Capítulo 18: O patrão veio pessoalmente flagrar a traição?
Contra-atacar?
Alice Guimarães realmente planejava fazer exatamente isso.
— Não importa o que ele pense. Eu só sei que esses recursos são suficientes para tornar o status dos Guimarães inabalável.
Somente quando o Grupo Guimarães fosse forte, ela conseguiria proteger seus entes queridos.
Alice apertou o rosto de Vitória e perguntou seriamente: — Foi sério mesmo esse fora?
Vitória murchou os ombros imediatamente: — Quem muito anda à beira do rio, um dia acaba molhando o pé. Desta vez, eu caí feio.
— Quer que eu ajude?
— Não, não precisa. Não existe homem neste mundo que eu, Vitória, não consiga dobrar. Espere pelas minhas boas notícias.
Alice achou graça ao vê-la afiando as garras para o ex.
— Tudo bem. Então vou focar totalmente na minha carreira.
— Ei, não vire uma viciada em trabalho! Com esse rosto lindo e esse corpo de tirar o fôlego, você deveria aproveitar; garanto que o dinheiro viria aos montes — Vitória puxou Alice com um olhar bajulador.
Alice desconfiou: — Fale como uma pessoa normal, por favor.
— Vou te levar para jantar daqui a pouco. Vai ter um "deus grego" lá.
— Eu não vou a jantares comuns.
— É o meu encontro às cegas.
Alice entendeu na hora.
Vitória vivia de forma muito libertina. O pai dela sempre foi um playboy que tratava a filha apenas despejando dinheiro nela, sem impor limites.
Mas o irmão mais velho dela era um "protetor de irmã" fanático.
Incapaz de ver a irmã se tornar a maior conquistadora da elite, ele organizava um encontro atrás do outro para ela.
Antes de casar com Bernardo, Alice já tinha substituído Vitória em vários desses encontros.
— Seu irmão ainda não desistiu?
— Ele sempre diz que nossa mãe se foi cedo e nosso pai não liga para mim, então ele não tem coragem de ser duro comigo. Por isso, quer achar um homem que me controle e me transforme em uma "esposinha dócil".
— Mas o seu nome já não é Vitória (Vih)?
— Pois é, ele quer que eu faça jus ao nome, caso contrário, seria um desperdício do nome que minha mãe me deu.
Vitória implorou e Alice, não querendo que a amiga caísse tão cedo na "tumba do matrimônio", acabou aceitando.
Ter um encontro às cegas hoje e ter passado a noite anterior bebendo e pedindo modelos masculinos... Alice admirava essa disposição.
Na hora do jantar, Alice e Vitória apareceram radiantes no
Hua Ding Xuan
.
Aquele era um dos restaurantes de culinária imperial mais famosos de São Paulo; conseguir uma reserva ali era quase impossível. O fato de o pretendente ter conseguido uma mesa provava que ele não era qualquer um.
Seguiram o plano de sempre.
Vitória vestiu-se com um estilo rebelde e exagerado, enquanto Alice se produziu como uma "florzinha branca" inocente e adorável, usando o nome da prima de Vitória, "Hanna", para arruinar o encontro.
No instante em que pisaram no restaurante, a combinação de anjo e demônio atraiu todos os olhares.
Ao encontrarem a mesa, Vitória puxou a cadeira: — Sente-se aqui, Hanna, querida.
Ela sorriu para o homem de terno sentado à frente: — Minha prima insistiu em vir para avaliar o candidato. Espero que o senhor Gustavo não se importe.
Alice, exibindo um sorriso de "garota exemplar" extremamente falso, ergueu o olhar para o azarado pretendente e sua expressão congelou instantaneamente.
O homem, ao vê-la, também levou um susto enorme: — Hanna?
Apenas Vitória continuava sem entender nada.
— Você se apaixonou pela minha prima à primeira vista? Que ótimo! Vocês dois se entendam enquanto eu ligo para o meu irmão e digo que não rolou química entre a gente.
Alice segurou o pulso de Vitória e disse com dificuldade: — Ele é o Yuri.
Vitória só tinha investigado Yuri, mas nunca vira o rosto dele. Ao ouvir Alice, levou um susto: — Merda! Entramos no lugar errado?
Yuri curvou os lábios, e seu rosto jovem se encheu de diversão: — Não entraram errado. Eu sou o "Senhor Gustavo" de quem o seu irmão falou. Olá, Alice querida. Não sabia que você tinha o fetiche de ajudar os outros em encontros às cegas.
Alice: — ... "Querida" é a mãe!
— Senhorita Vitória, realmente não temos química. Eu falarei com seu irmão. A senhora... ainda tem algo a tratar aqui?
Vitória ficou irritada: — Está me achando um estorvo?
Alice interveio: — Vamos embora juntas.
Yuri apressou-se em dizer: — O fato de não sermos um casal não me impede de te contar sobre a competição. Tem certeza de que não quer ouvir?
— Vitória, vá para casa descansar. Eu levo algo gostoso para você depois.
— Não precisa. Minha noite está apenas começando, vou curtir por aí — Vitória deu um tapinha no ombro de Alice e sussurrou: — Você é uma mulher casada, vá com calma.
Mesmo que Bernardo tivesse uma amante, Alice ainda era a esposa legítima. Se ela o traísse abertamente, com a personalidade implacável de Bernardo, Alice não teria pescoço suficiente para a lâmina dele.
— É trabalho — Alice revirou os olhos e despediu-se da amiga.
Yuri estalou os dedos: — Garçom, pode servir.
— Quem é você, afinal? — Alice encarou Yuri.
Yuri fez mistério: — Adivinhe.
— Fale logo sobre o concurso, eu estou ocupada.
— Falaremos depois de comer.
Yuri, querendo agradar, serviu vinho para Alice.
Alice conteve seus impulsos e decidiu embriagá-lo para interrogar sobre sua verdadeira identidade.
...
— Aquela é... a Alice Guimarães?
Rafael, que jantava por ali, ouviu Yuri bêbado gritar "Alice, eu gosto tanto de você!". Curioso, ele olhou bem e viu que era ela mesma.
Mas ela estava de vestido branco e rabo de cavalo, em um estilo "inocente e sensual". O que ela pretendia?
Fingir ser uma estudante pura para trair o marido?
Rafael ligou imediatamente para Bernardo: — Bernardo, sua esposa está jantando com outro homem. Olhe o WhatsApp, mandei o vídeo como prova.
Ele gravou e enviou.
Bernardo abriu o vídeo.
Yuri abandonara o estilo clássico e vestia um terno cinza prateado, muito elegante.
Ele parecia bêbado, e Alice lhe dava água, levando o copo pessoalmente até a boca dele?!
— Onde?
— No
Hua Ding Xuan
.
...
Bernardo chegou rápido; ele estava trocando o curativo no hospital a apenas dez minutos dali.
Alice carregava Yuri semiconsciente para fora quando um carro avançou sem educação na frente dela, quase a matando do susto.
Ela estava pronta para xingar a sétima geração do motorista quando a porta se abriu e o canalha, vestido de forma impecável, apareceu.
— Bernardo Fontes?
Bernardo cerrou os punhos, olhando para a cabeça de Yuri apoiada no ombro dela, e disse friamente: — Alice, não esqueça sua posição! Aquele acordo deixou as coisas bem claras!
— Eu saí para jantar com um amigo, ele bebeu demais e eu estou levando ele para casa. Isso conta como traição?
A pergunta dela o deixou sem resposta por um instante.
— Eduardo, leve este bêbado daqui.
Alice, no fundo, não queria mesmo ter que levar Yuri. O rapaz acabara de se declarar para ela e, bêbado, ela não sabia do que ele seria capaz.
No entanto, por que Bernardo estava com aquela cara de quem foi traído?
— Vamos para a Mansão do Horizonte — ordenou ele.
— Estou ocupada.
— Alice, você quer quebrar nossa promessa?
Alice hesitou: — Eu mudo para lá amanhã.
— Terá que ser hoje. Eu estou ferido e preciso de alguém para cuidar de mim.
— A Mansão do Horizonte está cheia de empregados, não precisa de mim — Esse canalha realmente queria usá-la como empregada gratuita.
Ela não tinha mais a vocação de serva da vida passada.
— Tudo bem. Vou mandar cancelar agora os recursos para a região Sul...
— Eu vou! Grande Senhor Bernardo, por favor, entre no carro! — Alice o interrompeu, abriu a porta, empurrou-o bruscamente para o banco de trás e foi para o banco do motorista.
Canalha sem-vergonha! Usando chantagem!
Bernardo, sentado atrás, observava com olhar afiado a roupa dela hoje.
Maquiagem delicada, vestido branco puro, rosto lindo, clavícula sexy.
Pura e sensual ao mesmo tempo.
Ela se vestiu assim especialmente para encontrar outro homem?
Pensando bem, em seis meses de casada, ela sempre se vestiu como uma dama formal. Nas poucas vezes em que tentou algo sensual, não tinha esse impacto.
Agora, ela parecia uma flor prestes a desabrochar...
Dando vontade de prová-la.
De tomá-la nos braços.
Um calor familiar subiu por seu corpo, atingindo sua mente.
Ele praguejou baixinho: essa mulher claramente era calculista e perigosa, como uma papoula que não se deve tocar.