A faca brilhava com um reflexo gélido, avançando diretamente contra Alice Guimarães.
Com reflexos rápidos, Alice usou a bolsa que carregava no ombro para golpear a agressora. A bolsa atingiu em cheio o rosto da mulher, que cambaleou, revelando uma face distorcida pela loucura — era Isabela.
Alice puxou Bia, que estava paralisada de choque, e correu de volta, acionando o alarme de incêndio no corredor e gritando: "Fogo!".
No instante seguinte, Alice sentiu uma dor aguda no couro cabeludo. Isabela a agarrou pelos cabelos e desferiu um golpe de faca em direção ao seu rosto.
As pupilas de Alice se contraíram; a ponta da lâmina parou a menos de um centímetro de seus olhos.
Sobre a faca, surgiram outras mãos. Era Bia. Ela segurava a lâmina com toda a força, e o sangue jorrou instantaneamente de suas palmas, escorrendo pelo metal e respingando no rosto de Alice.
Alice reagiu imediatamente, tentando atingir os olhos de Isabela, que gritou de dor e soltou seus cabelos.
Alice esquivou-se e, vendo um extintor de incêndio no canto, correu para pegá-lo e o golpeou contra a cabeça de Isabela com toda a sua força!
Após um baque surdo, Isabela desabou no chão.
Ela ainda tentava alcançar a faca caída, mas Alice a chutou para longe. Isabela, com os olhos injetados de sangue, tentou agarrar as pernas de Alice, mas foi imobilizada por um colega de trabalho que chegou ao ouvir o barulho.
Logo, a segurança chegou e a amarrou, chamando a polícia e a ambulância.
Alice segurava as mãos ensanguentadas de Bia, com os dedos tremendo incontrolavelmente. Lutando contra as lágrimas, ela soluçou: "Vou chamar os melhores médicos, eu juro que vou curar suas mãos. Não tenha medo, Bia, por favor, não tenha medo."
Bia, com o rosto pálido, tentou sorrir e sussurrou: "Tudo bem, eu não tenho medo."
Em São Paulo, Felipe desligou o telefone e entrou sem hesitar na sala de reuniões. Gabriel Cavalcante estava em conferência com a equipe do projeto quando levantou os olhos. "O que houve?"
Felipe aproximou-se e sussurrou em seu ouvido. Antes que ele terminasse, Gabriel levantou-se bruscamente, fazendo a cadeira ranger contra o chão. "Artur, você assume a reunião."
"Certo," Artur respondeu prontamente. Ao ver a mudança drástica no rosto do amigo, que exalava uma frieza aterrorizante, ele perguntou: "Gabriel, o que aconteceu?"
Gabriel não respondeu. Ele saiu a passos largos e, após alguns metros, começou a correr. Felipe o seguiu apressadamente.
O carro voou em direção ao aeroporto de Congonhas. No pátio, o jato Gulfstream G650 já estava com as luzes acesas, pronto para partir.
"Sr. Cavalcante, decolamos em instantes. Previsão de chegada no Rio de Janeiro às nove da noite," informou Felipe.
Gabriel não disse nada. Ele tentava ligar para Alice repetidamente, mas só ouvia a voz mecânica da operadora. Seus dedos apertavam o celular com tamanha força que o aparelho quase se partia.
No Hospital Anchieta, do lado de fora do centro cirúrgico, Pequena Ci olhava preocupada para Alice, que vigiava a porta sozinha. Ci viera buscar exames e encontrou Alice coberta de sangue na entrada do hospital.
"Alice, não tenha medo. O melhor cirurgião está operando a Bia," consolou Pequena Ci, segurando a mão gelada da amiga.
Passos apressados ecoaram pelo corredor e, logo, a figura alta de Gabriel surgiu diante dela, envolvendo-a em um abraço esmagador. Gabriel respirava com dificuldade e seu olhar vacilou ao ver o sangue no rosto dela. "Como você está? Onde se feriu?"
Alice o encarava, atônita.
"Nini, fale comigo," insistiu ele, ainda em pânico.
"Eu estou bem, não me feri."
"E o sangue no seu rosto?" Gabriel tentou tocar, mas hesitou, com medo de machucá-la.
"É o sangue da Bia. Ela me salvou," explicou Alice com uma calma aparente. "Ela está mal. Preciso de especialistas extras para garantir que ela se recupere. Você conhece alguém?"
"Vou providenciar agora mesmo," garantiu Gabriel.
"Nini!" A voz de Lucas chegou antes dele. Ele viera dirigindo em alta velocidade. "Você está bem? Se machucou?"
Ele a abraçou com familiaridade, acalmando-a. Foi nesse momento que Alice desabou, chorando copiosamente no ombro de Lucas. Gabriel ficou paralisado ao ver sua esposa, que agira de forma tão racional diante dele, desmoronar nos braços de outro homem. Seu coração parecia ser esmagado por uma mão invisível.
Pequena Ci acompanhou Alice para se lavar, enquanto Lucas e Gabriel trocavam informações. Lucas revelou que já sentiam que estavam sendo seguidos dias antes. Gabriel, com um olhar mortal, prometeu que Isabela não escaparia impune.
Quando Alice voltou, Gabriel a cobriu com seu paletó. "Vá para casa, eu fico aqui."
"Não, eu preciso ver a Bia sair da cirurgia," insistiu ela.
Gabriel contou que voltou às pressas assim que soube por Pequena Ci. Ao tentar abraçá-la, Alice soltou um gemido de dor.
"O que foi? Onde dói?"
Gabriel afastou os cabelos de Alice e viu o couro cabeludo vermelho e inchado, com crostas de sangue onde Isabela a puxara.
"Você disse que estava bem! Olha o estado disso!", exclamou ele, furioso com a situação. Ele a levou para ser medicada imediatamente.
Logo depois, o Dr. Liang, um renomado especialista trazido por Gabriel, chegou para supervisionar a cirurgia. Horas depois, ele saiu com boas notícias: "A cirurgia foi um sucesso. Os tendões foram reparados e, com fisioterapia, ela recuperará todos os movimentos."
Alice chorou de alívio e agradeceu profundamente.
Bia foi levada para uma suíte VIP. Vê-la com as mãos enfaixadas partiu o coração de Alice. "Ela é uma designer incrível... as mãos dela criam coisas lindas," soluçava Alice no peito de Gabriel. Ele a confortava com paciência, sentindo a umidade das lágrimas dela em sua camisa.
Ao amanhecer, a luz do sol finalmente surgiu. Bia abriu os olhos e viu Alice ao seu lado.
"Bia? Você acordou!", exclamou Alice.
Bia olhou para a amiga e, com a voz rouca, perguntou: "E você? Seu cabelo... ainda dói?"