Capítulo 22: Tentativa de assassinato da própria esposa
Um olhar gélido varreu o ambiente, e Iago imediatamente arrastou para fora a empregada que estava semimorta no chão.
Isadora Matos olhou timidamente para Bernardo, fazendo um biquinho em sinal de protesto:
— Bernardo, a Alice me ameaçou. Ela é arrogante demais, age como se você nem existisse.
Bernardo respondeu com desprezo:
— E ela não está errada.
Isadora travou: ...Bernardo estava protegendo a Alice?
Antigamente, quando as duas discutiam, mesmo que Bernardo não a ajudasse, ele jamais falaria a favor de Alice.
"Deve ser por causa daquela história da droga que ele ficou irritado", pensou Isadora. Ele estaria apenas querendo dar um gelo nela ao ajudar Alice de propósito.
— Bernardo, eu... eu sei que errei. Não farei mais isso, por favor, me perdoe.
Bernardo finalmente a encarou nos olhos.
— Lembre-se: esta é a última vez.
O coração de Isadora doeu.
Ele estava traçando uma linha entre os dois.
— Pode ir.
Isadora não ousou ficar mais tempo e foi embora contrariada.
Alice estava comendo tranquilamente.
Quanto ao que Bernardo e seu "anjo puro" conversaram, ela não dava a mínima.
— Vá cozinhar outra tigela — disse Bernardo, ao vê-la comer com tanto gosto; ele também sentiu fome.
Ele tivera um dia péssimo e não comera quase nada. Ao vê-la devorar a comida, sentiu vontade de provar o tempero dela.
Após o casamento, ela adorava cozinhar, e a maioria dos pratos eram os favoritos dele.
Ele raramente comia na Mansão do Horizonte, mas toda vez que o fazia, sentia um sabor diferente.
Desde que brigaram, ele nunca mais provara nada feito por ela.
Alice lançou-lhe um olhar, levantou-se com um sorriso, virou à direita e subiu as escadas.
— Alice Guimarães! Você é minha esposa, cozinhar para mim agora é um sacrifício?
— Bernardo, agora somos apenas parceiros de negócios. Esposa? Você deve estar com água no cérebro, está imaginando demais.
Bernardo cerrou os punhos e praguejou baixinho: — Mulher vingativa.
Antigamente, ela implorava para que ele comesse o que ela preparava; bastava ele aceitar uma vez para ela ficar radiante. Agora, pedir para cozinhar uns guiozas parecia um atentado contra a vida dela.
Alice tomou um banho rápido, vestiu seu pijama conservador de sempre e deitou-se direto no sofá do quarto.
Luana era uma garota muito esperta; além de cuidar da rotina, não dizia uma palavra fora de hora. Por exemplo, quando Bernardo trouxe Isadora e Luísa para a acareação, Luana retirou-se discretamente para o quarto.
O problema era que ela insistia que Alice e Bernardo dormissem no mesmo cômodo.
Alice mal havia pegado no sono quando a luz foi acesa.
— Bernardo, já são dez e meia da noite.
Bernardo estava com fones de ouvido e um tablet na mão esquerda, sentado na varanda continuando sua reunião.
Alice: ... Canalha! Está fazendo isso de propósito para eu não dormir!
Ela colocou protetores auriculares e uma máscara de dormir, mas quanto mais sono tinha, menos conseguia dormir.
Arrancando a máscara, Alice encarou o homem arrogante e abstêmio na varanda: — Tudo bem, ninguém dorme então!
Ela não ia mais aguentar esse temperamento explosivo dele!
Ela correu até Bernardo, abraçou o pescoço dele e disse com uma voz tão doce que poderia derreter gelo:
— Querido, vamos mais uma vez. Você não me satisfez agora pouco... quer tomar um remedinho?
Do outro lado da videoconferência estavam executivos de empresas estrangeiras.
A maioria entendia chinês perfeitamente.
Alguns, inclusive, já tinham visitado São Paulo.
A "reclamação" manhosa de Alice estava cheia de desprezo pelo lado "fraco" de Bernardo.
As pessoas do outro lado ficaram chocadas e começaram a cochichar:
— O CEO Fontes é broxa? Não pode ser, ele parecia ter um ótimo preparo físico, treinamos boxe juntos na última vez.
— Ele precisa de remédio para continuar? Isso é muito...
— Alguns parecem fortes por fora, mas estão esgotados por dentro. Mas a voz da Senhora Fontes é tão sedutora; nem preciso ver o rosto dela para imaginar o quanto ela é atraente na cama. Não admira que o CEO esteja com as pernas bambas.
— A reunião... continua? — alguém tentou focar no trabalho.
Entretanto, ninguém se importava mais com a reunião.
Brincadeira! Um escândalo do CEO Fontes era uma oportunidade única na vida.
O rosto de Bernardo estava sombrio. Se o olhar pudesse matar, Alice já estaria morta dez mil vezes.
— Querido, a noite é longa. Pare de agir de forma tão fria e sem graça. Vamos tentar algo novo?
— Você é um homem tão alto e forte; se se esforçar, até um "cogumelo nanico" pode virar um "cogumelo gigante"!
— Vamos pedir ao Dr. Rafael um extrato de goji berry preto; é natural, não faz mal e dá um vigor incrível!
— Não podemos ser "rápidos" demais, não é? Vem, eu sei que você gosta quando eu te beijo aqui... um beijinho primeiro, muah!
Alice atuou com uma paixão avassaladora diante daquele homem frio e indiferente, quase chegando a beijá-lo de verdade.
Do outro lado da videoconferência, foi uma explosão! Nível bomba atômica!
— Eu ouvi direito? "Cogumelo nanico"? Não me diga que o CEO Fontes é tão pequeno assim, ele parece tão imponente!
— Cacete! O que é esse extrato de goji berry preto? Funciona mesmo? Vou comprar um pouco depois. Minha mulher...
O assunto saiu totalmente do trilho.
Mas nada impedia a "profunda simpatia" e o "desprezo silencioso" de todos por Bernardo.
Ele cortou a videoconferência.
Jogou os fones de lado.
E pegou Alice no colo bruscamente.
Alice levou um susto.
Esse canalha não ia levar a sério a encenação, ia?
Não era possível; ele a detestava tanto, e se manteve puro por causa da Isadora por seis meses. Hoje ele nem estava drogado... não, ele não faria nada.
No momento seguinte, Alice foi colocada sentada no parapeito da varanda.
Ela foi obrigada a se sentar ali, segurando o pescoço de Bernardo com toda a força: — O que você está fazendo? Quer cometer um "uicídio" conjugal? Me coloque no chão agora!
O canalha segurava a cintura dela e fazia força para empurrá-la para fora.
Se ela soltasse o pescoço dele, viraria patê no chão no segundo seguinte.
— Bernardo, pare com a brincadeira! Eu errei, tá bom? Me tira daqui!
Bernardo observava friamente o queixo tenso dela.
De repente, ele inclinou a cabeça e deu uma mordida.
— Ai! Dói! Você é um cachorro?
Alice sentia dor e injustiça, enquanto o vento da noite batia em sua cabeça, trazendo um frescor repentino.
Espere! Não era frescor! O canalha tinha desabotoado os botões da blusa dela!
O vento da noite entrava sem cerimônia pela roupa, e sua lingerie fina não era páreo para o olhar ardente e brutal do homem.
— Bernardo Fontes, você é um pervertido? Me solte!
Bernardo usou as palavras dela contra ela: — A noite é longa, vamos tentar algo novo. Fique tranquila, eu não estou doente e não preciso de especialistas; olhar para você é o suficiente.
Alice: ... Ela cavou um buraco enorme e acabou se enterrando?
Em um movimento rápido, o pijama que Alice vestia há menos de meia hora voou pelos ares, flutuando na noite silenciosa.
Ela sentiu que ia morrer de vergonha.
Bernardo curvou levemente os lábios.
Com aquela coragem mínima, ela ousou provocá-lo e ridicularizá-lo na frente de executivos do mundo inteiro?
Se teve a audácia de provocá-lo correndo risco de vida, deveria estar pronta para pagar o preço.
Quando sentiu o cós da calça ser apertado, Alice perdeu toda a valentia: — Bernardo, Senhor Fontes, Patrão, Anjo Bernardo... eu errei, errei de verdade. Por favor, solte a mão, me deixe cair e morrer.
Lá embaixo ficava a piscina; se ela caísse dali, não morreria.
Mas se esse canalha continuasse a despi-la, ela sofreria uma morte social amanhã.
Entre cair na água e passar vergonha total, ela escolhia a primeira opção.
Bernardo contraiu os lábios: — Pedindo perdão tão rápido? Nem parece a Alice que eu conheço.
— Eu não sou Alice nenhuma, me trate como um nada e me deixe ir.
Saber recuar para avançar depois.
Acertar as contas mais tarde.
Alice tentava se acalmar, decidida a não provocar mais o canalha.
No entanto, a mão grande do homem começou a subir lentamente de sua cintura para cima.
Ela agora vestia apenas a peça íntima superior.