Capítulo 11: Senhor Fontes, traição é uma doença e tem cura
— Não fui eu — disse Alice, mordendo o lábio.
— Você acha que eu acredito? De um lado, finge ser superior querendo o divórcio; do outro, pede secretamente para o meu avô intervir e ainda me dá um sermão. Você joga muito bem.
Bernardo fixou o olhar no rosto arrogante dela e disse, irritado:
— Sabe de uma coisa? Se você tivesse continuado em silêncio, sendo a esposa perfeita e dedicada, eu pretendia te dar o devido reconhecimento oficial.
Alice ficou atônita.
Então, aos olhos dele, ela era apenas uma mendiga implorando por afeto, que só servia para ser uma esposa submissa e gerar herdeiros?
— Bernardo, tenha um pouco de vergonha na cara. Quem disse que eu quero o seu "reconhecimento"?
— Se não quer, por que está fazendo esses joguinhos de desdém?
Alice ergueu o queixo:
— Eu já disse que não contei nada ao seu avô. Acredite se quiser.
Bernardo agarrou o queixo dela com fúria.
Ele se aproximou, e seu hálito quente atingiu o rosto dela.
Alice tensionou o corpo, temendo que aquele canalha perdesse o controle.
Aquele era o território do Patriarca; mesmo que ela gritasse com todas as forças, ninguém viria ajudá-la. Mesmo que chamasse a polícia, eles não ousariam entrar.
— Sua hipocrisia me dá nojo.
Bernardo afastou-se subitamente e saiu, batendo a porta com violência.
Alice soltou o ar, massageando levemente o queixo dolorido:
— O sentimento é mútuo.
...
— Se o Dr. Ricardo não tivesse me contado, eu nem saberia que esses dois queriam se divorciar. O que deu neles? Estavam tão bem, por que o divórcio agora? — o Patriarca resmungou, tomando seu chá de ginseng.
— Esse moleque do Bernardo... já tem idade e, em vez de se apressar para me dar um bisneto, fica inventando divórcio?
O governante Vagner tentou acalmá-lo:
— Senhor, não se exalte, isso faz mal à sua saúde. Na minha opinião, o patrão e a patroa estão apenas tendo uma briga de casal comum. No fim, não vão se separar. Lembre-se do quanto a patroa amava o patrão; ela não teria coragem de deixá-lo.
— Mas hoje eu observei bem... a Alice não parece mais sentir um pingo de amor por ele. Antigamente, não importava o erro que o Bernardo cometesse, ela era a primeira a defendê-lo.
— Eles acabaram de brigar, é normal.
— Pode ser. Hoje à noite, fique de olho: faça os dois dormirem no mesmo quarto. Casais se resolvem na cama. Não acredito que aquele moleque, jovem e cheio de energia, vá resistir a uma mulher linda como a Alice.
Vagner hesitou:
— Problema... o patrão acabou de sair.
— Foi para onde de novo?
— Bem... os empregados ouviram ele no telefone com a senhorita Isadora Matos.
O Patriarca ficou tão furioso que jogou o chá de ginseng no chão.
— Aquele idiota! Tem uma herdeira maravilhosa em casa e vai atrás de uma sonsa ilegítima. Ele quer me matar do coração!
...
Alice estava deitada na cama, com a cabeça a mil.
Com a intervenção do avô de Bernardo, o divórcio seria difícil.
Ela ligou rapidamente para Sofia, pedindo que preparasse um novo acordo e conversasse com os advogados de Bernardo para agilizar a assinatura.
De repente, um número desconhecido ligou. Alice atendeu:
— Alô?
— Alice, venha me buscar na Avenida Paulista, número 23.
A voz familiar, o tom frio.
Alice desligou sem pensar duas vezes.
O que Bernardo tinha na cabeça? Vivia ligando de números desconhecidos.
Do outro lado, Bernardo ouvia o sinal de ocupado, e seu rosto estava mais sombrio do que nunca.
— Troque o número de novo.
Maldita Alice, o havia bloqueado novamente.
— Bernardo Fontes, parou com a brincadeira? Eu quero dormir! — Alice gritou ao atender a nova chamada.
— Vou te dar apenas uma chance: venha me buscar.
— Você é um imperador por acaso? Se eu não for, minha família será executada? — Alice debochou.
Bernardo respirou fundo. Se não fosse o avô ligando sem parar ordenando que ele voltasse para ficar com Alice, ele jamais se daria ao trabalho de ligar para ela.
— Tudo bem. Então esqueça o acordo de divórcio.
— Espere! Chego em vinte minutos!
Ele curvou os lábios, mas logo sentiu um lampejo de autodepreciação.
Essa mulher realmente queria o divórcio ou era tudo encenação?
Alice saiu dirigindo o carro do Patriarca. Vagner, sabendo que ela ia buscar Bernardo, correu feliz para dar a notícia ao velho.
Ao chegar ao endereço, Alice baixou o vidro e esperou um pouco.
Era tarde e não havia quase ninguém na rua. Seus olhos varreram a calçada e, subitamente, pararam em um casal na esquina.
O homem e a mulher estavam muito próximos. Ele estava de cabeça baixa, olhando para algo.
A mulher sorria de forma radiante, o que era um insulto aos olhos de Alice.
O orgulho de Alice explodiu naquele instante.
Canalha!
Ela discou o número:
— Se você está ocupado se divertindo com mulheres, não me chame para te buscar! O meu tempo é precioso!
Bernardo franziu a testa e olhou para o lado. Chegou rápido.
Então ela viu. O telefonema irritado era ciúmes?
— Você realmente não quer desistir daquele concurso de perfumes? — Bernardo perguntou em voz baixa, mantendo a calma.
Isadora desfez o sorriso e fez um biquinho:
— Eu só quero provar que não sou um fardo. Bernardo, por que você não quer mais que eu participe?
Bernardo disse: — Não é que eu não queira, mas...
Alice queria aquela vaga.
— O pessoal da associação disse que eu terei que disputar a vaga com a Alice. Você acha que eu consigo?
— Fique tranquila, você não vai perder. A Alice é uma herdeira rica e poderosa, mas ela não entende nada de essências. Você vai vencer.
Isadora sabia que Alice estava no carro logo ali.
Ela se aproximou de propósito, querendo que Alice desistisse.
Ela ficou na ponta dos pés, tentando beijar o queixo de Bernardo.
Bernardo a empurrou bruscamente.
POW.
Ele usou força demais e Isadora caiu no chão.
— Ai!
Alice estava mexendo no celular, irritada.
Ao ouvir o grito, olhou de relance e viu Bernardo segurando Isadora pela cintura de forma rígida, enquanto a outra se fazia de coitada em seus braços.
Ela rangeu os dentes.
— Cafajeste! Vagabunda! Sem-vergonha!
Bernardo estava fazendo aquilo de propósito para ela desistir?
Claro, a favorita dele sempre foi Isadora.
Parecia que a intervenção do avô o deixou desesperado.
Ótimo.
Um estalo surgiu na mente de Alice. Ela abriu a câmera do celular e começou a filmar o casal.
Bernardo ajudou Isadora a se levantar e disse a Eduardo:
— Leve a senhorita Matos ao hospital.
— Bernardo, eu queria que você me levasse.
— Está tarde, eu preciso voltar.
— Mas...
Bernardo lançou um olhar severo e Isadora se calou.
Ela olhou com ódio para o carro de Alice e viu que ela estava filmando. Imediatamente, mudou de postura.
Aproveitando a distração de Bernardo, ela o abraçou:
— Bernardo, obrigada por me ajudar. Eu vou me esforçar.
Sua voz foi alta o suficiente para Alice ouvir de dentro do carro.
Alice: — ... Vadia sonsa.
Bernardo, contendo o nojo, não a empurrou novamente. Fez um sinal para Eduardo, que prontamente levou Isadora embora, quase à força.
Ele caminhou até o carro e Alice guardou o celular na frente dele.
— Por que não levou a senhorita Matos junto?
— Alice, me dê o celular.
— Ousado para fazer, mas covarde para assumir? Eu não desci para armar um barraco porque tenho classe, Senhor Fontes. Traição é doença, e tem cura.
Bernardo sentiu a veia da testa saltar.
— Você odeia tanto a Isadora assim?
— Não é ódio, é um asco que me dá náuseas só de olhar. Mas você não entende, ela é o seu tesouro, não é?
Alice deu partida no carro.
Bernardo sentou no banco do passageiro e a encarou por alguns segundos: — Eu e a Isadora...
— Não quero ouvir suas mentiras.
— Você...
Ele percebeu que o celular estava atrás da cintura de Alice. Curvou os lábios e esticou a mão para pegar.
— Bernardo, o que você está fazendo? — Alice sentiu o calor da mão dele em suas costas.
Ao perceber que ele tentava roubar o celular, ela se enfureceu: — Devolve!
Com uma mão no volante e a outra tentando recuperar o aparelho, ela se distraiu.
Um carro em alta velocidade surgiu no cruzamento. Alice não teve tempo de reagir e soltou um grito.
Bernardo inclinou-se instantaneamente, girando o volante e protegendo o corpo dela com o seu.
BUM!
O impacto violento fez a mente de Alice apagar por um tempo. A última coisa que ouviu foi o gemido de dor reprimido do homem ao seu lado.