Capítulo 27: Se você a insulta, insulta a mim também
— Você... você é rude, é uma sem-vergonha!
— E você é feia e maldosa.
Isadora estava ofegante de tanta raiva, com vontade de matar Alice ali mesmo.
— Ou aceitam uma competição justa, ou vamos todos para o abismo juntos. Pensem bem antes de me procurarem de novo.
Alice não queria perder tempo; pegou sua bolsa e saiu.
Henrique tentou ir atrás dela, mas foi parado por um grito frio: — Se me seguir, nossa amizade acaba aqui.
O "cachorrinho" soltou um gemido de desapontamento e ficou onde estava.
Ele girou e sentou-se no sofá. Rocha, que estava de pé, sentiu subitamente uma pressão esmagadora vinda dele; o herdeiro dos Gustavo era muito diferente dos boatos.
Sua espontaneidade e leveza eram reservadas apenas para uma pessoa.
Diante dos outros, seu lado sombrio era suficiente para aterrorizar qualquer um que se achasse superior.
— Velho Rocha, quem se mete onde não é chamado geralmente não tem um final feliz. Aconselho você a ser mais esperto.
Rocha estremeceu, e sua barba chegou a balançar.
Os jovens de hoje eram difíceis de lidar; ele não podia ofender nenhum dos dois. O que ele poderia fazer?!
Talvez... pedir demissão e fugir para o exterior?
— Isadora Matos, não é? A Alice é minha. Você está tentando disputar o lixo do Bernardo Fontes com ela? Errou o alvo.
— Como nossos objetivos finais coincidem, hoje não vou dificultar para você. Volte e diga para quem está por trás de você: o título de campeã será decidido pelo talento. Se tentarem joguinhos sujos na minha frente, preparem-se para a destruição mútua.
Isadora jamais imaginaria que aquele homem mudaria de face tão rápido.
Na frente de Alice, ele parecia um seguidor fiel, mas agora era tão frio e assustador quanto Bernardo.
Por que Alice Guimarães estava cercada de pessoas tão poderosas?
Só por ser uma herdeira de prestígio?
Henrique viu o rosto inchado de Isadora e deu um conselho "amigável":
— Por que não vai logo chorar e reclamar para o Bernardo? Se esperar o rosto desinchar, não terá o mesmo efeito dramático.
Isadora: ... Esse Henrique é louco!
...
Bernardo estava sentado no banco de trás de seu Cayenne preto, com os dedos voando agilmente sobre o teclado.
O celular apitou.
Ele ignorou.
Pouco depois, surgiu uma notificação de vídeo.
Ele olhou: Isadora?
Essa mulher vivia cheia de problemas.
Isadora ligou novamente.
Bernardo massageou as têmporas e atendeu: — O que houve?
— Bernardo, mandei umas fotos no seu WhatsApp. Tirei agora pouco na Mansão Yuri.
— Você foi à Mansão Yuri?
— Fui com o Senhor Rocha encontrar o Presidente Yuri para tratar da vaga na final.
Bernardo disse friamente: — Isadora, eu não te avisei para não participar desta competição?
— Você está disposto a sacrificar meus interesses pela Alice Guimarães... mas já parou para pensar que, para conseguir a vaga, ela não hesita em seduzir o Yuri em plena luz do dia?
O olhar de Bernardo esfriou vários graus.
— Eu não estou mentindo. Olhe as fotos, veja como eles estão íntimos. Pareciam prestes a fazer algo ali mesmo no sofá.
— Cale a boca — Bernardo ordenou rispidamente.
Ele abriu as fotos no aplicativo. Seu olhar fixou-se no rosto de Alice.
Não havia resistência, apenas uma certa resignação.
Ela realmente tratava Henrique de forma diferente.
Bastava ele tocá-la de leve para ela agir como se tivesse sido infectada por um vírus, querendo se desinfetar inteira.
Mas ela tolerava aquela proximidade de Henrique.
Por quê?
Acaso ele não a tratava bem o suficiente?
Mesmo que os Guimarães tivessem forçado a união através de seu avô, uma vez que a trouxe para casa, ele decidira tratá-la bem.
Mesmo sem o amor de um casal, ele lhe daria toda a honra e dignidade que uma Senhora Fontes merecia.
— Senhor Fontes, estamos chegando ao
Rashomon
.
Bernardo respirou fundo e disse com indiferença: — Descubra quando o Henrique volta para o Leste.
— Sim, senhor.
Bernardo deletou o histórico de mensagens e ligou de volta para Isadora.
— Isadora — sua voz carregava um cansaço difícil de esconder.
Isadora não percebeu; achou que, após ver a "traição" de Alice, Bernardo finalmente ficaria do lado dela.
Ela disse animada: — Bernardo, viu que eu não menti? Alice é uma libertina, usa uma máscara de nobreza para esconder atos sujos.
— Alice Guimarães é minha esposa. De agora em diante, se você a insulta, insulta a mim também.
Isadora ficou em choque: — Bernardo! Ela te traiu!
— Isso é um assunto entre eu e ela.
— Então por que me ligou? — ela resmungou.
— Desista da competição.
Isadora achou que tinha ouvido errado. Após um longo silêncio, ela gritou:
— Você quer que eu desista? Bernardo, esqueceu o que houve há sete anos? Você prometeu cuidar de mim para sempre e nunca me deixar sofrer! Agora, por causa de uma mulher que nem liga para você, quer que eu desista do meu sonho? Com que direito?!
— Eu cuidarei de você, e você não precisa desta vaga. Se quiser, posso te enviar para os Estados Unidos para estudar com os melhores perfumistas do mundo.
— Eu não quero! Eu quero participar DESTE campeonato!
O mestre dela dissera que a vitória traria contratos gigantescos. Só assim sua pequena empresa cresceria até poder competir com a linha
Memória
.
Somente derrotando Alice é que ela teria chance de ter Bernardo para si.
Ela jamais desistiria.
— Bernardo, eu não vou desistir, a menos que eu morra.
— Se quer mesmo garantir a vaga para a Alice e manipulá-la para ser campeã, terá que me matar primeiro.
Isadora desligou bruscamente.
Ela tinha medo; medo de que Bernardo dissesse algo ainda mais doloroso.
O carro parou suavemente na porta do
Rashomon
.
Bernardo desceu e foi direto para a sala VIP habitual na cobertura.
— Não imaginava que viria me pedir um favor por causa dela. Como não quero ofender nenhum dos lados, que tal se eu adicionar mais uma vaga para a final?
Um senhor de cabelos brancos, muito enérgico, observava Bernardo.
Um brilho astuto passou por seus olhos: — Senhor Fontes, essa solução intermediária convencerá a todos.
Bernardo refletiu por um instante: — Negócio fechado.
Alice não queria participar?
Se ela realmente tivesse talento, que conquistasse o título por conta própria.
— Mais uma pergunta — Bernardo sentou-se e ofereceu um charuto ao idoso. — Quem é o mestre da Alice Guimarães?
Ele conhecia a mestra de Isadora: a renomada Lin Hua.
Lin Hua, após a fama, raramente participava de concursos; criara sua própria marca e fazia sucesso no exterior. Agora queria voltar ao mercado nacional usando o nome de Isadora na empresa
Sonho Construído
, mas precisava de uma vitrine maior para abrir capital. Isadora não desistia também pela pressão de Lin Hua.
O idoso balançou a cabeça de forma enigmática.
— Os segredos do destino não podem ser revelados.
— Não deixe que ela saiba que eu me envolvi nisso.
— Você não quer que ela saiba... Vocês dois juntos, quem sabe quem é a provação de quem?
Bernardo deixou um documento assinado e saiu.
O idoso olhou para o papel satisfeito, com um sorriso profundo.
Alice recebeu a ligação de Henrique naquela mesma noite.
— Sério?
— Você não tem ideia. Quase perdi a voz tentando convencer aqueles velhos. Felizmente, aquele veterano que estava aposentado há anos apareceu para me apoiar.
Henrique segurava um buquê de rosas vermelhas, parado na estradinha do lado de fora da Mansão do Horizonte.
— Alice querida, eu te ajudei tanto, você não vai me agradecer?
— Obrigada.
— Agradecimento verbal eu não aceito. Estou aqui fora, venha caminhar comigo.
Alice sentiu um tique nervoso: — Que horas são? Caminhar agora?
— Se não quer caminhar, que tal irmos beber no
Éden
?
Alice: ... Melhor caminhar mesmo.
Ela vestiu um conjunto esportivo preto, pegou o celular e saiu.
Uma silhueta sombria estava parada diante da janela panorâmica. Com um binóculo em mãos, observava com um olhar complexo o casal ao longe.