Gabriel Cavalcante tinha uma constituição física forte; a febre alta da madrugada baixou logo na manhã seguinte.
Ao abrir os olhos, viu Alice Guimarães encolhida em seus braços, dormindo tranquilamente. Ele ajeitou a coberta e beijou o topo de sua cabeça.
A dor no ferimento abdominal ainda persistia, mas servia para manter sua mente alerta.
Ele começou a revisar todo o caso de Renato Guimarães, percebendo dois detalhes negligenciados: qual era a ligação entre Clarice e Renato? E a medicação do Sr. Augusto no hospital teria sido alterada?
Gabriel enviou mensagens para Felipe e para Xue (Xande).
Ao ver a mensagem de Gabriel, Xande empalideceu. Uma investigação interna no Hospital Anchieta revelou o impensável: Zulmira, mãe de Xue e madrasta de Xande, estava sabotando o Sr. Augusto sob ordens de Renato.
Furioso, Xande ordenou que Zulmira e o cúmplice fossem trancados no porão, sem vazamento de notícias, e denunciou anonimamente as tentativas de Zulmira de tirar Xue da prisão.
Xande enviou um pedido de desculpas humilde a Gabriel, assumindo todos os custos e garantindo que cuidaria pessoalmente do Sr. Augusto.
Gabriel respondeu secamente: "Apenas desta vez. Não haverá outra."
No hospital, Thales apareceu para visitar Alice. Sentindo-se culpado e acabado, ele tentou pedir demissão do cargo de CEO Executivo da Changyao.
— Eu não aceito — disse Alice com firmeza.
Thales ficou atônito.
Alice explicou que sabia que ele fora chantageado por Renato e que confiava na amizade que ele tinha com seu falecido pai.
— O vovô está em coma, Thales. Você tem coragem de me deixar carregar esse fardo sozinha?
Comovido, Thales desabou em lágrimas e prometeu lealdade eterna ao Grupo Changyao.
Alice voltou para o quarto e deitou-se ao lado de Gabriel.
Ela contou que daria uma chance a Thales, pois ele era o melhor gestor para o momento, mas que ela mesma começaria a assumir as rédeas do grupo.
— Mas você não queria ser designer? — perguntou Gabriel.
— Ainda posso ser, mas não como profissão principal. O Changyao é minha responsabilidade agora — sorriu Alice.
Quando ela adormeceu, Gabriel enviou uma mensagem para Bia:
「Não apareça mais na frente da Alice. E nunca deixe que ela saiba que você é a filha daquele motorista.」
A resposta de Bia veio muito tempo depois, em uma única palavra:
「Tudo bem」.
Abril chegara e as begônias estavam em plena floração.
No quarto de hospital, Alice flagrou Gabriel de pé perto da janela e deu uma bronca: — Por que levantou de novo? O médico disse para ficar na cama até os pontos cicatrizarem bem!
Gabriel obedeceu como uma criança castigada, voltando para o leito.
Alice começou a cuidar dele, limpando seu corpo com uma toalha e água morna, como vinha fazendo desde a cirurgia.
O que antes era necessidade, agora era o "privilégio" de Gabriel.
Ele adorava ser cuidado pela esposa doce e perfumada. Artur, em uma visita, quase revirou os olhos ao ver Gabriel pedindo água na boca para Alice.
Porém, o cuidado tornou-se tortura quando a mão de Alice roçou a coxa de Gabriel. A reação dele foi imediata.
— Bebê, não terminou de limpar — sussurrou ele, prendendo o pulso dela.
— Não pode parar no meio do caminho.
Alice tentou resistir, temendo pelo ferimento dele, mas acabou cedendo às provocações. Algum tempo depois, com o rosto fervendo, ela foi se lavar. Gabriel a puxou para a cama assim que ela voltou.
— Bebê, suba aqui.
— Ficou louco? O médico disse que você não pode fazer esforço abdominal!
Gabriel sorriu, apontando para o próprio rosto: — Eu vou seguir as ordens médicas. Venha aqui.
...
A noite estava silenciosa sob o balanço das begônias. Dentro do quarto, a paixão era intensa.
Alice, com o olhar perdido e mordendo o lábio, lutava contra a gravidade para não sobrecarregar o marido. Sua resistência foi esmagada pelos beijos e carícias dele.
Quando tudo terminou, ela desabou ao lado de Gabriel, exausta.
Gabriel, satisfeito, continuou mimando-a até que ela dormisse, enquanto ele mesmo lidava com a frustração de ainda estar em recuperação.
Dias depois, Gabriel finalmente recebeu alta. Helena organizou um banquete em casa.
Como ele não podia beber álcool, Alice assumiu a frente e bebeu por ele cada vez que um parente propunha um brinde.
Gabriel tentou impedi-la, mas Alice estava radiante com a volta dele para casa.
No final da festa, ela estava visivelmente embriagada. Gabriel quis carregá-la, mas Dona Maria o impediu, lembrando das ordens médicas sobre não carregar peso.
Gabriel teve que assistir Maria levar sua esposa para o quarto e segui-las em silêncio.
Alice acordou ao pôr do sol. Com a cabeça pesada, desceu as escadas. No caminho para a sala, ouviu vozes vindas do jardim de inverno. Eram Helena, Gabriel e um monge de aparência sábia.
A voz do monge era baixa, mas Alice ouviu claramente as palavras: "Estrela solitária", "destino infeliz".
O sangue de Alice gelou. As palavras de Eunice voltaram como um pesadelo: "Você é um pára-raios de desgraça...". Ela correu de volta para o quarto, sentindo-se sem forças. Se as pessoas que ela amava também pensavam assim... ela não suportaria.
Gabriel entrou no quarto pouco depois com uma sopa de feijão verde. Viu Alice apática e a alimentou com paciência.
— Você está se sentindo mal? — perguntou ele, limpando o canto da boca dela.
Alice finalmente reagiu, olhando-o nos olhos com uma tristeza profunda. Após um longo silêncio, perguntou baixinho:
— E se... nós nos divorciarmos de verdade?