De volta ao quarto, a pergunta de Clara ainda ecoava na mente de Alice Guimarães.
— Nini? Nini?
Alice despertou de seus devaneios. — Ah? Você me chamou? Desculpe, estava distraída.
— Você parece pálida, não está se sentindo bem? — Gabriel estendeu a mão para tocar a testa dela.
Alice, por instinto, esquivou-se. A mão de Gabriel parou no ar, os dedos tensos.
— Estou com um pouco de sono, vou deitar primeiro — disse ela com um sorriso forçado.
Ela quase fugiu para o quarto, enrolando-se nas cobertas como uma bola, de costas para ele. Gabriel permaneceu parado, os punhos cerrados, antes de se deitar ao lado dela. Ele tentou abraçá-la, mas Alice resistiu.
— O que houve? Está brava? — ele perguntou em voz baixa, forçando-a gentilmente para seus braços.
— Não... só estou cansada. Tenho medo que você queira... de novo.
Gabriel suspirou e apoiou o queixo no topo da cabeça dela. — Hoje eu não toco em você. Durma.
No dia seguinte, Alice acordou com o sol alto. Gabriel contou que Artur fora parar no hospital após tentar invadir a cama de Pequena Ci e levar um chute que o fez bater a cabeça no criado-mudo.
Alice riu da "tática da amargura" de Artur, mas Gabriel defendeu o amigo (e a si mesmo): — Não nos culpe, vocês mulheres é que são difíceis de entender.
À tarde, no resort de esqui, Alice estava audaciosa nas pistas.
Após quase ser atingida por um esquiador desgovernado e ser salva por um Gabriel heroico, a adrenalina tomou conta dela.
De volta ao chalé, ela o convidou para a piscina termal privativa.
Ao ver Gabriel se aproximar apenas de sunga preta, exibindo músculos dignos de uma estátua renascentista, Alice sentiu o desejo despertar. Ela tomou a iniciativa, sentando-se no colo dele e iniciando um beijo ardente.
— Bebê — ele sussurrou com a voz rouca —, por que tanta paixão hoje?
Alice não sabia explicar. Ela apenas o queria. Sob as águas termais, o clima esquentou até que Alice implorasse: — Eu... eu quero você.
Gabriel a levantou pela cintura e a pressionou contra a borda da piscina, onde o som da água se misturava aos sussurros de entrega.
— Está apenas começando — disse Gabriel, intensificando os movimentos. — Como já está perdendo o fôlego?
Alice estava completamente entregue. A sensação de plenitude a envolvia como um balão prestes a explodir. Ela tentou recuar, mas as mãos poderosas de Gabriel a mantinham no lugar.
— Relaxe — sussurrou ele, beijando o pescoço dela.
O que começou na piscina terminou horas depois no quarto, em um emaranhado de lençóis úmidos. Na virada do ano, enquanto fogos de artifício explodiam no céu de St. Moritz, Alice gritou o nome dele em meio ao êxtase.
— Bebê — ele disse, olhando no fundo dos olhos dela. — Feliz Ano Novo.
— Feliz... Ano Novo...
No dia seguinte, Alice foi levada para o jato particular ainda sonolenta. Ao pousarem em São Paulo, Gabriel soltou a bomba: — Temos um jantar de família na mansão dos meus pais hoje. Todos os Cavalcante estarão lá.
Alice entrou em pânico. Ela estava exausta e "desgrenhada". Após uma tarde intensiva em um salão de beleza de luxo providenciado por Lucas, ela surgiu impecável para o jantar às 18h.
Na mansão, ela conheceu a tia de Gabriel, Eunice. Uma mulher arrogante que logo questionou a escolha de Helena por uma nora tão jovem. Gabriel defendeu a esposa prontamente: — A Alice é incrível, tia. Eu cuido do futuro da família, não se preocupe.
Alice retribuiu com um sorriso doce e afiado: — O Gabriel cuida muito bem de mim, titia.
Enquanto Helena apresentava Alice aos parentes, ela deixou escapar um comentário: — Ainda bem que o Gabriel não ficou com a Clarice, senão a Eunice tomaria conta de tudo e eu não teria meu lugar...
Helena percebeu o deslize e tentou consertar, explicando que Clarice era uma protegida da tia que morou com eles e por quem Gabriel teve um "encantamento" passageiro antes de ela ir para o exterior.
Alice sorriu e disse que não se importava, mas ao tomar seu leite de amêndoas, sentiu um gosto amargo.
Nesse momento, Ji (a prima) se aproximou animada: — Nini! Que bom que voltaram! Me conta, aquele seu amigo de infância... ele está solteiro?