Capítulo 32: Ele surgiu sobre nuvens coloridas e salvou a vida dela!
Um dia antes da competição, Alice encerrou o expediente cedo, planejando voltar para a Mansão do Horizonte, tomar um banho e descansar para recuperar as energias para o Campeonato de Perfumaria de amanhã.
A divulgação do evento fora impecável e, com o investimento do império Fontes, tornou-se um acontecimento de relevância mundial.
Muitos dos convidados eram magnatas de diversos setores e mestres perfumistas que haviam se aposentado há anos.
Vencer esta competição significaria atrair talentos da área sob o título de campeã, além de receber propostas das empresas de fragrâncias mais famosas do mundo.
A linha
Memória
se tornaria o grupo de perfumaria mais forte do país.
Bastaria colaborar com as empresas que ela já selecionara para que o rombo financeiro fosse preenchido, e a crise que Isadora Matos usou na vida passada se tornaria a arma para o contra-ataque de Alice.
Para este campeonato, Alice mantinha cada nervo de seu cérebro sob tensão.
Salvar a linha de perfumes e, consequentemente, resolver a grande crise dos Guimarães dependia deste momento.
As memórias de como foi morta por Isadora na vida anterior, e de como seus entes queridos foram esmagados e jogados no inferno, ecoavam incessantemente em sua mente.
Alice não percebeu que, atrás de seu carro, um sedan preto sem placa a seguia.
No viaduto, o sedan subitamente avançou de forma suicida, tentando capotar o carro de Alice.
Alice reagiu a tempo, desviando do impacto fatal, mas uma das rodas sofreu um golpe severo; o volante travou e o capô colidiu violentamente contra a mureta de proteção.
A luz ofuscante iluminava o rosto pálido de Alice que, com calma e racionalidade, abriu a porta e saltou do veículo.
O sedan preto, como um raio, atingiu o carro dela, e ambos atravessaram a mureta, despencando do viaduto.
Carros destruídos, mortes instantâneas.
O olhar de Alice estava tomado por um medo paralisante.
A morte, pela primeira vez desde que renascera, aproximara-se dela de forma tão direta.
Ela nem sequer teve tempo de processar quem queria sua vida, pois uma motocicleta, com um ronco ensurdecedor que fazia os ouvidos sangrarem, vinha em sua direção em alta velocidade.
A menos que ela saltasse do viaduto, sua morte era certa.
VRUM—!!!
O estrondo ensurdecedor estilhaçou o silêncio ao redor.
Um Cayenne preto surgiu a uma velocidade insana, interceptando a moto que estava prestes a atropelá-la.
As pernas de Alice fraquejaram e ela desabou no chão.
A motocicleta foi destruída no ato; o homem que queria matá-la usava capacete e estava bem protegido, mas caiu gravemente ferido.
No Cayenne, uma silhueta imponente correu em direção a ela sob a luz ofuscante dos faróis.
Ao ser envolvida pelo abraço rígido e impregnado com o perfume de cedro gélido do homem, Alice ainda estava em estado de choque e pavor.
Ela inalou aquele aroma único e familiar.
O frio gélido em seu corpo foi gradualmente inundado por uma sensação chamada segurança; restou apenas a paz.
Quando criança, ela fantasiava que um dia seu amado viria buscá-la vestindo uma armadura dourada e cavalgando nuvens coloridas.
Na vida passada, ela se casou com seu amado, mas morreu nas mãos da "amada" dele.
Ela acertou o começo, mas errou o final.
E agora, a cena da aparição dele parecia sobrepor-se aos seus sonhos da vida anterior.
Ela estava confusa: seria ele o seu amado ou o próprio Juiz do Inferno destinado a atormentá-la?
Alice ergueu o rosto, conteve as emoções e olhou para o homem com um olhar sombrio e confuso: — O que você está fazendo aqui?
Bernardo, abraçando Alice, sentia-se tão desestruturado que quase perdeu o controle.
Ao ver aquela moto avançar contra ela, seu coração parou de bater.
Foi naquele instante que ele entendeu o significado de "aterrorizante" e "dor lancinante".
Felizmente, ele a salvara.
— Bernardo Fontes, por que você está aqui?
A voz da mulher em seus braços era fria o suficiente para causar calafrios.
O olhar que ela lançava para ele estava repleto de uma suspeita indisfarçável.
— Você suspeita que eu tentei te matar? — Ele se irritou e não conteve o questionamento.
O peito de Alice apertou por um segundo.
Ela não pensou exatamente isso.
Mas...
Ela realmente queria saber a verdade agora.
— Então me diga: por que você chegou tão na hora certa?
Bernardo respirou fundo: — Se eu quisesse te matar, não me faltariam oportunidades. Alice, não pense que as pessoas são tão perversas, nem se ache tão importante assim.
Alice o empurrou com força.
Seu rosto e braços tinham ferimentos da queda ao saltar do carro.
Ao recuar, sua perna direita travou visivelmente por um instante.
Ao notar isso, Bernardo praguejou baixinho e, ignorando os protestos dela, pegou-a no colo.
— Bernardo, me solte!
— Não tenho interesse em mulheres feridas. É melhor não se mexer, ou não vou resistir à vontade de te jogar daqui de cima.
Dito isso, Bernardo a retirou do local com arrogância.
Eduardo logo chamou a polícia e chegou com as autoridades para isolar a cena do acidente.
Como Alice era a vítima e parte envolvida, precisava ir à delegacia depor e reconstituir os fatos; Bernardo a acompanhou.
Rafael foi chamado à delegacia.
— Cacete! Bernardo, você está bem?
Ele estava segurando a Alice nos braços?!
Desinteresse por mulheres e abstinência eram os sinônimos de Bernardo; ele teria sido possuído por um espírito?
Alice viu Rafael com o cabelo bagunçado e ironizou: — De dia, o médico elegante e bonito; à noite, o vira-lata bagunçado e libertino?
— ... Você ainda é a Alice Guimarães que eu conheço? Lembro que, quando você rastejava atrás do Bernardo, era bem educada comigo; até ganhei presente de aniversário seu.
Alice: — Perdoe minha imaturidade juvenil. Agora a água do meu cérebro secou e não cometerei mais burrices. A propósito, lembre-se de me devolver o relógio de edição limitada que te dei ano passado.
Um relógio de oito milhões de reais.
Os comparsas de Bernardo não o mereciam.
Rafael ficou com tanta raiva que sentiu a cabeça fumegar!
Bernardo pigarreou: — Parou de doer?
O rosto de Alice empalideceu. Doía; sua canela fora cortada e seus braços tinham escoriações de vários níveis. Embora Bernardo tivesse usado o antisséptico da delegacia para tratá-la, ainda doía para caramba.
Rafael debochou: — Não é à toa que o Bernardo insistiu para eu trazer analgésicos. Uma mulher desse tamanho com medo de dor, que vergonha.
Mas, verdade seja dita, ele gostava dessa Alice de língua afiada.
A Alice submissa e "perfeita" de antes parecia um robô; não admira que Bernardo não gostasse.
— Bernardo, coloque ela no chão primeiro para eu tratar esses ferimentos.
— Não me olhe assim. Como vou trabalhar se você a segura desse jeito?
— Eu sou médico, e para um médico não existe homem ou mulher, entendeu? Entendeu? Entendeu?
Diante de Alice, Rafael sabia exatamente como provocar o amigo.
Rafael era esperto; ao ver que o patrão, mesmo na delegacia, ignorava sua imagem nobre e gélida para manter Alice nos braços, ficou claro que ele sentia algo.
A mulher de Bernardo deveria ser tratada como uma divindade.
Assim, Rafael usou toda a paciência e doçura que reservava para crianças no hospital para tratar cada ferimento visível de Alice.
Depois, entregou os remédios a Bernardo, instruindo-o sobre quando e como trocar os curativos.
Achando que Alice não ouvia, sussurrou maliciosamente para o amigo: — Na hora de trocar os curativos, o contato físico é inevitável. Não se contenha, pode aproveitar como quiser.
Alice lançou um olhar gélido para aquele sujeito detestável.
Realmente não entendia como as enfermeiras e pacientes do hospital eram enganadas por ele, a ponto de chamá-lo de "flor intocável da medicina".
Eca.
— Veja só o olhar que a sua mulher te lança. Ela deve estar transbordando gratidão por você ter salvado a vida dela, pronta para se entregar como recompensa.
Alice: ... "Canalha, eu estou ouvindo!".
Bernardo mandou ele sumir.
Rafael obedeceu e saiu rapidinho.
O delegado chefe assumiu pessoalmente o caso do acidente.
Envolvendo Bernardo Fontes e sua esposa, as autoridades deram prioridade total.
Tentativa de homicídio.
Duas mortes e dois feridos.
Bernardo disse a Alice que levaria tempo para descobrir quem estava por trás do ataque.
Ele achou que Alice continuaria suspeitando dele, mas a mulher respondeu com um tom de total indiferença:
— Fazer o quê? Eu sou talentosa demais, sempre haverá muita gente querendo me matar. Mas a última pessoa que tentou isso já está na cadeia pagando pelos seus crimes; acredito que o destino deste culpado será ainda pior.