Alice levantou a cabeça, com um pânico impossível de esconder nos olhos. Ela forçou um sorriso pálido:
— Eu fui ver a Bia. Ela está bem, a mãe dela está cuidando de tudo e me pediu para voltar primeiro. Eu me senti um pouco assustada sozinha em casa, então perguntei ao motorista onde você estava. Ele disse que estava na empresa, então pedi que me trouxesse.
O olhar dela passou por ele e pousou nas mãos ensanguentadas de Paula. O corpo de Alice teve um tremor involuntário.
Gabriel deu um passo para a esquerda, bloqueando a visão dela, segurou seus ombros e a girou na direção oposta, conduzindo-a para fora.
Ao entrarem no elevador, ele subitamente a prensou contra a parede e tomou seus lábios.
Alice sentiu o gosto residual de tabaco e franziu o cenho, tentando desviar o rosto.
Aquele gesto de recusa fez o peito de Gabriel apertar ainda mais.
Ele segurou o queixo dela com firmeza e voltou a beijá-la com uma voracidade implacável, como se quisesse devorá-la.
O elevador descia em velocidade constante, mas o coração de Alice disparava.
— Nini — Gabriel sussurrou contra os lábios dela, com uma voz sombria. — Você viu tudo, não viu?
Alice engoliu em seco. Ele se afastou um pouco, fixando nela um olhar profundo como um abismo.
— Você tem medo de mim?
— Não, eu só... — Alice baixou os cílios, sentindo os lábios formigarem. — Fiquei surpresa.
Ela achava que já o conhecia. No início, ele era o cavalheiro reservado.
Depois, descobriu que ele era carinhoso, respeitava sua família e cuidava dela com paciência. Exceto pela postura dominante na cama, ela não via defeitos nele. Até hoje, quando descobriu seu lado implacável.
Mas ela entendia: ele fizera tudo por ela.
— Olhe para mim — Gabriel levantou o queixo dela. — Realmente não tem medo?
Alice encarou os olhos dele com firmeza:
— Não. Eu sei que você estava me defendendo. Para descobrir tudo tão rápido, você deve ter se esforçado muito. Paula colheu o que plantou. Seus métodos não me assustam. Pelo contrário... eu te acho incrível, de verdade.
O que ela não confessou foi que, naquele momento, achou a aura perigosa dele estranhamente atraente.
As palavras dela serviram de amparo para o coração inquieto de Gabriel. Ele a abraçou, apoiando o queixo em seu ombro com um suspiro de alívio:
— Que bom. Ainda bem.
Graças às provas e à influência das famílias Cavalcante e Guimarães, o caso de Paula foi encerrado rapidamente: cinco anos de prisão.
Gabriel ordenou que Isabela fosse enviada para a mesma cela, para que soubesse, detalhe por detalhe, como Paula a usara.
Enquanto isso, embora tentassem esconder, o Sr. Augusto acabou descobrindo o ocorrido.
Furioso e tossindo sangue, ele ordenou que o Mordomo Jorge reforçasse a segurança de Alice e garantisse a falência total da família de Paula em um mês.
Alice, alheia a essas movimentações, estava na cozinha. Ao ouvir Gabriel chegar, ela correu para impedi-lo de entrar na sala.
— Por que chegou tão cedo? — perguntou ela. Felipe havia dito que a reunião iria até tarde.
Gabriel notou a pilha de caixas na mesa de centro e cerrou o maxilar.
— Cheguei cedo demais? O Lucas faz aniversário de novo?
Alice o empurrou para fora, rindo: — Vá brincar em outro lugar! Vá para o jardim ou para o porão, só não entre na sala nem na cozinha agora.
Gabriel sorriu, entendendo o que estava acontecendo. Ele treinou na academia por uma hora, tomou banho e foi esperar no jardim de inverno, aninhado na manta de cashmere favorita de Alice.
Vinte minutos depois, Dona Maria o chamou.
Ao abrir a porta da sala, uma pequena coelhinha rosa saltou em sua direção, jogando confetes dourados: — Feliz Aniversário!
Gabriel fechou a porta atrás de si, tirando um confete dos cílios dela. — Por que está vestida assim?
— A Dona Maria disse que seu animal favorito é o coelhinho. — Alice balançou a cabeça, fazendo as orelhas de pelúcia da touca balançarem. — E então? Estou fofa?
— Sim — Gabriel não conseguia tirar os olhos dela. — Muito fofa.
Alice o levou até o sofá, cobriu os olhos dele com as mãos e ordenou que não olhasse. Logo, ele ouviu a voz doce dela cantando "Parabéns pra você".
Ao abrir os olhos, deparou-se com um bolo rosa em formato de coelho. O desenho estava um pouco inacabado, mas Gabriel sentiu um calor no peito.
— Você mesma fez esse bolo?
— Sim! — ela o incentivou a soprar as velas.
Gabriel fez um pedido diferente de todos os anos anteriores. Ao provar o bolo, achou-o extremamente doce, mas sorriu: — Está uma delícia.
Alice começou a tagarelar: — Dona Maria me contou que você ama doces! E que quando era criança, tinha um coelhinho rosa e chorou por um dia inteiro quando ele morreu... Eu achei que era lenda que "homens brutos" gostavam de rosa, mas é verdade! Hahaha!
Gabriel, fingindo indignação para esconder o constrangimento, calou a boca dela com um beijo e a pegou no colo.
Alice, surpresa pela mudança repentina de clima, envolveu o pescoço dele com as mãos enquanto ele subia as escadas com ela e o bolo.
No quarto, ele a deitou na cama com um olhar ardente.
— Espera, o aniversário não acabou, você nem abriu os presentes... — protestou ela.
— Você é o melhor presente — sussurrou Gabriel contra o pescoço dela.
Alice sentiu "borboletas no estômago". Tentou uma última resistência: — O bolo... ainda não terminamos de comer.
Gabriel riu baixo.
Pegou um pouco de chantilly com os dedos, levou à boca dela e depois a beijou, roubando toda a doçura.
O que se seguiu foi uma noite de entrega total.
Gabriel sentia-se inseguro, pensando se Lucas já havia provado aqueles lábios, mas tentou afastar os pensamentos impuros.
Ele agiu com uma intensidade que assustou e encantou Alice.
Em um momento de extrema intimidade, ele pediu desculpas por estar "fora de si" e prometeu ser cuidadoso, mas seu desejo de posse era absoluto.
Alice, perdida entre as ondas de prazer, sentia que Gabriel a dominava por completo.
Ela estava suada e tentou tirar a touca de orelhas de coelho, mas Gabriel segurou suas mãos e as prendeu contra o edredom.
— Deixe. Não tire.