Capítulo 13: Esse canalha não tem vergonha e vai bater em mulher?
Não importa o que Bernardo tenha feito, ela não deve sentir piedade!
O cafajeste e a piranha, ela não deixará passar nenhum dos dois!!!
— Alô, quero alta agora. Venha me buscar imediatamente.
Alice trocou rapidamente a roupa de hospital. Com a vingança batendo à porta, ela não podia desperdiçar um segundo sequer.
...
— Senhor Fontes, a Senhora Alice recebeu alta.
Eduardo tinha ordens para vigiar Alice a todo momento; qualquer movimento deveria ser relatado. Por isso, no meio da madrugada, ele não teve escolha a não ser acordar o chefe, que estava em sono profundo.
A mente de Bernardo travou por um instante.
— Ela voltou para a casa dos Guimarães?
— Não... ela foi para a Mansão Yuri.
Eduardo limpou o suor frio discretamente.
A Mansão Yuri era a residência em São Paulo do presidente da Associação de Perfumaria, Yuri. Ninguém sabia ao certo a origem desse sujeito, mas seu talento era tão alto que ele derrotou vários veteranos poderosos para se tornar presidente, o que provava que ele tinha um apoio muito forte.
O chefe pedira para investigar o passado de Yuri e, em menos de vinte e quatro horas, a patroa já estava indo encontrá-lo novamente.
Sinceramente, o rosto de Bernardo estava tão sombrio que Eduardo sentiu vontade de fugir dali.
No momento em que Bernardo percebeu que perdia o controle de suas emoções, sua expressão tornou-se extremamente estranha.
Alice se esforçou tanto para casar com ele e foi sua seguidora submissa por tantos anos que ele sentia tédio.
Agora que ela ia atrás de outro homem, o que ele tinha a ver com isso?
Mas uma voz em sua mente gritava para que ele fosse atrás dela.
Ele disse a si mesmo: enquanto o divórcio não sair, Alice ainda é sua esposa.
Bernardo Fontes jamais seria tão baixo a ponto de fingir que não sabia que estava sendo traído.
— Vamos para a Mansão Yuri.
— Mas o senhor não pode sair do hospital, e no seu estado atual...
O rosto belo estava pálido e assustador, com o braço direito engessado e pendurado no pescoço; a imagem era realmente cômica.
— Esqueceu quem paga o seu salário?
— ... Sim, senhor.
No mundo, o chefe é quem manda.
...
Alice observava a decoração clássica da Mansão Yuri, seus olhos demonstrando uma admiração genuína.
Yuri, vestindo um jaleco branco de laboratório, correu entusiasmado para a sala, tentando abraçar Alice:
— Alice, querida, me dá um abraço.
Alice o empurrou com desprezo:
— Não me chame assim, é nojento.
— O que tem de nojento? Acho carinhoso.
— Se quer aprender minhas técnicas exclusivas de perfumaria, siga minhas regras: me chame de "Irmã Alice".
— Você é tão jovem e quer ser minha irmã mais velha? Além disso, aprender com você não me impede de te conquistar.
Alice arregalou os olhos: — Conquistar?
— Você é tão bonita.
— Fale como um ser humano!
Yuri riu:
— Seu talento para perfumes é exatamente o meu tipo. Em tantos anos, você é a única mulher que me interessou de verdade. Decidi: vou te conquistar.
Se ela se tornasse sua esposa, ela ensinaria tudo o que sabe. Além disso, a aparência e a linhagem dela estavam à sua altura.
Alice observou Yuri com atenção e percebeu que ele não estava brincando. Ela sentiu calafrios por alguns segundos.
Que tipo de azar era esse? Ela renasceu para focar na carreira, não em romances.
— Pare por aí! Não olhe para mim desse jeito ou eu te denuncio por assédio sexual.
— Querida, você está prestes a se divorciar do Bernardo, não vai me dizer que quer se manter pura para sempre?
Alice estreitou os olhos. Sobre o divórcio, além de Vitória e seus pais, ninguém mais sabia.
— Eu sou muito bem informado. Se você aceitar minha investida, garanto que valerá a pena!
— O fato de você dizer isso prova que você não entende nada de sentimentos. É apenas um moleque, que romance o quê? Não importa o que aconteça entre eu e o Bernardo, eu jamais aceitaria você. É melhor se comportar, ou não te ensino nada.
O rosto jovem e bonito de Yuri murchou.
— Eu não perco em nada para o Bernardo, não seja cega.
— Se mencionar aquele canalha de novo, eu vou...
Antes que terminasse, um empregado entrou às pressas:
— Mestre, o Senhor Fontes quer vê-lo!
Alice sentiu um tique no olho. Senhor Fontes?
— Você veio tratar de negócios comigo e trouxe o marido? — Yuri ficou descontente.
Alice refletiu: — Eu não trouxe ninguém.
Dito isso, ela se virou para sair e confrontar Bernardo.
Ao ver Alice exalando uma aura assassina, o olhar de Bernardo tornou-se subitamente gélido.
Essa mulher, vindo encontrar outro homem no meio da noite, ainda ousava olhar feio para ele?
— Senhora Alice, o Senhor Fontes estava preocupado com a sua saúde e veio buscá-la para voltar ao hospital — Eduardo, percebendo o clima tenso, apressou-se em explicar para evitar um barraco em casa alheia.
Alice olhou diretamente para o rosto sombrio de Bernardo: — Preocupado? O Senhor Fontes veio para me flagrar, não foi?
Bernardo riu friamente: — Está com a consciência pesada?
— Pesada por quê? Por você? Estamos nos divorciando, você não tem esse direito.
Bernardo estava furioso, com vontade de arrancar a língua dessa mulher!
Ela era tão afiada que lhe dava dor de cabeça!
— Por que você ameaçou a Isadora?
Ele pretendia questionar o que ela fazia na casa de Yuri. Mas, ao abrir a boca, acabou defendendo Isadora Matos.
Alice compreendeu imediatamente. Ah, ele veio cobrar satisfações pela "amante".
— Veio até a casa de outra pessoa no meio da noite só para defender seu anjo puro? Senhor Fontes, sua obsessão por ela realmente me impressiona.
Alice deu um passo à frente, erguendo o rosto com desprezo:
— Ela procurou por isso, de quem é a culpa? Aquilo foi apenas uma pequena lição. Se houver uma próxima vez, eu realmente corto a garganta dela.
Ela detestava ver Bernardo protegendo Isadora. Isso a fazia se sentir como a grande idiota da vida passada.
Bernardo cerrou o punho, sua voz carregada de uma agressividade sombria:
— Alice Guimarães, como você pode ser tão cruel?
— O Senhor Fontes é tão nobre, por que ainda não assinou o divórcio com alguém tão cruel como eu? Vamos, o acordo já está pronto. Não quero seu dinheiro, não quero seu poder, só quero meu dote e sair com as mãos abanando. Isso ainda não te satisfaz?
— Alice, você realmente acha que eu faço questão de ter você como esposa?
— Ora, se não faz questão, assine logo! Não vai me dizer que está apegado ao meu dote?
Yuri, que observava tudo escondido, não aguentou e soltou uma risada.
Em toda a cidade, quem não sabia que Bernardo Fontes era uma máquina de fazer dinheiro? Para ele, dinheiro era a coisa menos valiosa. Alice dizer que ele queria o dote era como tripudiar na cara dele.
Bernardo, cego de raiva, avançou com a mão na direção de Alice.
Alice permaneceu imóvel. A mão grande do homem parou a um centímetro do rosto dela.
Yuri e Eduardo prenderam a respiração simultaneamente.
— O canalha vai bater em mulher? — Alice, como se quisesse irritar Bernardo até a morte, manteve o olhar de desprezo e tornou-se ainda mais afiada: — Se você encostar um dedo em mim hoje, amanhã eu acabo com a vida daquela piranha da Isadora.
Bernardo rugiu: — Eduardo! O acordo de divórcio!
— Alice Guimarães, quem não assinar agora é um covarde!
— Você acha mesmo que os Fontes fazem questão de uma nora tão hipócrita e cruel?
O sempre silencioso e contido Bernardo Fontes perdeu o controle dessa forma pela primeira vez.
Yuri encolheu o pescoço; a aura assassina de Bernardo era aterrorizante.
— Alice, querida... eu vou entrar e te esperar?
Ver a briga era interessante, mas a vida era mais importante.
Alice assentiu: — Eu já vou.
Se soubesse que insultar esse canalha o faria assinar, não teria perdido tanto tempo.
Bernardo, ao ouvir Yuri chamá-la de "querida", quase perdeu o que restava de sanidade. Ao ver a gentileza dela para com Yuri, a última corda de sua razão se rompeu.
Com a mão esquerda, que não estava ferida, ele agarrou o pulso de Alice e a arrastou para dentro do carro.
Eduardo, que ainda tentava ligar para alguém trazer o acordo, olhou para o rastro do carro que desaparecia em alta velocidade:
— ... Senhor Fontes?