Zulmira soltou as mãos, prostrada, caindo sentada no chão; toda a sua força parecia ter sido drenada por aquela frase.
Bia agachou-se, ajudando-a a levantar, forçando-a a encará-la: — Mãe, você quer mesmo me ver atormentada pela dor e pela culpa pelo resto da vida? Conte-me tudo, mãe, eu te imploro...
Uma lágrima quente rolou do canto do olho de Zulmira, e com os lábios trêmulos, ela abriu o segredo sangrento guardado por anos no fundo do coração.
— Bia, o acidente de carro daquela época... não foi um acaso.
— Seu pai... ele foi instigado por outra pessoa para causar propositalmente aquele acidente na rodovia.
— A pessoa que deu a ordem foi Renato Guimarães, o tio da Alice.
Bia abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ela olhou para Zulmira de forma estática, como um corpo do qual a alma tivesse sido roubada.
— Bia, Bia! — Zulmira entrou em pânico total, sacudindo as mãos dela. — Não assuste a mamãe, Bia! Diga alguma coisa!
O mundo parecia ter entrado em vácuo; Bia não ouvia nada, via apenas o rosto aterrorizado de Zulmira, embaçado e distorcido.
Ela desabou lentamente e, no último instante antes da consciência ser engolida pela escuridão, a imagem de Alice surgiu — ela segurando um guarda-chuva rosa, caminhando apressada até Bia para cobri-la: "Bia, você esqueceu o guarda-chuva de novo?".
Em meio à névoa da chuva, o sorriso dela era tão radiante e acolhedor.
...
No mundo escuro e pesado, ainda chovia. Pingos caíam em seu rosto, úmidos e frios. Bia abriu as pálpebras pesadas como chumbo e percebeu que era Zulmira quem chorava.
— Bia! — Zulmira gritou de alegria. — Você acordou? Bia!
— Mãe — Bia soltou uma voz fraca —, que... que horas são?
— Onze da manhã, você ficou desmaiada por quase seis horas — os olhos de Zulmira estavam vermelhos. — Quase matou a mamãe de susto.
— Meu celular, onde está meu celular?
— Aqui — Zulmira entregou depressa. — Você acabou de acordar, descanse primeiro...
Bia o arrancou da mão dela e discou para Alice. Do outro lado, a voz mecânica e fria informou: — "Desculpe, o número discado está desligado, por favor tente mais tarde."
Bia jogou o cobertor para o lado, arrancou a agulha do soro do dorso da mão e correu para fora da cama.
— Bia! — Zulmira gritou atrás dela. — Onde você vai?
— Para São Paulo! — Bia correu até o portão do hospital e pulou em um táxi. — Motorista, para o aeroporto!
No carro, ela tentou ligar novamente para Alice, mas o celular continuava desligado. O coração de Bia começou a afundar.
Ela tentou se acalmar: talvez Alice apenas tivesse esquecido de carregar. Com as mãos trêmulas, procurou o contato de Moana no WhatsApp. Chamou várias vezes, mas ninguém atendeu.
— Moça, chegamos ao aeroporto.
Bia pagou a corrida e disparou para o terminal. Teve sorte: o próximo voo para São Paulo era em 45 minutos.
Após uma corrida frenética, ela conseguiu embarcar no último minuto. Já no assento, abriu o navegador do celular e pesquisou por Gabriel Cavalcante.
Pela sua aura, ela sabia que ele não era uma pessoa comum.
Finalmente, viu aquele rosto gélido e nobre na tela: CEO do Grupo Cavalcante, Gabriel Cavalcante.
Ela ligou para o número oficial da empresa.
— Olá, recepção do Grupo Cavalcante.
— Olá! Tenho um assunto urgente com o seu presidente! Por favor, me transfira.
A recepcionista hesitou: — Senhora, qual seria o assunto? Deixe seu nome e contato...
— Meu nome é... — Antes de terminar, o celular de Bia apitou e desligou sozinho. Bateria zerada.
Ela tentou pedir o celular emprestado ao passageiro ao lado, mas foi rudemente ignorada devido aos avisos de decolagem.
Bia passou as duas horas de voo em brasas. Assim que o avião pousou, ela correu para o prédio do Grupo Cavalcante.
No táxi, tentou ligar para Alice de novo: ainda desligado.
Ao chegar na recepção da empresa, ofegante, ela disse: — Eu... eu preciso falar com o presidente Gabriel Cavalcante!
A recepcionista pediu agendamento.
— Eu não tenho! É urgente! — Bia a interrompeu. — A namorada do Sr. Cavalcante pode estar em perigo de morte!
A recepcionista travou. O Sr. Cavalcante tinha namorada?
Nesse momento, Vivien (agora assistente administrativa) passava por ali e reconheceu o nome de Alice.
— Senhora, você tem uma foto dela?
— Tenho! — Bia mostrou a foto no álbum que ainda restava antes do celular apagar. — É ela. Alice Guimarães. Ela corre perigo e o celular está desligado!
Vivien tomou uma decisão imediata: — Venha comigo, vou levá-la até ele.
Assim que Bia saiu do elevador com Vivien, viu Gabriel saindo de uma sala de reuniões seguido por executivos.
— Gabriel! — Bia gritou.
Gabriel virou-se e reconheceu-a: — Eu me lembro de você, Bia.
— Preciso falar com você — Bia disse com urgência. — É sobre a segurança da Nini!
Gabriel a levou para uma sala privada. Bia contou tudo: — Meu pai era o motorista do pai da Nini. Naquela época, Renato Guimarães o instigou a causar o acidente para matar os pais dela. Tenho medo que ele faça algo com a Nini agora. Tentei ligar, mas o celular dela só dá desligado!
O semblante de Gabriel mudou instantaneamente. Seus olhos escureceram como uma maré sombria. Ele tentou ligar: desligado. Hoje cedo ela lhe enviara uma foto de magnólias... Gabriel começou a disparar ligações, ordenando buscas imediatas pelo paradeiro de Renato e Alice. Embora sua voz fosse calma e clara ao telefone, seus dedos tremiam incontrolavelmente ao ligar o carro.
Ao sair da garagem, seu celular tocou. Um número virtual anônimo.
— Alice Guimarães está nas minhas mãos — disse uma voz masculina distorcida. — Venha sozinho à antiga siderúrgica abandonada na Zona Oeste às 18h. Se trouxer mais alguém, eu a mato agora.
— Tudo bem, eu vou — Gabriel rangeu os dentes. — Não toque nela.
Ping, ping, ping.
As gotas de água que infiltravam do teto batiam no silêncio como uma contagem regressiva. Alice estava com os olhos vendados e a boca lacrada, as mãos amarradas nas costas, encolhida no chão frio e duro. O efeito do sedativo ainda a deixava tonta.
Ela moveu os pulsos com dificuldade.
— Acordou?
A voz familiar soou na escuridão. O corpo de Alice paralisou.
A fita foi arrancada de sua boca e a venda puxada bruscamente. Alice cerrou os olhos contra a luz forte e viu o homem parado diante dela. Um frio cortante subiu de seus pés até o coração, tirando-lhe o fôlego.
O homem virou-se, ainda com aquela fachada de cavalheiro gentil: — Nini.
— Tio — Alice respondeu com um olhar de cinzas.
— Tão calma? — Renato deu um estalo com a língua. — Eu te subestimei. Você e o Gabriel me fizeram de palhaço.
Alice tentou se soltar: — Quem fez todos de palhaço foi você, não foi, tio?
Renato puxou um punhal e tocou o rosto dela com a lâmina: — Você é corajosa, nem implora por misericórdia.
— Se funcionasse, eu imploraria — Alice ironizou. — Você não vai me deixar viva hoje, não é? Caso contrário, não teria me mostrado seu rosto.
— Você é inteligente. Inteligente de um jeito irritante, igual ao seu pai! — Renato sorriu como um demônio. Ele sentou-se diante dela. — Sabe como seu pai morreu?
O sangue de Alice gelou: — O acidente... não foi um acaso?
— Claro que não — Renato gabou-se. — Eu dei a ordem ao motorista.
Alice avançou contra ele como uma louca, tentando morder seu pescoço. Renato a agarrou pela garganta e a jogou violentamente no chão.
— Por que? Ele era seu irmão de sangue! — Alice gritou com lágrimas de sangue nos olhos.
— Irmão? — Renato rugiu, o rosto contorcido de loucura. — Toda a minha dor foi por culpa dele! Por que o velho só tinha olhos para ele? A sucessão, os negócios... até a sua mãe, que eu vi primeiro, o velho deu para ele! O que ele tinha de melhor que eu?
Ele ria de forma maníaca: — Sabe? Naquele dia, eu o atraí para fora. Disse que tinha me machucado em um racha de carros e precisava dele. Ele acreditou, de tão estúpido! Hahaha!
— AAAAAAAH! — Alice sentia o ódio rasgar sua garganta. — Eu não vou te perdoar, Renato! Nem como fantasma eu vou te deixar em paz!
— Se você não me perdoa, eu também não vou te poupar — Renato puxou-a pelos cabelos, forçando-a a olhar para ele. — Você acha que pode me tirar a Changyao? Minha querida sobrinha, hoje nós dois vamos para o inferno juntos.
Ele encostou o punhal no pescoço dela. Alice fechou os olhos. A imagem de Gabriel surgiu em sua mente.
Ele ficará triste quando souber da minha morte?
. Do início do outono ao início da primavera, o destino deles fora tão curto... apenas seis meses.
Renato riu alto: — Eu sei que você gosta do Gabriel. Não se preocupe, vou deixar vocês juntos: ele também vai para o inferno hoje.
— O que você vai fazer com ele? Isso é assunto dos Guimarães, não o envolva! — Alice lutava desesperadamente.
— Não envolver? Você acha que eu não sei que ele é o homem por trás da XY Holdings? — Renato a arrastou em direção ao terraço. — Quem me faz de bobo, morre. Quando ele chegar, os três descerão juntos.