A brisa noturna entrava pela janela entreaberta, agitando as leves cortinas de gaze branca e revelando um vislumbre da primavera no interior do quarto.
Gabriel Cavalcante segurava a garota que reclamava dengosa em seus braços, ajustando-a em uma posição mais confortável.
Seus músculos das costas, firmes e definidos, destacavam-se enquanto ele a envolvia completamente.
Recostado nos travesseiros, em uma postura preguiçosa e elegante, ele a observava com um olhar profundo, traçando cada mudança em sua expressão.
Alice Guimarães, sentada em seu colo com as pernas em torno de sua cintura, não aguentou o olhar intenso e escondeu o rosto fervoroso na curva do pescoço dele.
Ela era como um broto recém-nascido sob uma tempestade, tremendo em seus braços, prestes a cair. O prazer era tanto que quase a fazia perder a razão; até sua alma parecia render-se ao desejo. Sem forças, ela implorou baixinho.
— Bebê, me chama de marido? — ele pediu.
Alice, com as orelhas vermelhas, virou o rosto, recusando-se. Gabriel forçou o rosto dela de volta, oferecendo uma condição tentadora: — Se me chamar de marido, eu te deixo descer.
Alice lançou-lhe um olhar indignado. — Então por que você não me chama de esposa?
Essa pergunta pareceu ativar um interruptor nele. Pela hora seguinte, uma única palavra ecoou nos ouvidos de Alice:
— Esposa.
— Esposa, você é tão cheirosa...
— Esposa, você é linda...
— Esposa, eu te amo...
Alice, morrendo de vergonha, tapou os ouros. — Pare de me chamar assim!
Gabriel, incansável, continuou até que ela, preocupada com a saúde dele em recuperação, aceitasse uma série de "acordos desiguais".
— Promete? — ele perguntou.
— Prometo! Temos a vida inteira pela frente, não temos?
— Temos, minha esposa.
Na manhã seguinte, a luz do sol entrava pelas frestas da cortina. Alice observava o perfil de Gabriel enquanto ele dormia profundamente.
Quando ela se moveu, ele a puxou para mais perto, roçando o queixo no topo de sua cabeça.
— Bom dia — ele sussurrou ao acordar, com a voz rouca. — Esposa.
O bom humor de Gabriel durou o dia todo, até receber uma mensagem de Alice antes de sair do trabalho:
"Vou jantar com o Marcos hoje, não me espere para comer."
Gabriel apertou o celular e respondeu entre dentes:
"Tudo bem."
Enquanto jantava sozinho e tentava ler no escritório, ele olhava o relógio a cada cinco minutos.
Incapaz de se conter, enviou oito mensagens seguidas para ela: desde
"Que horas volta?"
até
"Não quero te sufocar, você é livre"
, terminando com um patético
"Esposa..."
.
No restaurante, Alice riu ao ler as mensagens. Marcos Zhou, vendo o sorriso dela, sentiu o gosto amargo da derrota.
— Marcos, me desculpe... — disse ela baixinho.
— Você... se apaixonou por ele? — ele perguntou, com o coração apertado.
— Sim.
A resposta firme e decidida foi como um golpe para Marcos. — Tem que ser ele?
— Sim.
Marcos suspirou, desejando-lhe felicidade e avisando que voltaria para os EUA no dia seguinte.
Alice prometeu levá-lo ao aeroporto. Quando Gabriel chegou para buscá-la, Marcos e ele se encararam em silêncio no camarote.
Marcos levantou-se e disse: — Cuide bem dela.
Diante do rival derrotado, Gabriel recuperou sua elegância superior: — Uhum.
— Se você a fizer sofrer o mínimo que seja, eu voltarei para tomá-la de você — completou Marcos.
O sorriso de Gabriel sumiu. — Pode tirar o cavalinho da chuva.
No caminho de volta, Alice viu um outdoor gigante no Centro com o novo modelo em ascensão, Tiago.
Ela teve a ideia de convidá-lo para ser o rosto da linha masculina da Lanxu e participar de seu projeto de formatura.
Ao ligar para Tiago por vídeo, Gabriel ficou ao lado, exalando uma pressão gélida.
— Você terminou com seu namorado? — perguntou Tiago no final da ligação.
— Não... nós nos casamos — respondeu Alice, sem coragem de olhar para o marido.
— Entendi. Me avise quando se divorciar. Até amanhã.
Alice tentou acalmar Gabriel: — Tiago gosta de brincar, não leve a sério.
— Só é brincadeira quando os dois lados acham graça — rebateu Gabriel, com ciúmes.
Ao saber que Alice teria que tirar as medidas de Tiago pessoalmente — o que envolvia proximidade física e até detalhes íntimos para o corte do terno —, Gabriel paralisou.
— Eu disse para você não falar mais com ele — ele cobrou.
— Mas é para o meu trabalho de formatura!
Gabriel ficou em silêncio, o rosto rígido. Alice sentou-se no colo dele: — Por que não fala nada? Me diga o que quer.
— Tudo bem — ele finalmente disse. — Não use ele como modelo.
— Mas eu já combinei! E quem eu vou usar?
Gabriel sorriu levemente. — Eu.
Alice arregalou os olhos. Gabriel era perfeito: ombros largos, pernas longas e uma influência no círculo da alta sociedade que nenhum modelo teria.
— Mas você é fotogênico? — ela brincou, lembrando das fotos sérias do casamento. — Você fica com cara de iceberg.
Gabriel a puxou pela cintura: — Se eu estiver olhando para você, não ficarei assim.
Alice sorriu, feliz da vida, e o beijou.
Enquanto o Bentley deslizava pela noite de primavera sob as luzes de neon, os dois se entregaram a um beijo apaixonado, celebrando o amor que agora florescia plenamente.