Alice olhou para o horário na tela e disse sem se virar: "Ainda é cedo. Pode ir na frente, vou terminar este episódio e já subo."
Gabriel silenciou por um momento e subiu sozinho. Alice assistiu a um episódio, depois outro, e mais um, antes de finalmente ir para o quarto. O resultado foi que, na manhã seguinte, ela se recusava a acordar.
Com o sol já alto, Gabriel sentou-se ao lado dela e segurou seus ombros para levantá-la. O aroma doce invadiu seus sentidos enquanto o cabelo macio dela roçava seu pescoço, causando um formigamento. A pele sob suas mãos era tão suave quanto o mais puro jade.
Ela se apoiou no ombro dele, com os olhos entreabertos, reclamando baixinho: "O que você está fazendo?"
Gabriel apertou os dedos nos ombros dela e sussurrou: "Hora de levantar."
Alice simplesmente se jogou de volta na cama, abraçando seu patinho amarelo. "Estou com sono, só mais um pouquinho..." Ela não tinha noção de como sua aparência — pijama desalinhado e cabelos espalhados — era tentadora. Gabriel fixou o olhar no rosto corado, descendo pelo pescoço até as curvas sob o tecido, antes de desviar o rosto bruscamente e sair do quarto.
Dona Maria subiu para ajudar e, ao mencionar que os sogros estavam esperando, Alice deu um salto da cama. Ao chegarem à mansão dos Cavalcante, ela se desculpou profusamente. Helena, encantada com a nora, apenas a abraçou e deu um beijo em sua bochecha. Gabriel ficou de lado, observando a cena com um olhar sombrio, enquanto seu pai, Ricardo, o olhava com desdém. Gabriel sentiu-se, de repente, um figurante em sua própria casa.
Após o almoço, enquanto as mulheres faziam spa e tocavam piano, Gabriel e Ricardo ficaram sozinhos. No quarto ao lado, Helena perguntou a Dona Maria sobre a intimidade do casal. Ao descobrir que ainda não haviam "consumado" o casamento, Helena entrou em pânico, temendo que o filho tivesse algum "problema de desempenho". Para "dar um empurrãozinho", ordenou que o cozinheiro preparasse uma sopa afrodisíaca com iguarias fortificantes.
Durante o jantar, Alice e Gabriel tomaram a sopa sem desconfiar de nada. De repente, o celular de Alice brilhou com uma mensagem de Lucas:
"Lili, meu amor, voltei! Às 20h no Miim Clube, te espero"
. Alice avisou que sairia com um amigo e partiu. Gabriel, agora sozinho com o cão de guarda da família, ligou para Artur: "Vamos beber."
No Miim Clube, Lucas quase engasgou ao saber do casamento. "Você se casou?! Com que homem você se envolveu para se enterrar tão cedo no matrimônio?"
Alice sorriu calmamente: "Eu não o amo. Casei por causa do meu avô."
No segundo andar, Gabriel observava a cena. Suas mãos apertavam o corrimão até as veias saltarem. Artur, ao ver a expressão do amigo, murmurou: "Parece até que alguém roubou sua esposa..."
Gabriel caminhou a passos largos para uma área reservada com vidros unidirecionais. Sentou-se no sofá de couro, virando um copo de uísque puro.
"Quem está lá embaixo que te deixou assim?", perguntou Artur.
"Eu me casei," soltou Gabriel.
Artur cuspiu a bebida, sujando o terno de Gabriel. Após os pedidos de desculpa, Gabriel foi ao banheiro lavar o rosto. Pela primeira vez em vinte e oito anos, sentia que perdera o controle de suas emoções.
"Você está assim por causa da sua esposa?", Artur provocou na porta.
"Ela concordou que não haveria amor no casamento," justificou Gabriel. "Eu só a escolhi porque ela é agradável aos olhos."
"Você está com ciúmes do amigo dela, isso sim! Instinto de posse puro," Artur riu.
"Mas eu não a amo," Gabriel rebateu friamente. "Sou um homem normal, é razoável ficar irritado ao ver minha esposa em intimidade com outro."
Lá embaixo, Alice, já tonta pela bebida, tentava se levantar. "Preciso ir... vai ser tarde para o Gabriel."
Lucas, também embriagado, perguntou: "Quem é seu marido mesmo?"
"Gabriel... Cavalcante."
"Ah, o gênio dos negócios, o filho perfeito que meus pais sempre citam... Você tem bom gosto, Lili."
Alice ergueu a cabeça com orgulho, mas o mundo girou. Antes de cair, foi amparada por braços fortes e um peito quente. Lucas, tentando recuperar a consciência, disse: "Valeu, cara, pode passar ela para cá."
O homem não a soltou. Pelo contrário, pegou-a no colo.
"Ei, quem você pensa que é? Solta ela!", gritou Lucas.
"Gabriel Cavalcante," respondeu o homem com uma voz gélida.
Lucas sóbrio instantaneamente. "Ah... então leve ela. Ela fica manhosa quando bebe, cuide bem dela. Dê água com mel para a ressaca..."
Gabriel lançou-lhe um olhar cortante e saiu com Alice nos braços.
Já no carro, Gabriel ordenou que subissem a divisória de vidro. Alice, sem equilíbrio, acabou batendo a cabeça no vidro do carro com um estrondo. "Dói...", ela resmungou.
Gabriel, com o rosto sério, puxou-a para o seu colo. Alice se aninhou no peito dele, esfregando a cabeça para achar conforto. Gabriel a observou com olhos sombrios, enquanto um pensamento o torturava:
Ela também ficava assim nos braços daquele Lucas?