim.
— Pode deixar.
A fragrância que Alice preparou hoje era a
Sonho da Vida Fugaz
, que ela testara dezessete vezes em seu laboratório.
Essa essência tinha uma base similar à
Jasmim Flutuante
de Henrique, mas com melhorias significativas.
Vida Fugaz
.
Essa era a história de seu mestre, Policarpo, com uma certa mulher. Uma história que terminou com Policarpo vestindo o robe taoísta.
...
— Impossível! Como a Alice Guimarães pode ter vencido com nota máxima! Já houve cinco edições deste campeonato e ninguém jamais conseguiu a pontuação máxima. Ela com certeza trapaceou!
Diante dos jornalistas, Isadora Matos gritava histericamente, em um misto de revolta, negação e frustração.