Capítulo 7
Uma hora depois, o tribunal retomou a sessão.
O juiz tinha uma expressão severa:
"Após a devida verificação, as provas submetidas pela ré sobre o relacionamento entre Ricardo e Camila são autênticas."
"Ao mesmo tempo, a coleta de material para o novo exame de DNA foi concluída; o resultado oficial sairá em três dias."
"Daremos continuidade ao julgamento agora."
O advogado de Camila suava frio, e sua voz demonstrava uma clara falta de confiança:
"Meritíssimo, quem é o pai biológico da criança ainda é uma incógnita..."
Eu o interrompi bruscamente:
"Chega."
"A essa altura, vocês ainda vão insistir nessa resistência inútil?"
Olhei fixamente para Camila:
"O maior erro de vocês foi acreditar que meu marido apenas 'não voltava para casa'."
"Vocês nunca pararam para pensar por que um homem de negócios bem-sucedido não apareceria por mais de dois anos?"
"Por que todos os negócios da empresa dele são administrados exclusivamente por mim?"
Camila mordia os lábios, em silêncio.
Soltei uma risada fria e disse cada palavra pausadamente:
"Porque um morto, obviamente, não pode aparecer."
A galeria reagiu com expressões diversas, mas ninguém ousou emitir um som.
"Quanto ao laudo de DNA que vocês apresentaram..."
Fiz uma pausa e entreguei outro documento:
"Meritíssimo, aqui está o depoimento de um funcionário do laboratório de análises."
"Ele confessou ter recebido propina de Camila para falsificar o resultado do laudo de paternidade."
"Aqui também estão capturas de tela dos comprovantes de transferência bancária."
Foi mais um golpe fatal.
Dona Fátima, de repente, começou a bater em Camila como se estivesse louca:
"Fale alguma coisa, minha filha! Você foi enganada por esse lixo do Ricardo, ele te obrigou a fazer isso, não foi?!"
Camila empurrou a mão da mãe bruscamente e me encarou com os olhos injetados de sangue. Decidida a jogar tudo para o alto, ela gritou:
"Sim! Fomos nós que fizemos tudo! E daí?!"
Com a máscara totalmente caída, sua voz soava estridente:
"Beatriz, você acha que é santa por acaso?!"
"Você escondeu a morte do seu marido por três anos só porque tinha medo que todos soubessem que você é uma viúva solitária!"
Ela estava histérica:
"Se você tivesse dito a verdade desde o início, nós teríamos mirado em você? A culpa é sua!"
O tribunal silenciou. Todos a observavam.
Camila ignorou os olhares de desprezo, ofegante, e continuou:
"E tem mais! E a Luciana, sua antiga empregada? Como ela perdeu as pernas?"
"Você tem coragem de dizer que não teve nada a ver com aquilo?!"
Franzi a testa, sem entender por que ela trouxe o nome de Luciana à tona de repente.
Camila soltou uma risada frenética:
"Só porque ela perdeu um colar seu, você a pressionou tanto que ela saiu desesperada e sofreu aquele acidente, terminando com as duas pernas amputadas!"
"Depois você ficou com medo e usou dinheiro para abafar o caso, não foi?!"
Vendo que eu permanecia em silêncio, ela ficou ainda mais arrogante:
"Se nós tivéssemos entrado em contato com ela antes, ela com certeza adoraria testemunhar contra você!"
"Porque você também tem uma culpa que não pode ser apagada!"
"Se você vai destruir a minha vida, eu vou destruir a sua também!"
O juiz refletiu por um momento e olhou para mim:
"Ré, o que tem a dizer sobre isso?"
Respondi friamente:
"O caso da Luciana não tem relação com este processo."
Camila gritou:
"Como não tem?!"
"Isso prova que você é uma pessoa podre até o caroço!"
"Você também deveria receber a punição que merece!"
O juiz finalmente assentiu:
"Esta corte autoriza a convocação de Luciana."
"Sessão suspensa temporariamente para providenciar a chegada da testemunha."
Durante o intervalo, o olhar de Camila para mim era de puro triunfo e provocação. Ela provavelmente acreditava que Luciana seria a última pá de cal que arruinaria minha reputação.
Trinta minutos depois, as portas do tribunal se abriram novamente.
Luciana, sentada em uma cadeira de rodas, foi conduzida lentamente pelos oficiais de justiça.
Todos os olhares se voltaram para ela.
Camila imediatamente assumiu uma expressão de falsa compaixão:
"Lu, não tenha medo. Conte a verdade."
"Diga a todos o que a Beatriz fez com você naquela época. Se você contar tudo, todos aqui vão te defender."
Dona Fátima também enxugava lágrimas falsas:
"Pobrezinha, você sofreu tanto..."
Luciana ergueu a cabeça devagar, correndo o olhar por todo o tribunal.
O juiz começou:
"Testemunha Luciana, por favor, relate sua relação com a ré Beatriz e como ocorreu o seu acidente."
Luciana apertava os braços da cadeira de rodas com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos.
Camila apressou-a:
"Diga logo, Lu! Não foi a Beatriz que te expulsou de casa e causou o seu acidente?"
"E depois, ela não te deu dinheiro para você calar a boca?"
Luciana respirou fundo e finalmente falou, com a voz rouca, mas clara:
"Sim."
O tribunal voltou a se encher de críticas contra mim:
"Meu Deus, parece que essa ré realmente não presta."
"Pois é, quem tem dinheiro raramente tem caráter."
Olhei fixamente para Luciana, sem dizer uma palavra.
Camila estava radiante:
"Isso, Lu! Agora tente lembrar, a Beatriz fez mais alguma coisa contra você?"
Luciana pensou por um momento e assentiu:
"Fez."
Prendi a respiração, esperando pelo que viria a seguir.