Capítulo 25: Aquele olhar de cachorrinho carente é demais, não consigo resistir
— Bernardo, posso entender que você está com ciúmes?
Alice achou aquilo assombroso, mas o comportamento de Bernardo foi ainda mais chocante do que sua imaginação.
No fundo de suas pupilas, brilhava uma ternura que ela nunca vira antes; em seu rosto, uma mistura indescritível de desolação e mágoa.
Ela realmente desejou ter visto errado.
O constrangimento no rosto de Bernardo passou em um flash. Em apenas um instante, todas as emoções foram guardadas, e ele voltou a ser o grande magnata estável a ponto de não demonstrar sentimento algum.
— Quem te deu essa confiança para achar que estou com ciúmes?
Bernardo soltou um riso frio e disse, como se não desse importância:
— Como esposa de Bernardo Fontes, mesmo que eu esteja entediado e não te queira mais, você não pode sair flertando com outros homens e me fazendo levar chifres, entendeu?
— Bernardo, você é estúpido ou está com água no cérebro? Eu e o Henrique temos uma relação limpa. Flertar? Acho que sua cabeça está tão cheia de lixo que você julga os outros por si mesmo.
— Se não flertou com ele, por que insiste em vê-lo repetidamente? Vocês se conhecem há tão pouco tempo e já têm essa intimidade... é difícil acreditar que não haja nada entre vocês.
Alice riu de puro ódio:
— Ah, então é um julgamento moral. Já que você pensa assim, não preciso mais me explicar. Exatamente como você imagina: eu e o Henrique já temos sentimentos um pelo outro há muito tempo. Se ainda não ultrapassamos as barreiras entre homem e mulher, é apenas por causa desse nosso casamento por conveniência.
Alice observou o rosto sombrio do homem e disse com triunfo:
— A primeira coisa que farei após me divorciar de você será me entregar ao Henrique. Quem sabe eu não me caso com ele e me torno a senhora da família Gustavo?
— Alice querida, você realmente aceitaria se casar comigo?
Na porta, surgiu a voz de Henrique, tão excitada que chegava a tremer.
O sangue de Alice congelou. Droga! O que esse sujeito estava fazendo aqui?! E ele tinha acabado de ouvir seu desabafo?!
Bernardo estreitou seus olhos negros e gélidos, tentando ao máximo conter o impulso de matar alguém. Seus lábios finos se abriram para soltar uma única palavra: — Suma.
Ao ouvir isso, Henrique correu para dentro e, diante de Bernardo, segurou o pulso alvo de Alice, dizendo com doçura:
— Alice querida, vamos embora.
Alice: — ...
POW!
O notebook foi arremessado ao chão, partindo-se em pedaços.
POW!
O celular de edição limitada atingiu a janela, estraçalhando o vidro em um sacrifício inútil.
Eduardo estava escondido do lado de fora, culpando-se por não ter conseguido deter Henrique.
Ele acreditou na mentira de Henrique, achando que o patriarca dos Gustavo tinha um recado urgente para o chefe. Abriu apenas uma fresta da porta para ver se podia deixá-lo entrar e, no momento em que a porta abriu, o sujeito ouviu as palavras da patroa, sentiu-se flutuar e teve a audácia de levá-la embora.
Rafael ouviu o barulho e, ao entrar, quase teve a testa atingida por um objeto.
— Cacete! Você está destruindo o quarto do hospital!
— Bernardo, percebi que desde aquela noite em que a Alice chamou a polícia para te denunciar por estupro marital, você mudou completamente.
— Suas emoções estão saindo do controle com muita facilidade. Você virou um desastre natural emocional.
— Se acalme, vamos conversar direito, pode ser?
Rafael viu o suor frio na testa de Bernardo e percebeu que ele havia ferido o braço novamente. Pegou um sedativo para aplicar uma dose.
— Não se atreva.
Em um instante, ele voltou a ser o Bernardo arrogante, majestoso e racional.
Ele ajeitou o colarinho com elegância e disse com indiferença: — Quero alta agora.
Rafael: — ... No seu estado, você não vai desmaiar se sair?
— Pegue os remédios e me siga.
Rafael obedeceu.
...
— Não entenda errado, eu estava apenas discutindo com o Bernardo. Foi o calor do momento — Alice explicou, empurrando a travessa de frutas para frente, sentindo-se impotente.
Durante todo o trajeto, aquele olhar de cachorrinho carente e meloso de Henrique era algo que ela realmente não conseguia suportar.
— Alice querida, você realmente não se lembra de mim? Eu me esforcei tanto para te encontrar. Se não fosse por aquele seu perfume, eu já estaria quase desesperado.
Alice encarou os olhos úmidos do rapaz e buscou em sua memória da vida passada; ela simplesmente não conhecia Henrique naquela época, muito menos tivera qualquer contato com ele.
No entanto, Henrique era de fato filho de uma pessoa conhecida.
A mãe dele e o mestre de Alice foram confidentes que arriscaram a vida um pelo outro.
— Como você veio parar em São Paulo de repente? Onde você estava antes disso?
Alice queria entender o motivo de não terem se cruzado na vida anterior.
— Eu fui para a Europa! Alguém disse que você tinha aparecido por lá, então fui te procurar.
— E como veio para cá então?
— Originalmente, eu não participaria deste campeonato de perfumes. O cargo de presidente da associação foi algo que me forçaram a aceitar. Meu único objetivo era te encontrar. Quando eu ainda estava na Europa, o "A-Bao" me ligou dizendo que você tinha acordado para a vida e queria se divorciar do Bernardo, e que eu deveria vir para cá imediatamente.
Alice travou.
— "A-Bao"?
— Hehe, é como eu chamo o seu mestre. Eu quase morri de raiva na hora! Ele sabia dos meus sentimentos por você e sabia que você era a pessoa que eu procurava há dez anos, e mesmo assim me escondeu tudo! Se você não estivesse se divorciando e ele não quisesse te arrumar um novo apoio, ele pretendia esconder isso de mim para sempre!
Alice sentiu um constrangimento. Então...
Na vida passada ela não conheceu Henrique porque o mestre escondeu a informação de propósito?
Nesta vida, ao saber do divórcio e temendo que Bernardo agisse com crueldade contra ela, o mestre simplesmente jogou Henrique na frente dela para servir de escudo?
Alice sentiu uma vontade enorme de confrontar aquele velho agora mesmo!
— Se eu soubesse antes que você tinha se casado, eu teria enlouquecido. Mas... como você casou com o Bernardo Fontes, eu confesso que ainda não tenho coragem de provocá-lo.
— Ora, então existe alguém que você tem medo de provocar?
— Eu posso agir como quiser no Leste, mas aqui em São Paulo, tirando o Bernardo, eu posso esmagar qualquer um. Me dê um tempo; cedo ou tarde vou consolidar meu poder e pisar com força naquele traidor do Bernardo para você terminar o serviço.
Alice tocou o próprio pescoço, lembrando-se dos métodos de Bernardo, e sentiu preocupação por aquele rapaz ingênuo.
Alguém como ele querendo pisar em Bernardo Fontes?
— Não duvide de mim. Minha família é a dona do pedaço no Leste e já estamos estendendo nossos braços para cá. Se cooperarmos, derrotar o Bernardo não será problema.
— Antes de falar em derrotar o Bernardo, vamos falar sobre o campeonato de perfumes. Quando será o meu duelo com a Isadora Matos?
Henrique hesitou.
— Além de mim, todos os outros velhos apoiam a Isadora para ficar com a vaga. Dizem que a mestra dela é a famosa Lin Hua. Como eu não posso te entregar, a situação está num impasse.
Ao ouvir o nome "Lin Hua", o rosto sofisticado de Alice tornou-se gélido.
Então era ela.
Na vida passada, o ataque de Isadora contra os Guimarães começou justamente pela linha de perfumes.
Após um lote ser produzido, houve uma denúncia de irregularidade: excesso de substâncias químicas tóxicas. Logo em seguida, surgiram notícias de mortes por envenenamento e casos de desfiguração por alergia.
Na época, seu pai gastou recursos imensos para abafar o caso, o que culminou na falência da empresa de perfumes e na retirada dos Guimarães desse setor.
Se fosse apenas Isadora, ela não teria tido tanta precisão. Cada notícia saía no momento exato e, mesmo com grandes quantias, seu pai não conseguia acordos com os consumidores; alguém queria levar a empresa ao desespero total.
Mas e se isso estivesse ligado a Lin Hua?
A influência dela, os recursos que possuía e até a rivalidade que tinha com o mestre de Alice eram motivos suficientes para ligá-la ao caso.
Quanto ao papel de Bernardo nisso tudo, ela ainda não sabia, mas cedo ou tarde descobriria quem tentou destruir a linha
Memória
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— Alice querida, no que você está pensando?
— No Bernardo Fontes — Alice respondeu sem hesitar.