Três batidas firmes soaram na porta, seguidas pela voz terna de Gabriel: — Nini, eu vim te buscar.
Pequena Ci e Clara se entreolharam, encostadas na porta, ouvindo Lucas Zhou, que bloqueava a entrada, testar Gabriel com perguntas.
— O que a Nini gosta de comer?
Gabriel respondeu sem hesitar: — Pato com oito tesouros, enguia refogada e o meu mingau de camarão.
— Qual o sabor de bebida favorito dela?
— Limão.
— Cores favoritas?
— Amarelo e rosa.
— Estilista favorito?
— Coco Chanel.
Ele respondia a tudo com fluidez. Lucas, sem mais cartas na manga, afastou-se: — Você é bom, eu admito!
O segundo obstáculo era Clara. Ela limpou a garganta e perguntou em voz alta: — Qual o número do sapato da Nini? 37 ou 38?
— Nenhum dos dois, é 36.
— No primeiro encontro de vocês, que roupa ela estava usando?
— Um vestido branco.
— Qual o ator favorito dela?
Houve um momento de silêncio do lado de fora. Alice sussurrou: — Ele não deve saber, eu nunca contei.
Clara comemorou: — Hora de pedir envelopes vermelhos (dinheiro)!
Mas, no segundo seguinte, a voz convicta de Gabriel soou: — Xu Shu.
Alice arregalou os olhos. — Como ele sabe?
Pequena Ci riu: — Clara, inventa algo mais difícil.
Clara pensou por um instante e sorriu astuta: — Hoje é o dia número quanto que vocês estão juntos?
— Dia 296.
Clara olhou para Alice, que assentiu sorrindo. Ela jogou as mãos para o alto: — Ele é bom demais, eu me rendo! Ci, sua vez.
Pequena Ci pensou rápido e riu: — Em 30 segundos, cante 3 frases de músicas românticas diferentes que contenham a palavra "amor".
Ao ouvirem isso, todos riram ao imaginar o rígido e frio Gabriel Cavalcante cantando em público.
Dessa vez, ele realmente travou. Ele conhecia pouquíssimas músicas.
Olhou para Artur pedindo socorro.
Artur segurou o riso e começou: — Você me ama, eu te amo... — e cantarolou um jingle chiclete.
Gabriel ficou atônito. Artur o apressou: — Eu canto e você repete, rápido!
Gabriel fechou os olhos e, em um ato de puro desespero, começou a cantar junto.
As madrinhas e padrinhos quase morreram de rir.
Gabriel Cavalcante, o grande CEO, cantando músicas infantis e bregas para conseguir entrar no quarto.
A porta finalmente foi aberta.
Os padrinhos entraram primeiro, distribuindo envelopes vermelhos e abrindo caminho para o noivo.
Gabriel entrou com passos largos, impecável em seu terno azul-marinho, exalando confiança.
Ele carregava um buquê de rosas vermelhas equatorianas, intensas e suaves.
Com apenas um olhar, ele encontrou Alice.
Ela estava sentada sobre a colcha vermelha nupcial, coberta por um véu branco e usando uma coroa de rubis.
A pedra da coroa combinava perfeitamente com o broche de Gabriel; era um presente de Augusto feito sob medida.
Ela usava um vestido de noiva de renda pesada ombro a ombro, adornado com pérolas e diamantes que realçavam sua cintura fina. Estava deslumbrante, uma fada que descera à terra.
— Nini, eu cheguei. — Gabriel ajoelhou-se diante dela, calçou seus sapatos de noiva e, em seguida, a pegou no colo, levando-a para fora.
O dia estava radiante, com uma brisa suave. Um dia perfeito para casar.
Na propriedade privada dos Cavalcante, os Rolls-Royce entravam em fila.
Da entrada até o salão principal, o caminho estava repleto de rosas vermelhas.
As paredes exibiam as fotos do ensaio na Nova Zelândia — trocando olhares profundos na praia, beijos suaves diante do castelo e admirando o pôr do sol no topo da montanha.
Dentro do salão, mil convidados aguardavam.
Subitamente, as luzes se apagaram e os primeiros acordes de
"A Thousand Years"
ecoaram na escuridão.
As grandes portas esculpidas abriram-se lentamente, e Alice surgiu banhada pela luz solar. Ela olhou para frente e viu Gabriel no fim do tapete vermelho.
Eles sorriram um para o outro.
Ela caminhou pelo tapete de braço dado com Augusto Guimarães, segurando seu buquê e sorrindo entre lágrimas.
Os lustres de cristal acendiam-se conforme ela passava, iluminando seu caminho.
Ao mesmo tempo, Gabriel caminhava ao encontro dela com passos firmes.
Ao longo daquela estrada iluminada e florida, eles caminharam um em direção ao outro com determinação, devoção e ardor.
Nos anos que viriam, eles caminhariam de mãos dadas por todos os amanhãs brilhantes, até que a morte os separasse.
— (Fim da História Principal) —