Alice abriu os olhos turvos, olhando para ele de forma atordoada, com o olhar ainda úmido.
Quando sua visão clareou e encontrou o fogo oculto no fundo dos olhos dele, ela rapidamente usou as mãos e os pés para descer, sentando-se no sofá do outro lado do escritório.
Suas bochechas estavam fervendo e até as orelhas estavam rosadas; ela não ousava olhar para ele novamente.
Gabriel pegou o café preto já frio ao seu lado, bebeu tudo de uma vez e ajeitou o colarinho e os punhos desalinhados.
Alisou os vincos da calça social, recuperando sua habitual postura impecável e fria.
— Você tem algo te preocupando? — perguntou ele.
Alice levantou a cabeça, surpresa. — Como você sabe?
Porque você está começando a se acostumar a confiar em mim, a depender de mim, a precisar de mim.
Mas Gabriel não disse isso em voz alta; temia que ela ficasse com vergonha e se irritasse. Ele se levantou, caminhou até ela e sentou-se ao seu lado. — Conte para mim.
Alice relatou tudo o que aconteceu pela manhã. — Eu realmente não esperava que o Thales também fosse comprado pelo meu tio. Meu avô e meu pai confiavam tanto nele...
— O coração humano é volúvel, ele não vale a sua tristeza. — Gabriel segurou a mão dela. — O que vem a seguir é mais importante. Seu tio não vai parar por aqui. Já que você atrapalhou os planos dele, se eu fosse ele, o próximo passo seria expulsar você do conselho de administração.
Alice levantou a cabeça bruscamente. — Com as ações que ele possui agora, ele não consegue fazer isso.
Gabriel rebateu: — E se ele aumentar drasticamente sua participação no mercado secundário? Ou subornar outros diretores?
Alice pensou imediatamente no Segundo Tio-Avô. Se ele estivesse do lado de Renato, ela estaria em uma posição muito vulnerável.
Gabriel a abraçou pelos ombros, confortando-a em voz baixa: — Fique tranquila, estou continuando a aumentar minha participação na Changyao. Somando às ações que comprei da última vez, ele não conseguirá o que quer facilmente.
Alice olhou para ele e, de repente, inclinou-se e deu-lhe um beijo nos lábios, sorrindo docemente: — Obrigada~
O coração de Gabriel, que mal havia se acalmado, disparou novamente. Ele conteve os lábios dela antes que ela o beijasse de novo e avisou com a voz rouca: — Bebê, não provoque, eu não vou conseguir me controlar.
Alice comportou-se imediatamente, encolhendo-se no canto do sofá com as mãos nos joelhos, em uma pose de total obediência.
Gabriel soltou uma risada baixa e voltou ao assunto sério.
Explicou que Renato poderia tentar uma aquisição hostil e que a melhor defesa seria a estratégia do "Cavaleiro Branco".
— O que eu quero dizer é que, se ele iniciar uma aquisição hostil, eu intervirei com um preço mais alto e iniciarei uma guerra de lances contra ele. Os acionistas buscam lucro e não venderiam para ele facilmente.
— Entendi isso, mas tenho outra pergunta. — Os olhos de Alice brilhavam e sua voz estava suave. — Posso te beijar de novo?
A postura dele de quem domina a situação era atraente demais; ela estava completamente fascinada.
Naquele momento, Gabriel entendeu pela primeira vez o que significava estar entre a cruz e a espada.
Tinha uma reunião importante com a alta cúpula em cinco minutos, mas não conseguia dizer "não" para os olhos esperançosos de sua amada.
Ele pegou o telefone: — Adie a reunião das 11h por dez minutos.
No instante em que desligou, Alice sorriu e sentou-se em seu colo, beijando-o.
As suspeitas de Gabriel estavam corretas. Renato tentou aliar-se ao Segundo Tio-Avô para chutar Alice do conselho, mas foi rejeitado com xingamentos.
Renato então usou um método cruel: chantageou o tio-avô com um vídeo incriminador de seu filho caçula. Sem escolha, o tio-avô cedeu.
Logo, o Grupo Changyao anunciou uma assembleia de acionistas para o dia 20 para reeleger o conselho.
As ações caíram, mas os homens de Gabriel intervieram comprando tudo, o que elevou o preço e irritou Renato.
Marcos Zhou, sabendo do caos, convidou Alice para jantar.
Alice aceitou, mas quando Gabriel ligou perguntando se queria jantar, ela mentiu dizendo que sairia com a Pequena Ci no restaurante Rongji.
Gabriel, que tinha um convite para o mesmo local, decidiu ir para encontrá-la depois.
No Rongji, Marcos pedia os pratos favoritos de Alice, lembrando-se detalhadamente de todas as suas restrições alimentares.
— Irmão Marcos, obrigada por ainda lembrar disso — disse Alice, sorrindo.
— Como eu esqueceria? — O olhar dele era de pura ternura.
Marcos empurrou dois cartões bancários de luxo para ela. — Este é do Lucas, com 200 milhões. Este é meu, com 1 bilhão. A senha é o seu aniversário. Use para enfrentar seu tio.
Alice recusou imediatamente, mas Marcos insistiu que eram "irmãos" cuidando dela. No entanto, o clima mudou quando Marcos perguntou sobre o boato do divórcio.
— Não nos divorciamos, foi apenas uma encenação para o meu tio — explicou Alice.
A esperança no olhar de Marcos se apagou.
Após o jantar, enquanto caminhavam pelo corredor, Alice ria das histórias de Lucas na fazenda. Gabriel, ouvindo a risada familiar, apressou o passo, mas seu sorriso congelou ao ver Alice tão próxima de Marcos.
— Você... o que faz aqui? — perguntou Alice, nervosa como uma criança pega em flagrante.
Gabriel não disse nada. Caminhou até ela, pegou sua mão e a puxou para o seu lado. — Sr. Zhou, nos encontramos de novo.
Marcos despediu-se, dizendo a Alice para ligar se precisasse de algo.
— Deixe-me explicar — disse Alice assim que Marcos saiu.
— Falamos em casa — Gabriel respondeu, levando-a para o carro.
No Bentley, o clima era de silêncio absoluto. A baixa pressão emanada por Gabriel deixava Alice desconfortável; era a mesma expressão gélida da noite em que ele os vira no portão da mansão. Alice tomou coragem, moveu-se para perto dele e sentou-se em seu colo.
Antes mesmo de se acomodar, ouviu o comando baixo dele:
— Desça.