Era mais um dia 9 de setembro.
Alice Guimarães saiu cedo do trabalho e, assim que chegou em casa, correu para a cozinha.
Abriu um vídeo tutorial no celular e começou a seguir os passos cuidadosamente para preparar o jantar.
Em pouco tempo, a cozinha, antes impecável e organizada, tornou-se uma bagunça completa nas mãos dela.
Gordura espirrava no fogão e a panela estalava.
Alice segurava a tampa da panela como um escudo à sua frente, enquanto a outra mão se esticava cautelosamente, tentando virar o bife.
Justamente nesse momento, o celular tocou.
Ela pegou o aparelho e o prendeu entre o ombro e a orelha. — Alô?
— Esposa — a voz terna de Gabriel Cavalcante veio do outro lado. — Já posso ir para casa?
De repente, a panela deu um estalo alto e uma gota de óleo quente saltou, atingindo exatamente o dorso da mão dela.
Alice inspirou profundamente, soltando um gemido baixo de dor.
— O que houve? — O tom de Gabriel ficou tenso imediatamente.
— Nada... o óleo espirrou na minha mão por acidente.
— Desligue o fogo agora e coloque a mão sob água fria por pelo menos cinco minutos — ordenou ele, já caminhando a passos largos para fora do escritório. — Há uma maleta de primeiros socorros no armário de baixo, tem pomada para queimadura. Estou chegando.
Quando ele entrou em casa, Alice estava na cozinha, com uma expressão desolada, olhando para a bagunça de ingredientes e utensílios sobre a bancada.
Gabriel aproximou-se e pegou a mão dela para examinar. — Ainda dói?
Alice balançou a cabeça. — Coloquei na água fria e passei a pomada, já está bem melhor.
Ela baixou os olhos, desanimada: — Eu queria preparar um jantar à luz de velas para te fazer uma surpresa, mas parece que virou um susto...
— Não tem problema, só a sua intenção já me deixa feliz — Gabriel acariciou a cabeça dela. — Vá descansar, deixe o resto comigo. Vai ficar pronto logo.
— Tá... — Alice deu dois passos, mas não resistiu e olhou para trás: — Quer que eu te ajude como assistente?
— Bebê, você tem certeza de que vai ajudar... — Gabriel arqueou a sobrancelha — ...ou vai atrapalhar?
Alice corou e retirou-se obedientemente da cozinha.
Gabriel colocou o avental, dobrou as mangas e começou a cozinhar de forma metódica.
Em pouco tempo, a mesa estava farta: vieiras seladas ao molho de manteiga e limão, sopa de cogumelos com trufas, bifes de Wagyu japonês no ponto perfeito e duas taças de vinho Romanée-Conti já aeradas.
Alice trouxe um buquê de rosas vermelhas frescas para o centro da mesa, apagou as luzes principais e acendeu velas aromáticas de íris branca em um castiçal de cristal em forma de coroa.
A sala de jantar tornou-se instantaneamente doce e romântica.
Quando Gabriel finalizava os detalhes, sentiu um aperto em sua cintura.
Alice o abraçou por trás, encostando o rosto em suas costas: — Marido, obrigada pelo esforço.
Ele sorriu involuntariamente e deu tapinhas leves na mão dela. — Está quase pronto, vá esperar na mesa.
— Não quero, quero ficar com você.
Ela não o soltou, agindo como um grude. Para cada passo que ele dava, ela o seguia. O coração de Gabriel transbordou de calor.
— Pronto, vamos comer. — Ele a pegou no colo com um braço e levou a sobremesa com a outra mão. Sentou-a na cadeira e ela ergueu a taça: — Marido, feliz aniversário de três anos!
As taças tilintaram, refletindo o brilho das velas no vinho tinto.
Após o jantar, aninharam-se no sofá para ver um filme, mas a atenção logo se desviou da tela.
A mão de Gabriel pousou na cintura dela e a temperatura subiu. Alice entrelaçou seu dedo mindinho ao dele.
Ele a beijou com sede, explorando seus lábios e provocando gemidos suaves. Entre as sombras das velas, os batimentos cardíacos e a respiração se fundiram.
Gabriel a carregou em direção ao quarto principal, com as pernas dela envolvidas em sua cintura.
O curto trajeto levou quase dez minutos entre paradas e beijos. No banheiro, ele apertou as curvas dela: — Banho juntos?
Lembrando-se do segredo no closet, Alice o empurrou levemente: — Vá tomar banho no outro quarto.
— Por quê?
— Só vá logo! — Com o rosto fervendo, ela o expulsou e correu para o closet, pegando uma peça de roupa em uma gaveta escondida.
Gabriel esperou Alice terminar e, quando ela saiu, usava apenas um roupão de banho rosa, com os ombros úmidos.
Ele a sentou no sofá e secou seu cabelo com paciência.
De repente, Alice sentou-se a cavalo no colo dele e guiou as mãos dele para o cinto do roupão.
— Bebê, o que tem por baixo? — perguntou ele com o olhar profundo.
— Olhe e descubra — sussurrou ela.
Ele puxou o cinto e o roupão deslizou, revelando uma camisola de renda rosa transparente e provocante.
Gabriel engoliu em seco.
Alice mordeu o lábio e virou-se de costas para ele no colo dele.
Gabriel travou.
Atrás da camisola, havia uma surpresa maior: uma cauda branca e felpuda que balançava conforme seus movimentos.
— Bebê... — a voz de Gabriel estava rouca de desejo. — Esta noite, por trás... pode ser?
Alice recostou-se no peito dele, olhando-o com brilho nos olhos: — Pode ser...
O quarto estava escuro, iluminado apenas por uma luz suave.
Gabriel observava as costas alvas de Alice e a cauda felpuda com fascínio, marcando a pele dela com beijos ardentes como se demarcasse seu território.
Ao esticar a mão para o criado-mudo, percebeu que a gaveta estava vazia. Haviam usado a última caixa no fim de semana anterior.
Gabriel fechou os olhos, lutando contra o instinto: — Esposa, acabaram os preservativos. Vou sair para comprar, me espere.
Alice virou o rosto, a luz revelando sua face ruborizada. Ela mordeu o lábio e sussurrou: — Tudo bem se não tiver.
Gabriel paralisou, as veias do pescoço saltadas, o suor escorrendo. — Não é seguro...
— Eu quero um bebê — ela disse, com os olhos úmidos e cheios de expectativa. — Você não quer?
Como ele não quereria?
Gabriel sentiu cada músculo de seu corpo tensionar. — Tem certeza?
— Sim — ela se moveu, balançando a cauda felpuda em um convite silencioso. — Marido...
...
Após a tempestade de prazer que atingiu cada nervo, Alice sentia-se flutuar. Gabriel a abraçou, acariciando suas costas suadas e sussurrando palavras de conforto em seu ouvido.
Alice sentia-se segura e aquecida, como se estivesse em uma terma.
Ela encostou o rosto no peito dele, ouvindo as batidas do coração de Gabriel se acalmarem aos poucos.
Fechou os olhos, pousando a mão sobre o ventre, com um sorriso doce no rosto, começando a ansiar por uma possível surpresa.
FIM