"Quando ele me pediu para trocar de identidade, eu quis recusar. Mas eu sentia tanto a sua falta. Nem que fosse por apenas sete dias, nem que fosse apenas como o substituto dele, eu aceitei."
Olhei para ele, com o coração doendo de amargura.
"Seu bobo", eu o repreendi, enquanto as lágrimas corriam ainda mais. "Você acha que eu gostava do Bernardo?"
Breno ficou atônito: "Como assim?"
"Eu nem tinha visto o rosto dele direito, só vi a foto enviada pelo centro de compatibilidade." Toquei seu peito, sentindo a batida forte ali. "A pessoa na foto era você. Eu achei que estava me casando com você."
Breno arregalou os olhos, sua respiração tornou-se pesada e ele parecia não acreditar no que ouvia.
"Alice, diga isso de novo." Ele cerrou os dentes, com a voz assustadoramente rouca, como se contivesse uma fera prestes a explodir.
"Eu disse que a pessoa que eu amo, desde sempre, é o R9." Olhei nos olhos dele, pronunciando cada palavra com clareza absoluta.
Assim que terminei, Breno baixou a cabeça bruscamente e me beijou com ferocidade.
Aquele beijo carregava o desejo louco reprimido por um ano inteiro, quase me devorando. Ele invadiu meus sentidos sem deixar qualquer rota de fuga.
Sua cauda envolveu minha cintura com firmeza, e o calor de seu corpo atravessava o tecido, deixando-me sem forças.
"Alice, foi você quem me provocou." Ele sussurrou no meu ouvido, com uma voz grave e sedutora. "Eu não vou mais te soltar. Mesmo que meu irmão me mate, eu não te solto."
O trovão rugia do lado de fora, mas no meu mundo só restava o som do coração dele.
No auge da paixão, ele subitamente mordeu minha clavícula.
As presas afiadas perfuraram a pele, injetando sua energia mental.
Era a marca mais primitiva e dominante de um shifter.
A marca rosa pálida deixada por Bernardo foi instantaneamente coberta e consumida pela marca vermelho-profunda de Breno.
Arfei de dor, mas não pude deixar de sorrir.
"R9, você é um cachorro? Que mordida forte."
Ele lambeu o rastro de sangue no canto da boca, com um olhar perigosamente charmoso e astuto.
"Alice, lembre-se: agora você é minha. Ninguém vai te tirar de mim."
Capítulo 12
Na manhã seguinte, a chuva passou e o sol brilhou entre as frestas da cortina.
Eu estava recostada no peito de Breno, brincando com suas orelhas peludas. Elas eram sensíveis e tremiam ao meu toque.
Ele apertava os olhos de satisfação, enquanto sua cauda batia levemente nos lençóis.
Nesse momento, a porta da frente foi escancarada com um estrondo violento.
"Alice!"
Com um grito lancinante, Bernardo entrou no quarto, ensopado e em um estado deplorável.
Claramente ele tinha corrido sob a tempestade a noite toda; seus sapatos estavam cobertos de lama e o cabelo grudado na testa.
Quando viu a cena na cama, ele ficou paralisado, como se tivesse sido atingido por um raio.
Breno rapidamente puxou o cobertor para me cobrir e sentou-se, com o peito nu, encarando o próprio irmão com frieza.
O olhar de Bernardo caiu sobre minha clavícula exposta.
Ali estava a marca vermelho-viva pertencente a Breno.
"Vocês..." A voz de Bernardo tremia descontroladamente, seus olhos estavam injetados de sangue e suas mãos vacilavam. "O que vocês estão fazendo?!"
Olhei para ele com calma, sem qualquer pânico ou hesitação.
"Exatamente o que você está vendo", respondi secamente.
Bernardo caiu de joelhos diante da cama, as lágrimas caindo pesadamente no chão.
"Alice, perdão... eu errei." Ele chorava como uma criança que perdeu seu brinquedo favorito, sem dignidade alguma. "A Luna me contou tudo. Foi você quem me salvou naquela época. Foi você quem sacrificou seu poder mental por mim. Eu fui cego, eu fui um canalha! Me perdoa, por favor? Vamos recomeçar, eu vou te tratar em dobro melhor de agora em diante..."
Ele tentou me tocar, mas Breno afastou a mão dele bruscamente.
"Irmão, não toque nela." O olhar de Breno era frio como gelo, colocando-se como um escudo diante de mim. "Ela agora é minha companheira."
"Cale a boca!" Bernardo rugiu para Breno, com os olhos em fúria. "Eu sou seu irmão! Como você ousa tocar na sua cunhada? Seu animal!"
"Foi você quem a entregou para mim!" Breno rugiu de volta, com uma autoridade esmagadora. "Foi você quem me implorou para fingir ser você, foi você quem a deixou em casa para ir atrás de outra mulher! Que direito você tem de gritar agora? Você acha que merece ser o companheiro dela?"
Bernardo ficou sem palavras, voltando-se para mim com um olhar suplicante.
"Alice, você está se vingando, não é? Você ficou brava porque fui ver a Luna e está fazendo isso para me provocar. Eu juro, nunca mais vou vê-la, eu só amo você. Remova a marca dele, e vamos viver bem, pode ser?"
Olhando para ele naquele estado de pranto, não senti nada além de achar a situação ridícula.
"Bernardo, você ainda não entendeu?" Suspirei. "Eu nunca amei você."
Bernardo estacou, olhando para mim como se eu falasse outra língua.
"Eu aceitei a união porque achei que o homem da foto era o R9, ou seja, o Breno." Declarei os fatos com calma, cada palavra atingindo-o como um golpe. "No dia do casamento, você ficou decepcionado ao me ver. Eu senti o mesmo. Porque eu sabia que você não era ele. Seu olhar, seu coração... nada estava certo."
"Durante este ano, você me usou como substituta da Luna e me tratou com frieza. Na verdade, para mim, você também era apenas o substituto do Breno."
"Nenhum de nós pode cobrar nada do outro."
O rosto de Bernardo empalideceu instantaneamente, como se todo o sangue tivesse sido drenado.
O palhaço da história era ele mesmo.
Ele achava que estava sendo bondoso ao se casar com uma mulher que não amava, quando, na verdade, ela nunca o quis.
Achava que tinha perdido sua salvadora, quando ele mesmo a entregou nos braços do irmão.
"Não... não pode ser verdade..." Bernardo cobriu a cabeça, soltando um urro de desespero.
De repente, ele ergueu o rosto com um olhar maníaco e distorcido.
"Você é minha! Você assinou o registro comigo, você é minha companheira! Ninguém vai te levar!"
Ele explodiu seu poderoso poder mental de lobo branco, tentando me levar à força.
Breno cerrou o olhar, pronto para intervir.
Porém, toquei suavemente a mão de Breno.
No segundo seguinte, uma energia mental dez vezes mais forte que a de Bernardo emanou de mim, atingindo-o como se uma montanha desabasse sobre ele.
Bernardo soltou um gemido abafado, sendo prensado contra o chão, incapaz de se mover.
Ele me olhou aterrorizado: "Seu poder... não tinha sido destruído?"
Olhei-o de cima, com um sorriso de escárnio.
"Quem te disse que eu fui destruída? Salvar você custou muito esforço, mas eu sou nível SS. Depois de alguns anos de descanso, eu já recuperei tudo."
"Eu apenas não queria lidar com você e escondi minha força. Você realmente achou que, com esse seu nível A medíocre, conseguiria me marcar?"
Bernardo entrou em desespero absoluto. Estava caído no chão como um cão abandonado.
Breno olhou para ele friamente: "Irmão, aceite a derrota. Neste mundo, não existe divórcio, apenas a viuvez."
"Se não quiser que eu carregue a culpa de matar meu próprio irmão, peça transferência para a fronteira imediatamente. E nunca mais volte."
Capítulo 13
Uma semana depois, Bernardo solicitou voluntariamente ao exército sua transferência para a fronteira interestelar mais perigosa.
Lá, os conflitos eram constantes, e quem ia tinha poucas chances de retornar. Nas leis do mundo shifter, isso equivalia a uma viuvez de fato.
Antes de partir, ele veio me ver uma última vez.
Ele estava muito mais magro, com os olhos vazios, sem nenhum traço daquela imponência que o lobo branco costumava ostentar.
"Alice, seja feliz." Ele soltou essas palavras secas e virou-se para entrar na nave.
Eu não disse nada, apenas observei em silêncio a nave decolar e desaparecer no horizonte.
Na verdade, eu não o odiava. Se não tivesse passado por tudo isso, como eu teria reencontrado o meu R9?
Um ano depois.
Eu estava sentada no balanço do jardim, aproveitando o sol e comendo morangos.
Breno, usando um avental rosa, saiu de casa carregando um prato de uvas recém-lavadas.
"Querida, abre a boca." Ele descascou uma uva e a levou aos meus lábios.
Eu a mordi de uma vez, dando também uma mordidinha de leve na ponta do dedo dele.
Ele arfou, e seu olhar tornou-se instantaneamente profundo.
Aquela grande cauda branca prateada atrás dele começou a balançar descontroladamente, roçando na minha panturrilha e me fazendo cócegas.
"Alice, você está me provocando de novo", ele ameaçou baixinho, com a voz extremamente rouca.
Eu sorri e enlacei seu pescoço: "O que foi? Não gostou, cachorrinho R9?"
Ele suspirou, rendido, e baixou a cabeça para me beijar.
"Eu me rendo. Vou passar a vida inteira preso nas suas mãos."
O sol estava perfeito e a brisa suave.
Todos os desencontros e arrependimentos do passado finalmente encontraram, neste momento, o seu desfecho mais perfeito.
Sem "ir levando", sem substitutos.
Apenas ele, e o bater do seu coração.
FIM