Alice sentiu vontade de rir. Paula e Isabela eram farinha do mesmo saco; a diferença era que uma atacava abertamente e a outra usava uma faca escondida num sorriso.
— O que a senhorita deseja? — perguntou Alice, despreocupada.
— Desejar não é a palavra, mas tenho um conselho — disse Paula, apontando para o salão luxuoso. — Garotas jovens que sonham em virar fênix são compreensíveis, mas é preciso ter noção. Você acha que alguém com a sua origem conseguiria entrar na família Cavalcante?
— E o que você tem a ver com isso? — Alice sorriu ironicamente. — Se quer casar com o Gabriel, deveria dizer a ele, não vir falar asneiras para mim.
Paula ficou lívida: — Que modos rudes! Seus pais não te deram educação?
O rosto de Alice obscureceu. Ela conteve a raiva e enviou uma mensagem de áudio para Gabriel com uma voz melosa:
— Gabriel, querido... estou com fome, traz algo para eu comer? Estou no coreto do jardim esperando por você... beijo!
Paula empalideceu. Alice provocou: — Viu como sou gentil? Chamei ele para você poder dizer tudo na cara dele.
Sem aguentar a humilhação, Paula saiu correndo em prantos. Alice mal teve tempo de comemorar quando viu Gabriel parado na entrada do coreto. Ele tinha um olhar sombrio e intenso.
— Como me chamou agora pouco? — perguntou ele, aproximando-se.
Alice percebeu que tinha enviado o áudio por engano e sentiu o rosto arder de vergonha. Gabriel a encurralou, sussurrando em seu ouvido: — Chame de novo, hum?
Nesse momento, ouviram-se gritos vindos de um arbusto próximo. Era Pequena Ci discutindo com Artur. Alice viu a amiga fugir chorando e correu atrás dela, deixando Gabriel sozinho. Ele encontrou Artur com a marca de um tapa no rosto e um olhar bobo.
— Tome vergonha — disse Gabriel. — Se gosta dela, conquiste com dignidade. Eu estou indo embora. Não dá para explicar certas coisas para quem não tem esposa.
No carro, Alice voltou desanimada após não conseguir falar com a amiga. Gabriel a levou para casa e, ao chegarem, Alice recebeu uma chamada de vídeo de Helena. As duas conversaram animadamente como mãe e filha, ignorando Gabriel, que acabou desligando a chamada bruscamente quando a mãe começou a perguntar demais.
No quarto, Alice sentou-se para tirar as joias. Gabriel trancou a porta e aproximou-se com um olhar de predador. Ele ajoelhou-se diante dela, com o terno moldando seus músculos, e tomou o rosto dela entre as mãos, iniciando um beijo que misturava desejo e posse.
O beijo era suave no início, como uma rede de sonhos capturando os dois.
Mas quando Alice envolveu o pescoço de Gabriel, a centelha de desejo dele tornou-se um incêndio. O beijo ficou urgente, quase devorador.
— Abra os olhos — comandou ele com a voz rouca. — Posso continuar?
Mesmo naquele estado, ele mantinha seu cavalheirismo. Alice, envergonhada, apenas sussurrou: — Primeiro, o banho.
Gabriel soltou uma risada baixa e abriu o zíper do vestido dela como quem desfolha uma camélia delicada.
No banheiro, sob a água morna, a tensão explodiu. Alice sentia o contraste entre os azulejos frios e o peito ardente de Gabriel.
Ela perdeu os sentidos nos braços dele e foi levada para a cama, onde a luz destacava cada curva de sua pele alva.
Gabriel a observava com uma sede insaciável, beijando cada marca que seus dedos haviam deixado no corpo dela.
Lá fora, a chuva de outono batia contra o vidro, enquanto lá dentro a temperatura subia.
Gabriel a prendia contra o travesseiro, ouvindo seus gemidos enquanto o desejo o dominava. Em um momento de insegurança possessiva, ele perguntou:
— Quem sou eu?
— Você... você é o Gabriel... — ela respondeu, à beira das lágrimas.
— E como você me chamou no jardim?
— Gabriel... querido?
— Correto.
A noite seguiu entre carícias e entrega total até o amanhecer.
Alice acordou ao meio-dia, sentindo o corpo dolorido. Ao ver a cama vazia, uma súbita solidão a fez chorar. Gabriel entrou no quarto e, ao vê-la em prantos, correu para abraçá-la.
— Por que está chorando, meu amor?
— Dói... — ela soluçou. — Você não tem técnica nenhuma!
Gabriel ficou mudo. Era a primeira vez de ambos, e ele sabia que perdera o controle.
— Sinto muito... — ele murmurou contra o cabelo dela. — Foi minha primeira vez também. Prometo que não será assim na próxima.
Alice parou de chorar e começou a brincar com os botões da camisa dele.
— Eu pedi para você ir devagar, mas você não ouviu!
Gabriel sentiu o desejo despertar novamente ao ouvir a voz manhosa dela, mas conteve-se.
— Eu estava fazendo o almoço — explicou ele. — Você chorou porque acordou e não me viu?
Alice não respondeu diretamente, mas envolveu o pescoço dele com os braços e deu uma ordem:
— De agora em diante, você está proibido de me deixar acordar sozinha!