As orelhas de coelho da touca de pelúcia agitaram-se durante boa parte da noite e só sossegaram ao amanhecer.
Alice Guimarães perdeu quase totalmente a consciência; lembrava-se vagamente de beber um pouco de água e ser levada ao banheiro, mas o restante era um borrão branco.
Quando acordou, às uma da tarde do dia seguinte, Gabriel estava deitado ao seu lado lendo um livro.
Ao abrir os olhos, ela recebeu um beijo suave na testa. Ele parecia radiante e descansado, enquanto ela, ao recuperar os sentidos, deu-lhe um tapa fraco: "Seu pervertido!"
Gabriel não se irritou; pelo contrário, sorriu. Ele sabia que tinha passado dos limites, mas não se arrependia. Aquela entrega mútua trouxera uma satisfação inédita.
"Está com fome? Vamos levantar para comer?", ele perguntou, beijando a mão dela.
"Não vou comer!", Alice se cobriu até a cabeça. "Excesso de desejo faz mal à saúde!"
Gabriel afastou os cabelos do rosto dela com ternura. "Sinto muito, eu me excedi ontem."
Alice não caiu na conversa. Ela percebera que esse "homem cachorro" era do tipo que pedia desculpas, mas nunca mudava — na verdade, ficava cada vez pior. Ela chegou a se perguntar onde ele aprendera "aquelas coisas", já que na primeira vez ele era tão desajeitado.
"Onde você aprendeu... tudo aquilo?", ela perguntou, corando.
Gabriel hesitou, com as orelhas quentes.
"Você disse que sentia desconforto, então pesquisei alguns materiais... depois de estudar, eu entendi. O resto foi instinto."
Alice ficou horrorizada imaginando o CEO sério estudando tutoriais eróticos.
Ela pediu que ele não fizesse mais certas coisas, mas Gabriel foi categórico: "Nini, somos marido e mulher. Entre nós, tudo é permitido."
Ele queria que ela se libertasse de qualquer peso e apenas aproveitasse a companhia dele.
Antes que pudessem continuar a discussão, o celular de Alice vibrou. Era Lucas, avisando que chegaria em vinte minutos.
Alice saltou da cama, exigindo que Gabriel buscasse suas roupas, incluindo o sutiã.
Gabriel hesitou ao pegar a peça de renda verde-clara, observando Alice se vestir com um olhar que não escondia o desejo de ter sido ele a ajudá-la naquela tarefa.
Quando Lucas chegou e começou a comer o mingau de camarão que Gabriel fizera com tanto esforço para Alice, o clima pesou. Lucas agia com tanta naturalidade, usando a colher de Alice e chamando-a de "Nini", que Gabriel mal conseguia conter seu olhar mortal.
Na sala, Alice pediu que Maria servisse um chá específico para Lucas, o que apertou ainda mais o coração de Gabriel. Lucas entregou a ela várias caixas de balas de limão enviadas por seu irmão, Marcos, dos Estados Unidos.
Alice agradeceu, mas percebeu que a frequência com que comia aquelas balas e pensava em Marcos diminuíra drasticamente. Seu coração estava mudando, assim como o clima.
Após Lucas ir embora, Alice pediu que Gabriel provasse as roupas que ela lhe comprara. Ao vê-lo de calça social impecável, sapatos Derby e uma blusa de gola alta preta, ela sentiu a garganta secar. O contraste entre a gola preta e o maxilar firme dele exalava uma sensualidade que a deixou sem fôlego.
"Ficou bom?", perguntou Gabriel.
"Sim... muito bom. Você parece um modelo", Alice respondeu, desviando o olhar para esconder o rosto corado.
À noite, ao voltar do hospital após visitar Bia, Alice foi encurralada por Gabriel atrás da porta do quarto. "Por que demorou?"
Antes que ela pudesse responder sobre as conversas com a amiga, ele a tomou em um beijo ardente. Gabriel a levou para o banheiro, onde a luz suave e o aroma de óleos essenciais criavam uma atmosfera íntima. Eles entraram juntos na banheira espaçosa.
Sob as águas mornas, o desejo de Gabriel era evidente. Mas, enquanto a beijava, o pensamento que o torturava desde o dia anterior voltou com força total. Inseguro sobre o passado de Alice com o amigo de infância, ele não conseguiu mais se conter.
Ele segurou a cintura dela com força e, de repente, disparou a pergunta:
"O Lucas já te beijou?"
Alice, entorpecida pelo prazer e sem pensar direito, murmurou um "hum-hum" de confirmação.
A mão de Gabriel em sua cintura apertou-se violentamente no mesmo instante.