Seu coração batia tão rápido quanto um tambor, tum-tum-tum, martelando contra meu tímpano até deixá-lo dormente.
Fechei os olhos, ouvindo aquele batimento familiar; por um momento, senti como se estivesse de volta àquele depósito abafado.
"Querido, seu coração está tão acelerado."
Ergui a cabeça, encarando-o fixamente com um olhar investigativo.
Breno desviou o olhar apressadamente, o pomo de Adão subindo e descendo: "Deve ser porque aquela cena foi muito repentina, levei um susto."
Não disse nada, apenas continuei encostada silenciosamente em seu peito.
Ele hesitou por um longo tempo, mas, no fim, não me afastou.
Uma mão grande e quente pousou suavemente nas minhas costas, dando tapinhas rítmicos.
Exatamente como ele fazia para me acalmar durante meus ataques de pânico anos atrás, com uma ternura inacreditável.
Enquanto isso, do outro lado, os dias de Bernardo não estavam sendo tão fáceis.
Usando a identidade de Breno, ele bateu à porta da minha irmã, Luna.
Luna usava um robe de seda vermelha e estava encostada preguiçosamente no batente da porta, segurando uma taça de vinho tinto enquanto o avaliava de cima a baixo.
"Então você é o novo companheiro que o centro de compatibilidade me designou? Breno?"
Luna ergueu a sobrancelha, com um tom de voz divertido.
Bernardo, olhando para aquele rosto radiante com o qual sonhava dia e noite, ficou tão emocionado que sua voz tremia: "Sim, sou eu."
Luna soltou uma risadinha e deu um passo para o lado para deixá-lo entrar.
Bernardo pensou que finalmente poderia conviver com a mulher amada e estava cheio de planos para agradá-la.
Mas ele esqueceu que Luna era uma shifter de elite com poder mental nível S, além de ser famosa no exército pelo seu temperamento explosivo.
Ela era perspicaz como um radar; como seria possível não reconhecer quem estava diante dela?
Na primeira noite, Bernardo se voluntariou para cozinhar.
Ele preparou uma mesa cheia dos pratos favoritos de Luna.
Luna sentou-se à mesa, provou uma costelinha agridoce e olhou para ele com um sorriso enigmático.
"Cozinha bem, hein? Tão bem quanto o seu irmão. Até a proporção de açúcar é exatamente a mesma."
O coração de Bernardo deu um salto. Ele sorriu sem jeito: "É mesmo? Nós crescemos juntos, nossos gostos são parecidos."
Luna largou os hashis e aproximou-se dele subitamente. Seu olhar era afiado como uma lâmina, parecendo atravessar sua alma.
"Bernardo, você acha que só porque fiquei viúva, meu cérebro parou de funcionar?"
O sorriso no rosto de Bernardo congelou instantaneamente. Suor frio escorreu por sua testa: "O que... o que você está dizendo? Cunhada, você deve estar me confundindo."
Luna deu uma risada gelada, pegou a taça de vinho sobre a mesa e jogou o conteúdo sem piedade no rosto de Bernardo.
O líquido vermelho escorreu pelos cabelos dele, deixando-o em um estado deplorável.
"Pare de fingir!" Luna bateu na mesa com força, fazendo os pratos chacoalharem. "Sua cauda sempre pende para a esquerda quando você fica tenso. A cauda do Breno nunca faz isso. E esse cheiro de incenso de abeto impregnado no seu corpo... realmente achou que eu não sentiria só porque trocou de roupa?"
Bernardo empalideceu e levantou-se de um salto, abandonando o disfarce: "Luna, eu..."
"Cale a boca!" Luna o interrompeu bruscamente. "Quem te deu permissão para me chamar de Luna? Você me dá nojo!"
Bernardo estava com os olhos vermelhos e a voz embargada de ressentimento: "Luna, eu só queria te ver. Se eu não tivesse confundido as pessoas no começo, nós seríamos um casal. Você me salvou, mas eu acabei me casando com aquela sem graça da Alice. Todos os dias eu olhava para aquele rosto igual ao seu, mas só conseguia pensar em você..."
Luna ficou atônita por um momento, e então explodiu em uma gargalhada inacreditável.
Ela riu tanto que as lágrimas quase saltaram; seu dedo apontado para Bernardo tremia.
"Te salvei? Você acha que quem te salvou naquela montanha fui eu?"
Bernardo estacou, completamente confuso: "Não foi? Quando acordei, só você estava lá. E seu poder mental é nível S, só você poderia ter suprimido aquela fera furiosa naquela situação..."
Luna parou de rir e olhou para Bernardo como se olhasse para o maior idiota do mundo, mas com um traço de profunda tristeza.
"Bernardo, você é realmente cego e estúpido."
Ela se levantou, olhando-o de cima para baixo.
"Quando eu cheguei, aquela fera de nível A já tinha sido despedaçada. Quem te salvou não fui eu, foi a Alice!"
"Impossível!" Bernardo contestou, balançando a cabeça freneticamente.
"O nível de poder mental da Alice é apenas D, ela não consegue vencer nem um animal comum, como poderia matar uma fera de nível A? Você está mentindo!"
"Mentindo? Eu perderia meu tempo mentindo para um idiota como você?"
Luna disse entre dentes.
"O poder mental dela costumava ser nível SS! Ela era a shifter mais talentosa da família Silva em cem anos! Para salvar um ingrato como você, que teve os órgãos perfurados, ela queimou à força sua própria fonte de energia mental. Ela usou uma pressão absoluta para esmagar a fera e garantir que você continuasse vivo! Por causa disso, o poder dela secou, despencou para o fundo do poço e ela se tornou uma 'inválida' na boca dos outros."
"Quando cheguei, ela estava caída na lama, coberta de sangue, ainda segurando firme um pedaço rasgado da sua roupa!"
Bernardo sentiu como se tivesse sido atingido por um raio.
Ele caiu sentado na cadeira, tremendo sem parar.
Sua mente ficou em branco e seus ouvidos zumbiam.
"Não... isso não é verdade... Por que ela não me contou?"
"De que adiantaria te contar?" Luna disse friamente, com o olhar cheio de desprezo.
"Assim que acordou, você agarrou minha mão chamando-me de salvadora e, logo depois, enviou o pedido ao centro de compatibilidade. E a boba da Alice, quando viu a foto e achou que era seu irmão, aceitou sem pensar duas vezes. Toda essa bagunça de vocês me dá nojo!"
Bernardo cobriu o rosto, soluçando de dor enquanto as lágrimas escorriam por entre seus dedos.
Ele finalmente entendeu o quão terrivelmente estava errado.
Ele tratou sua verdadeira salvadora como uma substituta, submetendo-a a uma indiferença cruel por um ano inteiro.
Ele chegou a zombar do baixo poder mental dela na frente de amigos, dizendo que casar com ela era apenas "ir levando".
Ele achava que estava sendo condescendente ao aceitar o casamento, quando na verdade ele era o palhaço sendo enganado o tempo todo.
"Saia daqui." Luna apontou para a porta, expulsando-o sem piedade. "Não suje o meu tapete."
Bernardo saiu tropeçando e correu como um louco em direção a casa.
Ele precisava encontrar Alice, precisava explicar tudo, precisava implorar por perdão.
Capítulo 11
Enquanto isso, eu enfrentava uma crise inesperada.
Lá fora, uma tempestade desabava; o vento fustigava as janelas com gotas de chuva, entre relâmpagos e trovões.
Sempre tive pavor de trovões.
Cada estrondo me trazia de volta àquela tarde trancada no depósito.
Escuridão, asfixia, desespero.
Encolhi-me no canto do sofá, tremendo e arquejando. O ar ao redor parecia ter acabado; senti que ia sufocar.
A sensação de um ataque de pânico me atingiu novamente.
Breno, que estava na cozinha lavando a louça, correu ao ouvir o barulho.
Ao me ver naquele estado, o prato em sua mão caiu e se estilhaçou no chão. Ele entrou em pânico total, esquecendo-se de qualquer disfarce.
"Alice! Alice, o que foi?"
Ele se ajoelhou diante do sofá e me puxou para seus braços.
"Respire! Alice, olhe para mim, siga o ritmo da minha respiração!"
Ele pegou minha mão e a pressionou contra seu peito firme.
"Ouça meu coração, devagar, inspire... expire..."
Aquela voz familiar, aquele gesto conhecido, aquele tom levemente audaz, mas infinitamente firme.
Abri os olhos, coberta de suor frio, e vi, através da visão embaçada, aquele rosto ansioso.
Naqueles olhos escuros, não havia a indiferença de Bernardo, mas sim uma dor e um pânico profundos por mim.
"R9..." chamei o nome dele num sussurro quase inaudível.
Breno estremeceu, olhando-me fixamente enquanto suas pupilas se contraíam bruscamente.
"Você não morreu..." Minhas lágrimas finalmente transbordaram. Agarrei o colarinho dele com tanta força que meus dedos ficaram pálidos. "Seu grande mentiroso, você disse que quem mentisse era um cachorrinho!"
Os olhos de Breno ficaram vermelhos instantaneamente, e uma lágrima quente caiu sobre meu rosto.
Ele me abraçou com tanta força que parecia querer me fundir ao seu próprio corpo.
"Perdão, perdão..." Ele escondeu o rosto no meu pescoço, com a voz embargada como um cão de grande porte injustiçado. "Eu não morri, a família Silva me encontrou. Mas quando me recuperei, passei nos testes militares e consegui minha patente para te procurar, você já tinha se casado com meu irmão."
Ele ergueu a cabeça, segurando meu rosto, e secou minhas lágrimas com o polegar áspero.
"Alice, você sabe como foi meu último ano?"
Ele sorriu amargamente, com os olhos cheios de um brilho partido.
"Eu via você obedecendo meu irmão em tudo, via você ser ignorada por ele, via o brilho nos seus olhos se apagar aos poucos... eu estava enlouquecendo. Mas eu não podia te roubar, porque você era minha cunhada. Tive que me esconder nas sombras, como um rato no esgoto, te vigiando secretamente."