Prólogo
Pressionados por suas famílias, Alice Guimarães e Gabriel Cavalcante se casaram apenas um dia após se conhecerem.
Eles firmaram um acordo claro: nada de amor.
Gabriel era o patriarca da prestigiosa família Cavalcante e o CEO do poderoso Grupo Cavalcante. Um homem íntegro, reservado, mestre do autocontrole e implacável no mundo dos negócios.
Entretanto, após o casamento, ele passou a mimá-la sem limites: cantava para ela dormir quando estava doente, respondia com carinho a cada dengo seu e era o primeiro a defendê-la diante de qualquer problema.
Apenas na cama ele se tornava uma força impossível de recusar, envolvendo-a em noites de desejo incessante.
"Meu amor, me chama de marido?"
No início, Gabriel desejava apenas uma relação de respeito mútuo, mas dia após dia, ele se viu perdendo o controle e perdidamente apaixonado.
Ele queria possuir seu corpo, sua mente, e desejava que os olhos dela brilhassem apenas para ele.
Até o dia em que ele a ouviu sussurrar o nome de outro homem enquanto dormia, e descobriu que seus cadernos de desenho estavam repletos de retratos daquele mesmo homem...
No dia em que a flagrou sendo abraçada por ele, Gabriel perdeu completamente a razão.
"O que eu vi agora... é o meu limite."
"Quer o divórcio? Só se eu morrer!"
"Meu amor, esqueça ele."
"Ame a mim, por favor."
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Texto principal:
Setembro em São Paulo continuava abafado. Ao entardecer, o vento soprava quente e o clima era de agitação.
Alice Guimarães protestou, elevando o tom de voz: "Eu não vou!"
Ela tinha apenas 20 anos e sequer havia terminado a faculdade. Como podia ter chegado ao ponto de ser obrigada a um encontro de noivado?
Augusto Guimarães tentou convencê-la com suavidade: "Lili, o Gabriel é o pretendente ideal. Tem boa linhagem, um caráter nobre e, apesar de jovem, já comanda..."
Alice tapou os ouvidos e virou o rosto, esperando que ele cedesse, mas ele apenas permaneceu em silêncio. Pelo canto do olho, ela flagrou o olhar do avô, carregado de uma melancolia difícil de decifrar.
Augusto baixou as mãos dela e as segurou com força entre as suas.
"Lili, o vovô nunca te pediu nada. Por favor, aceite isso apenas desta vez. Case-se o quanto antes, tudo bem?"
"Vovô," Alice olhou para ele, e seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. "Você também não me quer mais?"
Augusto soltou um suspiro profundo.
Alice levantou-se bruscamente, soltou a mão dele e saiu correndo.
"Lili!"
O Mordomo Jorge instintivamente ia atrás dela, mas foi contido por Augusto.
"Patrão, a Lili está chorando! Vou lá acalmá-la."
Augusto balançou a cabeça. "Deixe-a chorar. Ela precisa colocar essa raiva para fora."
"Patrão..." Jorge hesitou, mas acabou falando. "Não seria melhor adiar esse encontro? Afinal, a Lili ainda é muito jovem."
"Ela é jovem, mas eu já não tenho muito tempo." Antes de terminar a frase, Augusto começou a tossir violentamente.
Jorge correu para massagear suas costas e lhe entregou um guardanapo. Augusto limpou o canto da boca; no tecido branco, uma mancha carmesim se destacou.
Jorge se assustou. "Vou ligar para o médico agora mesmo!"
"Volte aqui." Augusto dobrou o guardanapo como se nada tivesse acontecido. "Eu conheço o meu corpo, não vou morrer agora. Espere a Lili sair amanhã para chamar o doutor."
Jorge assentiu, segurando as lágrimas. Quando a respiração de Augusto se acalmou, ele sugeriu com cautela: "Esconder sua doença da Lili não é bom. Ela vai ficar arrasada quando descobrir."
"Melhor do que deixá-la vivendo com medo o tempo todo." Augusto fechou os olhos. "O casamento da Lili precisa ser definido o mais rápido possível."
Ele precisava pavimentar o caminho dela antes de dar o último suspiro. Caso contrário, assim que ele morresse, ela seria despedaçada pelos abutres que viriam atrás de sua herança. Se isso acontecesse, como ele encararia o filho e a nora no além?
Jorge, que o acompanhava há décadas, entendia sua dor silenciosa. Mas um casamento deveria envolver vontade mútua. Após um momento de reflexão, ele teve uma ideia: "Patrão, e se buscássemos uma aliança com a família de Lucas? Eles são tão influentes quanto os Cavalcante, e a Lili cresceu brincando com ele. Eles se dão muito bem."
Augusto negou imediatamente. "Ele é um bom rapaz, mas é muito impulsivo e não tem pulso firme para protegê-la. O irmão mais velho dele seria perfeito, mas está nos Estados Unidos e ouvi dizer que já está comprometido. Uma pena."
Para garantir o futuro da neta, ele analisou todos os solteiros elegíveis de São Paulo. Após vários filtros, apenas Gabriel Cavalcante preenchia todos os requisitos com perfeição.
Augusto deu o veredito final: "Minha decisão está tomada, não tente me dissuadir. Entre em contato com os Cavalcante e agende o quanto antes o encontro entre Alice e Gabriel."
"Sim, senhor."
Do lado de fora, Alice, que havia voltado para se desculpar, estava encolhida em um canto, abafando o choro com as mãos. Ondas de calor vinham do exterior, mas ela sentia o corpo congelar, como se estivesse em uma câmara frigorífica.
Oito anos atrás, um acidente de carro levou seus pais.
Agora, até seu avô...
Um trovão ecoou no horizonte.
Dentro do quarto, a voz preocupada de Augusto surgiu: "Jorge, mande alguém buscar a Lili rápido. Ela tem pavor de trovões."
"Sim!"
Quando Jorge a encontrou, ela estava ajoelhada na capela da família, rezando de olhos fechados.
"Lili," ele chamou, agachando-se ao lado dela.
Alice abriu os olhos e perguntou com a voz rouca: "Qual é a doença do vovô?"
Jorge empalideceu. "Você... você ouviu?"
"Sim, Jorge. Não esconda mais de mim."
"É câncer de pulmão." Jorge baixou a cabeça, desolado. "Estágio III. Pela idade e fragilidade dele, os médicos dizem que a cirurgia é arriscada..."
O sangue fugiu do rosto de Alice.
"Lili, não tenha medo. Os médicos estão tentando reduzir o tumor e fortalecer o corpo dele para tentar a remoção assim que possível," Jorge tentou confortá-la.
Alice respirou fundo e, ao falar novamente, seu tom era de uma calma quase absoluta: "Não conte ao vovô que eu já sei. Entre em contato com os Cavalcante. Nos veremos amanhã de manhã."
Na manhã seguinte, Alice acordou e fez uma maquiagem leve e sofisticada. Com um sorriso perfeito no rosto, desceu as escadas.
Augusto perguntou, sorrindo: "Minha princesa não está mais brava?"
Alice ergueu o queixo com um charme mimado.
"O Jorge disse que o Gabriel não é nada mal de aparência, então vou fazer o sacrifício de dar uma olhada."
Augusto suspirou aliviado.
"Ótimo, ótimo!"
Após comer apenas algumas colfheradas do café da manhã, ela pousou os talheres.
"Estou indo. Mas deixo claro: se ele não gostar de mim, você não pode ficar bravo!"
Augusto respondeu prontamente: "Impossível ele não gostar, a menos que seja cego."
Alice deu um sorriso leve e caminhou para fora.
Augusto observou suas costas enquanto ela saía do restaurante e, de repente, a chamou: "Lili, não importa o que aconteça no futuro, lembre-se: o vovô estará sempre aqui."
Alice parou, mordendo o lábio com força para segurar as lágrimas.
Ela não ousou falar, muito menos olhar para trás.
Apenas levantou a mão fazendo um sinal de "OK".
O dia estava nublado, com nuvens pesadas encobrindo a cidade.
No coração de Alice, também havia uma nuvem cinzenta e opressora.
Ao chegar ao destino, o recepcionista abriu a porta do carro. Ela agradeceu e entrou no saguão.
No salão de chá, o aroma era suave e uma música de cítara tocava ao fundo.
O funcionário bateu à porta: "Sr. Cavalcante, a Srta. Guimarães chegou."
Alice controlou o nervosismo e olhou para dentro.
A figura alta e imponente de um homem dominou sua visão.
Ele vestia uma camisa prateada de corte impecável, com os ombros largos e a cintura marcada pela calça social preta.
As mangas estavam levemente dobradas, revelando antebraços firmes.
No pulso de pele clara, um relógio de platina brilhava com uma elegância discreta.
Ao ouvir o som, o homem se virou.
Sob sobrancelhas marcantes, seus olhos eram negros e profundos, com um olhar tão calmo quanto um abismo, sem qualquer ondulação.
A primeira impressão de Alice foi de frieza — uma frieza comparável à neve recém-caída no inverno.
Mesmo naquele calor escaldante, a aura gélida que o rodeava não diminuía nem um pouco.
"Srta. Guimarães," ele disse com voz moderada. "Olá."
Alice exibiu seu sorriso social padrão. "Sr. Cavalcante, olá."
Gabriel caminhou lentamente e puxou a cadeira para ela. "Por favor, sente-se."
Alice agradeceu e acomodou o vestido ao se sentar. Assim que o atendente serviu o chá e saiu, fechando a porta, o coração de Alice saltou uma batida.
Ela tomou dois goles de chá e, antes que pudesse começar uma conversa casual, o homem à sua frente falou primeiro. Sua voz era grave e distante:
"Srta. Guimarães, peço desculpas pela franqueza, mas há algo que preciso deixar claro desde o início."
"Eu preciso de um casamento estável, racional e sem envolvimento emocional. Posso oferecer à minha esposa tudo o que estiver ao meu alcance: respeito, fidelidade, recursos... exceto amor."
Para ele, esse sentimento complicado e sem sentido não fazia parte de seus planos de vida.
"Se a sua expectativa para o casamento for romance, temo que não sejamos compatíveis."
Alice ficou atônita por um segundo, mas logo uma onda de alívio e alegria a invadiu: Nada de amor? Isso é perfeito!