Gabriel parou, olhando fixamente para ela, como se não tivesse ouvido bem. De sua garganta, escaparam duas palavras: — Divórcio?
— ...Sim. — Alice não teve coragem de encará-lo e virou o rosto.
Gabriel segurou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele, com o semblante sombrio. — Eu já não te disse para nunca mais mencionar essa palavra?
O aperto dele doía, e Alice não conteve as lágrimas. — O divórcio talvez seja o melhor para nós dois...
— Uma ova! — Ele soltou um palavrão raríssimo.
Como se subitamente pensasse em algo, seus dedos se apertaram ainda mais e sua voz gelou: — Você ainda gosta do Marcos Zhou? Quer se divorciar para ficar com ele? Pois eu te digo: nem pense nisso.
Alice balançou a cabeça freneticamente.
Gabriel interpretou a negação como resistência. Tomado pelo pânico, ele a beijou com urgência, querendo calar qualquer palavra que não quisesse ouvir.
Ele a dominou, os lábios explorando cada canto com uma possessividade feroz, engolindo sua respiração e suas explicações não ditas.
Apesar da força, seu rosto revelava uma vulnerabilidade e mágoa difíceis de esconder.
Ele prendeu os pulsos dela acima da cabeça com uma mão, enquanto a outra forçava-a a aceitar sua invasão profunda.
O gosto doce do chá de alcaçuz ainda estava na boca dela, mas Gabriel sentiu um travo amargo.
Eram as lágrimas dela.
Ele beijou o canto de seus olhos, secando a umidade. — Bebê, esqueça ele.
Soou como uma ordem, mas também como um súplica.
Quando finalmente teve fôlego, Alice sussurrou: — N-não é o que você está pensando. Eu só...
Gabriel encostou a testa na dela, os olhos fixos nos dela. — Só o quê?
— Eu só... tenho medo de te prejudicar — soluçou Alice. — Sua tia disse que sou um pára-raios de desgraça, que vou destruir todos ao meu redor!
Gabriel explodiu: — Que absurdo!
Alice estremeceu. Gabriel suspirou, sentando-a em seu colo. — Bebê, não estou bravo com você. Não acredite em uma única palavra dela.
— Mas — as lágrimas de Alice voltaram a cair —, minha avó morreu, meus pais também, meu avô está em coma e eu fiz você se ferir... Gabriel, eu estou com medo!
Gabriel a confortou, explicando que nada daquilo era culpa dela, mas sim de Renato Guimarães.
Ele ainda brincou que, se houvesse "prejuízo", fora ele quem a prejudicara, atraindo invejosos como Valter e Xue. Alice acabou rindo em meio às lágrimas.
Ela perguntou sobre o monge que vira na sala.
Gabriel esclareceu que Helena, sendo de Hong Kong e tradicional, pedira para lerem a sorte dele após o acidente.
O monge dissera que ele tinha um "destino solitário" originalmente, mas que a sorte mudara e agora seu destino de união estava forte.
Alice sentiu um alívio imenso. — Verdade?
— Verdade — Gabriel sorriu. — Agora, nada de divórcio, ou eu terei que te castigar.
Ele a beijou com ternura, descendo pelo pescoço até os ombros.
Alice, agora totalmente entregue e dócil, deixava que ele fizesse o que quisesse.
Gabriel sentiu seu coração transbordar. Ele retirou a blusa dela e a beijou.
Ao sentir a prontidão dele, Alice lembrou-se: — O médico disse... você não pode fazer esforço abdominal...
Gabriel, com o olhar em chamas, sussurrou: — Bebê, você no comando hoje.
...
Lá fora, a brisa da primavera balançava as magnólias. Lá dentro, a paixão era plena.
Alice acordou radiante após uma noite de sono reparador. Ao descer, deparou-se com um clima de guerra na sala.
Eunice Cavalcante gritava com Gabriel: — Sou sua tia de sangue! Você está me humilhando por causa de uma estranha?
Gabriel não recuou: — Alice não é estranha. Estranha é a senhora, que ajudou um criminoso a ferir a própria família.
Gabriel mostrara as provas de que Eunice e Renato mancomunaram para dopar Alice. Ji estava em prantos ao descobrir a verdade sobre a mãe. Eunice tentou pedir desculpas através da filha, mas Alice foi categórica:
— Ji, eu te desculpo porque você não sabia de nada. Mas para ela... não há perdão.
Ricardo Cavalcante interveio com autoridade: — Eunice, leve a Ji de volta para o Rio de Janeiro. De agora em diante, não volte mais. Vou anunciar publicamente que você não faz mais parte da família Cavalcante.
Eunice ficou em choque. Ricardo citou a regra número um da família: união e proteção mútua. Eunice fora expulsa. Ji, aos prantos, arrastou a mãe dali.
Após a saída delas, Alice e Gabriel foram para o hospital.
No carro, Gabriel revelou as descobertas mais sombrias: Renato subornara uma empregada para envenenar a comida de Augusto, causando a tosse com sangue, e mantinha o pai dopado para que não acordasse.
Alice ficou estática. A crueldade de Renato com o próprio pai a deixou sem fôlego. Mas uma dúvida a atingiu: — Gabriel... você acha que meu avô sabia que o Renato matou meus pais?
Gabriel a abraçou enquanto ela ligava os pontos. Augusto nunca mencionara a volta de Renato, e sempre evitava o assunto.
— Ele sabia... — Alice chorou amargamente. — Ele sabia e apenas o mandou para a Europa. Eu o odeio por isso!
No hospital, cruzaram com Vitor. O rapaz, agora mais maduro, despediu-se de Alice. Voltaria para a Inglaterra para cuidar da mãe, que sofrera abusos de Renato durante anos. Alice o perdoou e pediu que voltasse para visitar o avô.
Sozinha no quarto com o Sr. Augusto, Alice limpava o rosto do avô com uma toalha morna. Olhando para aquele homem envelhecido, ela desabou:
— Vovô, por que escondeu isso de mim? O Renato matou meus pais e o senhor o deixou ir. Eu te odeio!
Ela enterrou o rosto no cobertor, soluçando. — Acorde logo para eu poder te xingar! E depois que eu te xingar... eu te perdoo. Sinto tanto sua falta...
De repente, uma mão envelhecida e trêmula levantou-se com dificuldade e pousou sobre a cabeça de Alice.
O choro dela parou no ato.
Uma voz fraca, vinda de muito longe, sussurrou:
— Nini... não chore...