Ao ouvir a voz, Alice Guimarães levantou a cabeça bruscamente.
Ao ver aquela figura familiar, toda a sua compostura e força desmoronaram instantaneamente; seu nariz ardeu e seus olhos se encheram de lágrimas.
A aura de Gabriel Cavalcante era poderosa demais.
A pressão de quem ocupa o topo há muito tempo fez com que os parentes da família Guimarães baixassem a cabeça, desviando o olhar e recuando alguns passos, sem ousar respirar fundo.
O segundo tio-avô, liderando o grupo, tentou manter a postura: — Só estamos preocupados com a família e com o Grupo Changyao!
Gabriel aproximou-se de Alice, protegendo-a com seu corpo alto. Ele varreu o grupo com um olhar gélido: — O vovô ficará bem, assim como a família e o grupo. Por favor, retirem-se. Não façam barulho aqui; não atrapalhem o descanso dele.
— E como você garante isso? — o tio-avô insistiu, teimoso. — As ações da Changyao caíram 5% desde a abertura. Se continuar assim, o prejuízo será enorme. Quem vai se responsabilizar pelos acionistas?
— Não precisam se preocupar — a voz de Gabriel era calma e convicta. — Já ordenei a compra de 1 bilhão em ações da Changyao no mercado secundário. O valor não cairá mais.
A frase silenciou a todos.
Um investimento de 1 bilhão decidido em segundos era uma demonstração de poder que ninguém ali podia contestar.
O rosto do tio-avô alternava entre o azul e o branco, e ele partiu furioso com os demais.
Com o corredor silencioso, Gabriel virou-se para Alice. Ela estava pálida, com os olhos injetados de sangue e os lábios sem cor.
O coração dele apertou; ele queria abraçá-la, mas temia que ela ainda o odiasse.
— Nini — ele disse com voz rouca —, eu cheguei tarde.
Aquelas palavras destruíram as últimas defesas de Alice. As lágrimas rolaram descontroladas.
— Por que demorou tanto? — ela soluçou, praguejando. — Por que só chegou agora...
O som era de puro desespero e alívio, como alguém que esperou tempo demais por um porto seguro.
Gabriel a abraçou com força, beijando o topo de sua cabeça com uma ternura dolorida. — Sinto muito, a culpa é minha...
Ali perto, Marcos Zhou observava em silêncio, como uma estátua esquecida.
Ver Alice desmoronar nos braços de Gabriel, mostrando uma vulnerabilidade que nunca mostrara a ele, arrancou suas últimas esperanças pela raiz.
Ele percebeu que a perdera de verdade.
Ou melhor, percebeu que nunca a possuiu.
Após acalmar Alice, Gabriel dirigiu-se a Marcos.
Agradeceu-o por cuidar dela durante a noite e pediu que ele fosse descansar, prometendo um agradecimento formal depois.
Marcos, antes de sair, tocou o cabelo de Alice com intimidade, notando o maxilar de Gabriel tensionar.
A sós com o marido, Alice sentiu a necessidade de explicar que Marcos viera por conta própria. Gabriel segurou a mão dela, o calor de sua palma trazendo segurança.
— Nini, você não precisa explicar. Eu sou grato a ele por não te deixar sozinha quando você mais precisou. Eu só sinto muito por não estar aqui. Você tem o direito de estar brava. Pode me xingar, me bater... só não me ignore.
Alice confessou que sua raiva não era pela ausência dele por causa do trabalho — o que ela entendia perfeitamente —, mas pelo modo como ele a tratara naquela noite antes de fugir.
Gabriel, sem argumentos, pediu perdão sinceramente, implorando por uma chance de compensá-la.
Por fim, exausta, Alice foi convencida por Gabriel a dormir um pouco na sala de descanso ao lado da UTI.
Gabriel ficou na sala de espera, trabalhando no laptop enquanto ouvia a respiração suave dela, sentindo o vazio em seu coração ser preenchido aos poucos.
Alice acordou na manhã seguinte e correu para a UTI.
Gabriel a acalmou, garantindo que os sinais do avô estavam estáveis. Enquanto ela observava o Sr. Augusto pelo vidro, uma voz familiar e suave soou atrás dela: — Nini.
Alice virou-se e paralisou. Um homem elegante, de terno cinza, com traços parecidos aos de Augusto, sorria para ela: — O quê? Não reconhece mais seu tio?
— Tio! — Alice correu para abraçá-lo. Era
Renato Guimarães
.
Renato explicou que não voltara antes devido a problemas de saúde de sua esposa no exterior. Logo atrás dele, surgiu um jovem alto: — Nini!
—
Vitor
? — Alice exclamou, sendo erguida pelo primo em um abraço giratório.
Gabriel saiu da sala de descanso e franziu o cenho ao ver Alice nos braços de um estranho. Alice os apresentou: — Tio, Vitor, este é o meu...
marido
, Gabriel Cavalcante. Gabriel, este é meu tio Renato e meu primo Vitor.
Ao ouvir a palavra "marido", o coração de Gabriel transbordou de satisfação. O tio Renato o avaliou com seriedade, enquanto Vitor agia como um "inimigo" ciumento que perdera seu tesouro.
Após visitarem o Sr. Augusto na UTI, Renato recusou o convite de morar na mansão principal, alegando que já limpara uma casa antiga da família na mesma rua do hospital para facilitar as visitas.
O Mordomo Jorge observava tudo com preocupação; ele sabia que o Sr. Augusto proibira o segundo filho de voltar, e vê-lo aproveitar a inconsciência do pai para retornar cheirava a problemas.
À noite, na vila da Rua Limoeiro, uma mulher entrou e tirou a máscara, revelando um rosto belo e frio.
Eunice Cavalcante (a tia de Gabriel) sorriu com timidez juvenil: — Renato, você finalmente voltou.
Renato a abraçou e os dois se envolveram em um encontro ardente. Entre suspiros, Eunice perguntou se ele ficaria.
Renato sorriu, um sorriso sem calor, apenas com puro cálculo: — Para isso, você terá que me ajudar.
— Como?
Renato sussurrou em seu ouvido: — Simples. Ajude-me a causar discórdia entre minha sobrinha e seu sobrinho...