Capítulo 9: Por que você não morre logo?
Alice Guimarães conteve o ódio avassalador em seus olhos, curvou os lábios vermelhos e sorriu:
— Se uma piranha quer fazer baixaria, a gente não pode impedir, não é?
Ela atendeu o telefone.
A voz vitoriosa de Isadora Matos ecoou:
— Alice Guimarães, você não imaginava, não é? Aquela vaga na competição que você tanto se esforçou para conseguir... para mim, basta uma palavra e o Bernardo consegue para mim.
— Não importa se você se casou com ele; ele não te respeita nem um pouco. A pessoa que ele ama de verdade sou eu.
— Além do título de Senhora Fontes, qualquer outra coisa que eu deseje, ele me dará.
Alice rebateu de forma certeira:
— O patriarca dos Fontes se recusa a te aceitar não apenas por você ser uma filha ilegítima, mas porque você não tem visão, não tem classe e não tem caráter. Uma mulher "sem nada" como você... só mesmo um cego como o Bernardo para se interessar.
— Você—!
Para Isadora, sua origem era sua maior ferida.
Ela foi devidamente provocada por Alice:
— Não importa o que você planeje, eu não vou deixar você conseguir o que quer. Participar do campeonato de perfumes? Continue sonhando!
— O poder do Bernardo Fontes não é tão grande a ponto de mudar o resultado final com apenas um telefonema.
— O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que você é burra. A evolução humana certamente te esqueceu. Se seus pais soubessem que você nasceria tão idiota, teriam te jogado no esgoto logo no parto.
Alice terminou de insultar e se preparou para desligar.
Isadora, relutante, gritou furiosa:
— Alice, por que você está tão orgulhosa? Você rastejou atrás do Bernardo por anos e ele nem sequer te tocou, não foi?
As veias da testa de Alice saltaram de raiva.
— E daí? Você se sente orgulhosa por ter sido mordida por um cachorro?
— Você está com inveja porque eu tenho o amor exclusivo do Bernardo!
Alice contraiu os lábios:
— Sim, estou com inveja de como alguém sem cérebro consegue domar um canalha. Lixo e lixo devem mesmo ficar juntos.
Dito isso, Alice desligou na cara dela.
Vitória, ao lado, comentou:
— Essa Isadora Matos sempre foi arrogante por causa do Bernardo. Todo mundo no nosso círculo teme o Bernardo, então dão um pouco de moral para ela. Ela realmente acha que virou a estrela de São Paulo e agora ousa te desafiar!
Alice lançou um olhar para a amiga:
— Vá direto ao ponto.
— Bem... o Bernardo realmente dormiu com ela e não com você?
— Vitória!
— Eu só acho que o Bernardo tem um problema de gosto. Deixar de lado a mulher mais bonita da cidade para mimar uma piranha cheia de defeitos... cadê o cérebro dele?
Corria o boato de que, após assumir o controle total dos Fontes, Bernardo iria revolucionar o cenário comercial de São Paulo e expandir os negócios por todo o país.
Ou seja, era apenas uma questão de tempo para ele se tornar um "deus" dos negócios na América Latina.
Como um homem tão lúcido e frio podia ser tão enganado por uma sonsa?
Alice cuspiu duas palavras:
— Masoquismo puro.
Ela foi buscar um café, irritada. Vitória atendeu uma ligação e logo correu para relatar:
— Descobri! A Isadora estudou perfumaria quando morou no litoral, foi aluna da mestra Lin Hua.
Alice estreitou os olhos ao ouvir o nome: — Lin Hua?
— Amiga, quando foi que você estudou perfumaria? Eu nem sabia.
— Lembra que eu fui sequestrada aos quatorze anos e meus pais me mandaram morar um tempo com meu tio?
— Foi naquela época? Mas você...
— Fique tranquila. Eu não vou perder para aquela piranha da Isadora.
Tendo recebido uma segunda chance, ela não perderia! Não podia perder!
Vitória não conseguia entender Alice.
Ela amava tanto o Bernardo, mas decidiu se divorciar num piscar de olhos.
Antes, ela abandonara a carreira pelo amor, permitindo que todos a criticassem; agora, de repente, decidira focar nos negócios. O que... teria acontecido nesse meio tempo?
Alice montou seu próprio laboratório de perfumaria no prédio do Grupo Guimarães.
Ela trabalhava durante o dia e passava o resto do tempo no laboratório.
Após dois dias nessa rotina, Sofia ligou dizendo que houve um progresso no divórcio e pediu para ela ir encontrá-la.
Ela foi até o
Rashomon
e entrou na sala VIP indicada por Sofia, mas não viu ninguém.
Nas sombras, surgiu subitamente uma silhueta alta.
O homem caminhava contra a luz; o contorno perfeito e a aura de nobreza a fizeram hesitar por um instante.
Ao reconhecer quem era, a frieza de Alice foi liberada instantaneamente:
— Bernardo Fontes, o que você está fazendo aqui?
— Como vamos fechar o divórcio se a parte interessada não está presente para conversar?
Alice refletiu por um momento e sentou-se elegantemente no sofá:
— Então, fale.
Bernardo observou a mulher à sua frente. Fazia dois dias que não a via; ela parecia cansada, mas cheia de energia, quase uma estranha:
— Você quer participar do campeonato de perfumes? Eu não sabia que você entendia disso. Não será apenas para provocar a Isadora?
Isadora mencionara que queria participar, mas não se inscrevera a tempo, por isso queria uma vaga na final.
Ele encarregou Eduardo de resolver isso.
Mas Isadora ligou ontem para ele, chorando, dizendo que Alice estava dificultando as coisas de propósito; que Alice soube do interesse dela e procurou o presidente da associação para impedi-la.
Ele lembrava que Alice não era uma pessoa tão mesquinha; caso contrário, teria atacado Isadora logo após o casamento, e não agora.
Mas ele queria ouvir da boca dela.
O rosto de Alice empalideceu levemente.
Ele veio questioná-la por causa de Isadora Matos.
Que lixo.
— Você interveio com a associação por causa da Isadora para dar a vaga a ela?
Bernardo estreitou os olhos afiados:
— Está com raiva?
— Tudo o que ela quer, você dá, não é?
— A Isadora é diferente para mim, Alice. Já que você se casou comigo, deveria estar do meu lado.
— Do seu lado para mimar a Isadora Matos? Bernardo, você ficou louco!
Sem mencionar que Isadora destruiu sua família na vida passada, nesta vida a posição de ambas era de esposa legítima versus amante. Como ele tinha a cara de pau de dizer aquilo?
— Alice, você não sabe nada de perfumaria. Por que insistir em competir com a Isadora?
— Ela entende do assunto. Ela só quer participar para provar o próprio valor.
— Se você for sensata e desistir dessa vaga, eu posso te compensar.
Bernardo pretendia ver Alice para tratar do divórcio, mas assim que abriu a boca, a conversa virou uma disputa pela vaga.
Ele olhou para a expressão decepcionada e fria de Alice e sentiu um breve torpor.
Essa mulher, que claramente não sabia nada de perfumes, estava usando o Grupo Guimarães para esmagar Isadora apenas por ciúmes? Não era exagero?
— Bernardo, se você gosta tanto da Isadora, assine logo o divórcio. Eu prometo que não aparecerei mais na frente de vocês para incomodar. E quanto à vaga, ela é minha. Nem você poderá me impedir!
Bernardo perdeu a paciência e segurou os ombros de Alice:
— Uma simples vaga vale tanto assim para você me olhar com esse ódio?
— Vou dizer pela última vez: essa vaga é minha, Alice Guimarães!
Ela ergueu o rosto, encarando-o sem qualquer medo.
Bernardo tentou ler o que havia no fundo dos olhos dela através do olhar.
Mas ele não conseguia decifrá-la.
Se fosse ciúme, por que ela não demonstrava nem um pingo de devoção, mas apenas uma hostilidade constante?
E por que ela estava atacando a Isadora de repente?
— Bernardo, se você quer mimar o seu "anjo puro", escolha qualquer outra forma. Por que tem que ser algo que me enoja?
Alice falava enquanto empurrava Bernardo.
Bernardo baixou o tom de voz:
— Se você parar de perseguir a Isadora, eu posso tentar fazer nosso casamento dar certo.
Aquele era o seu limite final.
Alice sentiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo!
Houve um tempo em que ela desejava desesperadamente que ele a aceitasse e vivesse com ela. Quem diria que seria tão fácil?
Mas que ironia terrível!
Ela não conseguiu conter a fúria. Abaixou a cabeça e mordeu o braço de Bernardo com força.
O gosto de sangue se espalhou por sua boca. Alice sentiu um alívio momentâneo. Olhando para o rosto sofrido do homem, ela sorriu com desprezo:
— Por que você não morre logo?