Ao chegarem à casa dos Guimarães, Gabriel naturalmente segurou a mão de Alice e entraram lado a lado.
Após os cumprimentos iniciais, Alice chamou o Mordomo Jorge de lado e sussurrou: "Jorge, como o vovô tem passado nesses últimos dias?"
"A situação está estável, mas ele tosse muito à noite e não dorme bem. Durante o dia, ele fica sem energia," relatou Jorge com sinceridade.
"E o que o médico diz?", insistiu Alice.
"Há dois dias, o genro indicou um especialista em câncer de pulmão dos Estados Unidos. As equipes médicas estão trocando informações agora para definir o próximo passo."
Alice levantou a cabeça, surpresa. "O Gabriel?"
"Sim," assentiu Jorge. "Ouvi dizer que ele moveu contatos pessoais para conseguir esse médico."
Alice apertou a xícara de chá, observando de longe a figura de Gabriel na sala. Ele não havia mencionado uma única palavra sobre isso para ela. "...Como ele descobriu?"
"O patrão contou pessoalmente para ele."
O coração de Alice se encheu de sentimentos conflitantes. "Jorge, cuide bem dele. Qualquer coisa, me avise imediatamente."
Durante o almoço, Augusto sentiu vontade de beber e tentou convidar Gabriel para acompanhá-lo.
Alice, sem saber como recusar, cutucou desesperadamente a coxa de Gabriel por baixo da mesa. Gabriel capturou a mão dela com precisão e inclinou-se levemente para Augusto: "Vovô, temo que terei que desapontá-lo hoje. Meus pais estão ansiosos por netos e me recomendaram cuidar da saúde, cortando álcool e cigarro."
Alice sentiu o rosto explodir em um tom carmesim, desejando enfiar a cabeça debaixo da mesa de tanta vergonha. Augusto riu e aceitou: "Seus pais estão certos! Tem que se preparar para que venham crianças saudáveis e inteligentes. Vamos comer!"
Após o almoço, enquanto o avô descansava, Gabriel e Alice ficaram sozinhos na sala. O silêncio era um pouco constrangedor.
Alice notou o sol forte lá fora e perguntou: "Você está com sono?"
Gabriel, que não tinha o hábito de dormir à tarde, ia dizer que não, mas ela completou: "Se estiver, pode descansar no meu quarto."
A resposta dele mudou no meio do caminho: "Estou com sono."
Alice o levou até sua suíte, decorada em estilo rococó, com tons de marfim, dourado e verde-menta. Era um ambiente doce e luxuoso.
"Pode dormir," disse ela, apontando para a grande cama de princesa com lençóis cor-de-rosa.
"Você não vai deitar?", perguntou Gabriel. Ver um homem como ele naquela cama parecia totalmente fora de lugar.
Alice também estava cansada, mas a ideia de deitarem juntos ali, à luz do dia, parecia demais para ela. "Comi muito, vou esperar um pouco," disse ela, desviando o olhar.
Gabriel trocou de roupa por um pijama que os criados trouxeram e deitou-se.
Observou o quarto: as cortinas de seda, o piano branco, os bichos de pelúcia.
Fechou os olhos e, embora sem sono no início, começou a imaginá-la ali — tocando piano, desenhando ou encolhida lendo um livro.
Essas imagens eram suaves como água morna. Aos poucos, ele relaxou e adormeceu.
Quando acordou, o sol já estava baixo. O outro lado da cama estava impecável. Ele levantou-se e a encontrou no escritório pessoal, encarando a tela do computador com frustração.
"Acordou? Como dormiu?", perguntou ela, sorrindo.
"Muito bem. O que está fazendo?"
"Minha tese de finanças," ela suspirou, bagunçando o cabelo. "Estou fazendo uma análise de regressão, mas o resultado não é significativo, o valor-p é maior que 0,05..."
Alice não gostava de finanças; preferia design de moda, mas cursava o segundo diploma por exigência do avô.
"Deixe-me ver," disse Gabriel, aproximando-se. Ele colocou a mão sobre o mouse, quase cobrindo a mão dela por inteiro. Com dedos ágeis, revisou o código.
"Veja aqui, o VIF passou de 10, há um problema de multicolinearidade. Tente combinar as variáveis X3 e X4."
Alice olhou para o perfil focado dele. "Ficou claro?", perguntou ele, virando o rosto. Alice baixou os olhos, sentindo as orelhas queimarem. "Sim!"
Ela seguiu a dica e o resultado foi perfeito. "Deu certo!", ela exclamou com os olhos brilhando. "Você é tão incrível! Resolveu em segundos o que me travou por dias."
Gabriel, por impulso, acariciou o topo da cabeça dela, ajeitando uma mecha de cabelo rebelde. Ambos paralisaram, os olhares se encontrando. O coração de Alice batia forte. Gabriel sentiu o olhar escurecer de desejo. Sua mão desceu para a bochecha dela, o polegar roçando a pele macia. Ele se inclinou lentamente...
Toc, toc.
"Lili, Gabriel, o lanche está servido no andar de baixo," chamou Jorge da porta.
Alice afastou-se bruscamente, derrubando um caderno. "Já vamos, Jorge!", gritou com a voz trêmula.
Gabriel olhou para o caderno aberto no chão. Era um desenho de um jovem e, ao lado, as iniciais:
ZJ
.
Alice fechou o caderno rapidamente e o guardou na gaveta. "Vamos lanchar," disse ela, forçando um sorriso. O calor no olhar de Gabriel desapareceu, dando lugar a uma frieza silenciosa.
Na volta para a Mansão Aurora, o vento da noite era agradável. Alice observava as árvores pela janela aberta.
Gabriel a observava de soslaio; ela parecia uma pintura sob as luzes da cidade.
"Espere! Pode parar ali?", pediu ela em um cruzamento.
Gabriel estacionou o Bentley. Alice percebeu que estava sem dinheiro e estendeu a mão: "Pode me emprestar uns duzentos reais?"
Gabriel entregou-lhe sua carteira de couro de crocodilo da Hermès.
Ela pegou algumas notas e correu até um vendedor de flores e sementes de lótus na calçada. Era um senhor idoso e cansado.
Alice conversou com ele, sorriu e entregou o dinheiro, recusando o troco. O homem, emocionado, tentou carregar os sacos pesados para ela, mas não conseguia.
Gabriel desceu do carro, pegou os dois sacos pesados com facilidade e os levou para o porta-malas. Alice o seguia com um buquê de flores de lótus, brincando de pisar na sombra dele sob a luz dos postes.
"Por que comprou tanto?", perguntou ele ao voltarem para o carro.
"As sementes frescas são uma delícia," ela disse. "Mas, na verdade... fiquei com pena. O senhor era tão idoso; comprando tudo, ele pode ir para casa descansar mais cedo com a família. Vale a pena, não acha?"
Gabriel olhou nos olhos dela e sentiu algo transbordar em seu peito. "Sim, vale a pena," respondeu com uma suavidade incomum.
"Qual o seu WhatsApp?", perguntou ela, pegando o celular. Gabriel sorriu internamente; finalmente ela ia adicioná-lo. "É o meu número de telefone."
"Pronto, vou te transferir o dinheiro," disse ela, animada.
A alegria de Gabriel evaporou. "Você gosta de manter as contas bem separadas," disse ele com a voz sombria.
"O acordo pré-nupcial dizia que as propriedades seriam independentes...", explicou ela, sem entender o mau humor dele.
No WhatsApp, ela viu que ele não aceitava a transferência.
【Gabriel】: ?
【Alice】: (Emoji de gatinho confuso)
【Gabriel】: Por que a transferência?
【Alice】: Para te pagar.
【Gabriel】: É demais.
【Alice】: O que sobrar fica para as despesas da casa.
Gabriel apertou o celular com força. Pela primeira vez na vida, sentia-se insultado com dinheiro.
Ao chegarem, Alice foi tomar banho. Gabriel abriu o perfil dela e viu uma foto dela sorrindo em um jardim. Uma notificação de transferência de 50 mil reais apareceu. Ele tomou um banho gelado para não "matar" a esposa de irritação.
Quando saiu, encontrou Alice no closet, na ponta dos pés, tentando guardar uma bolsa na prateleira alta. Gabriel aproximou-se por trás e guardou a bolsa para ela.
"Obrigada!", ela sorriu, virando-se para ele.
Ela ainda sorria.
Por que ele estava um caos interno enquanto ela agia com total inocência?
Toda a frustração, desejo e autocontrole de Gabriel atingiram o limite.
Sem aviso, ele segurou o pescoço dela e a beijou com força.
Alice arregalou os olhos. Antes que pudesse reagir, Gabriel cobriu os olhos dela com uma das mãos.
No escuro, todos os sentidos dela foram amplificados.
O beijo era possessivo, intenso, quase uma invasão.
Alice tentou recuar, mas ele a prendeu contra os armários, aprofundando o beijo com uma urgência incontrolável.