Capítulo 16: A primeira espada de quem se liberta deve atingir o amado
— O que a honra do seu querido Bernardo tem a ver comigo? — Alice desdenhou. — Se você gosta tanto dele, dê um jeito de seduzi-lo e vire a Senhora Fontes. Se está participando desse raio de concurso de perfumes, deve ser por falta de confiança, tentando algum caminho alternativo.
O rosto de Isadora escureceu:
— O que você entende?
Bernardo gostava de mulheres competentes. Se ela conseguisse criar um império de fragrâncias e se tornasse uma mulher de negócios mais poderosa que Alice Guimarães, Bernardo certamente se apaixonaria por ela.
— Meu mestre é um dos jurados desta edição e tem ótimas relações com os outros avaliadores. Você não tem chance de vencer. É melhor desistir agora; eu posso até te dar uma boa quantia em dinheiro.
Isadora, fingindo generosidade, tirou um cartão de crédito da bolsa e o colocou sobre a mesa.
Alice olhou para o cartão e seu olhar gelou instantaneamente.
Era um cartão personalizado do Banco de São Paulo, com o logo exclusivo de Bernardo Fontes. Um cartão como aquele tinha um limite de, no mínimo, 50 milhões.
Muito bem. A amante do canalha estava usando o dinheiro dele para tentar subornar a esposa legítima.
Alice pegou o cartão, observando o esforço de Isadora para esconder a dor de perder aquele dinheiro, e sorriu:
— Embora minha família seja rica, eu não recuso dinheiro fácil. Já que você veio pessoalmente me pagar, eu aceito.
Isadora ficou atônita: "Tão simples assim?".
Se soubesse, teria usado o dinheiro antes. Quem diria que a orgulhosa e nobre Alice Guimarães se tornaria escrava do dinheiro. No fim, ninguém recusa uma fortuna.
— Quanto tem aqui?
— Cinquenta milhões — disse Isadora. — Agora que recebeu o dinheiro, trate de desistir, ou eu não serei gentil com você.
Isadora bateu o pé, segurando o próprio peito, e saiu.
Cinquenta milhões... doía no fundo da alma.
Ainda bem que ela transferiu metade antes, caso contrário, Alice teria ficado com os 100 milhões inteiros.
Alice entregou o cartão para sua assistente:
— Doe tudo.
A assistente olhou para Alice com admiração profunda. A patroa era rápida: em poucas palavras, conseguiu 50 milhões.
— Senhorita, a senhora vai mesmo desistir?
Alice ergueu as sobrancelhas:
— Tem alguma câmera gravando? Ou alguma testemunha?
A assistente levantou o polegar. A patroa era poderosa. Aquela piranha hipócrita merecia ser enganada mais vezes.
Alice voltou para o laboratório.
Ela havia prometido jantar com os pais, mas a empresa fechou um contrato internacional de última hora e os dois precisaram viajar para negociar; o jantar foi cancelado.
Esse contrato internacional foi algo que Alice articulou secretamente.
Como seus pais não aceitavam o divórcio, ela precisou usar uma estratégia de distração.
Ela esperava ter o certificado de divórcio em mãos antes que eles voltassem ao país.
— Amiga, está livre?
Ao receber a ligação de Vitória, Alice deixou os documentos de lado.
— O que houve?
— Vamos curtir a noite!
— Estou ocupada ganhando dinheiro, não tenho tempo.
— Não faça isso. Sua melhor amiga foi abandonada, você não vem me consolar?
Alice massageou a testa. Abandonada?
Essa garota só namorava estudantes universitários bonitões e trocava de homem como quem troca de roupa, sempre pregando a bandeira de "namorar mas não casar". Abandonada? Só se fosse um milagre.
— Eu abri aquela sua garrafa de
Diva Vodka
que estava guardada no
Éden
. Venha logo.
O canto da boca de Alice tremeu.
Droga!
Sua
Diva Vodka
!
Aquele fora o presente de dezoito anos que seu pai lhe dera.
Da última vez que pagou um jantar para aquele canalha do Bernardo no clube
Éden
, ela abriu a garrafa, tomou apenas metade e guardou o restante lá.
Não era mesquinharia; aquela bebida custava mais de um milhão de dólares. Seu pai lutou para conseguí-la em um leilão, sendo considerada a "vodka mais fascinante do mundo".
— Beba qualquer outra coisa! Beber essa vodka é um desperdício!
— Não quero. É a primeira vez que me dão um fora, preciso de algo caro.
Alice ficou sem palavras. Aquela bebida valia milhões de reais, era realmente cara.
Mas o ponto era o valor sentimental.
Ela fechou os arquivos rapidamente e dirigiu até o clube
Éden
.
Quando Alice chegou à sala VIP, Vitória já tinha virado várias taças. Estava com o rosto corado e o olhar perdido. Assim que viu Alice, tentou abraçá-la.
— Foi sério mesmo?
— Buáaa... Eu sou linda, tenho corpão, sou rica e influente... por que ele me deu um fora?
Vitória chorava enquanto limpava o nariz na camisa de alta costura de Alice.
Alice sentiu um asco profundo.
— Qual foi o moleque sem noção que ousou te dar um fora? Vamos, eu te ajudo a dar uma surra nele.
— Não quero. Eu fui chutada, não tenho cara para ir atrás. A culpa é minha, eu não tive charme suficiente para segurá-lo. Buáaa...
Alice estava perplexa com aquela lógica distorcida.
— Escute, você vivia me criticando por ser viciada em amor, dizendo que minha dedicação ao Bernardo era pior do que a de uma serva... agora você está fazendo esse escândalo por um fora?
Vitória ergueu a cabeça, limpou as lágrimas e perguntou seriamente:
— Sejamos sinceras: o Bernardo, tirando o fato de ser frio, arrogante e viciado em controle, é perfeito em tudo. Por que diabos você quer o divórcio?
Alice deu um peteleco na testa de Vitória e xingou:
— O quê? Ficou burra de repente? Um homem como o Bernardo, que fica de conversinha com a amante, que parece frio mas é cheio de segundas intenções e métodos cruéis... não divorciar dele é pedir para sofrer.
Vitória sorriu bobamente:
— Mas você o amava.
Alice suspirou.
Seu amor por Bernardo era de conhecimento público.
Mas e daí?
Um homem que ajudou a amante a destruir sua família... se ela ainda o amasse, ela seria uma completa idiota!
— Cansei. Não amo mais. Homens só atrapalham a velocidade com que eu manejo minha espada.
— Já ouviu falar que o "Caminho Absoluto" não tem emoções?
— A primeira espada de quem se liberta deve atingir o amado.
Alice ajudou Vitória a sentar no sofá e virou uma taça de bebida de uma vez.
Estava amarga.
Antigamente, quando ela, como uma serva, entregou aquela bebida a Bernardo, ele apenas lhe lançou um olhar de desprezo.
Mesmo com o coração partido, ela continuou rastejando atrás dele.
Hoje ela percebia o quanto estava doente da cabeça.
A porta estava entreaberta.
Ninguém percebeu que, do lado de fora, dois homens altos estavam parados. Um deles estava com o braço engessado.
— Hahaha! "A primeira espada de quem se liberta deve atingir o amado"! Essa foi épica!
Um rapaz de cabelos loiros, com estilo atlético e charmoso, girou uma garrafa de conhaque e sentou-se em uma cadeira, continuando a zombar: — Bernardo, sua mulher é uma figura! Se algum dia você não a quiser mais, me coloque no topo da lista de pretendentes, ok?
Uma taça foi arremessada na direção dele, e o loiro desviou por pouco.
— Calma, foi só uma brincadeira!
O rosto de Bernardo estava mais sombrio do que nunca.
"A primeira espada deve atingir o amado", é?
Quer se libertar?
Pois eu não vou facilitar para você!
...
Alice continuava consolando Vitória.
— O que não falta é garoto novo no mercado. Se perdeu esse, tem o próximo. Não desista da floresta inteira por causa de uma árvore só.
— O seu grande talento não era fazer os homens ficarem loucos por você? Reaja! Mostre para esse imbecil como se domina um homem.
— Que tal se eu arrumar dois garotos novos para você agora?
As palavras de Alice deram uma ideia a Vitória.
A herdeira ligou para o gerente do clube e pediu, de uma vez, mais de dez modelos masculinos de estilos diferentes, todos especialistas em entretenimento.
Alice assistiu a uma dança sensual de pole dance de um homem musculoso e ainda comentou sobre a performance de um jovem tocando instrumentos, antes de tentar puxar Vitória:
— Já brincamos o suficiente, vou te levar para casa.
— Ah, não! Isso é só o começo. Os modelos do
Éden
são os melhores de São Paulo. Você não está se divorciando do Bernardo? Escolha um, sinta um novo estilo. Vamos fazer um aquecimento para a sua nova vida de solteira!
Vitória ficava bem "animada" quando bebia. Alice já estava acostumada.
Ela se preparava para levar a amiga embora à força.
Antes que pudesse segurá-la, a herdeira já havia se jogado no meio dos modelos e começado a dançar...
"Mais quinze minutos", pensou Alice. "Em quinze minutos eu apago essa mulher e levo ela daqui!".
Alice raramente ia ao
Éden
para se divertir.
Aquele era o clube mais caro e misterioso da cidade.
Modelos masculinos ali eram preparados para madames ricas.
Era a primeira vez que ela via tantos estilos diferentes de homens bonitos; tinha que admitir que a qualidade era alta. Eram bonitos, talentosos e atendiam a qualquer desejo.
No entanto, comparados ao porte de "divindade intocável" de Bernardo Fontes, ainda deixavam a desejar.
Ela balançou a cabeça rapidamente. "Não, não, não! Por que estou pensando naquele canalha?!"
"Xô, Bernardo!"