Ela gritou furiosa:
"O que você está fazendo? Solte o Enzo agora mesmo!"
Dizendo isso, ela correu e me empurrou com força, protegendo Enzo atrás de si.
Ela me encarava com ódio, como se visse um inimigo.
"O Enzo conseguiu o cargo de vice-presidente por mérito próprio, e você tenta machucá-lo repetidamente. Como podemos ter um marido tão perverso como você!"
Depois, ela se voltou para Enzo, com a voz ansiosa: "Enzinho, você está bem? Ele te machucou?"
Enzo balançou a cabeça com um ar injustiçado:
"Irmã Bia, o Gabi só está sentindo o impacto, ele não aceita que eu tenha me tornado vice-presidente."
"Ele só está tendo dificuldade para processar isso, por favor, não o culpe."
Ao ouvir isso, Beatriz me lançou um olhar de decepção.
Em seguida, ela se afastou levando Enzo.
Apenas ouvi o consolo dela:
"Enzo, você não queria um cachorro? Vou comprar um Labrador para você."
Observei friamente as silhuetas deles desaparecendo antes de desviar o olhar.
A empresa já estava vazia após o expediente.
Fiquei até tarde para finalmente confirmar a situação exata daquele projeto.
Porém, nesse processo, descobri que, há um ano, para agradar Enzo, Beatriz desviou fundos da empresa para comprar um iate para ele.
Mais tarde, ele não gostou do brinquedo e o vendeu.
Apenas essa transação de ativos foi ocultada.
Continuando a investigar a fundo, encontrei vários outros casos semelhantes.
Nisso tudo, não sei quantos impostos foram sonegados.
No ano passado, fui alertado por um amigo de que o Grupo Ribeiro estava envolvido em sonegação fiscal e, por isso, gastei uma fortuna para acobertá-la para ela.
Mas desta vez, não correria mais esse risco por ela.
Como ainda faltavam alguns dias para o trem partir, hospedei-me em uma pequena pousada.
No final da tarde do dia seguinte, Beatriz, não sei como, conseguiu descobrir onde eu estava.
Assim que saí do quarto, fui barrado por eles.
Ao me ver, ela soltou um riso de desprezo:
"Sem mim, tudo o que você consegue pagar é uma pousada barata como esta."
"No fim das contas, você não passa de um fracassado que não conquistou nada."
Ignorei-a e comecei a andar, mas Enzo me impediu:
"Gabi, somos todos da família, tudo pode ser conversado. Desta vez trouxe a Bia para te convidar para a minha cerimônia de posse."
"Eu já falei com a Bia para que ela te dê um milésimo das ações da empresa."
"Pare com isso e volte conosco, não quero ver vocês brigados."
Beatriz disse friamente: "Gabriel, o Enzo se ofereceu para dividir as próprias ações com você por pura generosidade. Você deveria agradecer por ele ser tão compreensivo e te tolerar."
"— Um milésimo?"
"— Eu não preciso disso."
Afastei friamente a mão de Enzo. Ele aproveitou o movimento para cair, cortando a mão e provocando um sangramento.
Beatriz começou a gritar imediatamente:
"— Gabriel, não abuse da minha paciência! Se não fosse pelo Enzo insistindo para eu vir te buscar, você acha que eu realmente queria te levar de volta?"
"— Você sempre intimidou o Enzo, e agora ousa erguer a mão contra ele na minha frente? Eu não deveria ter me dado ao trabalho!"
"— Já que você não quer as ações, então não terá nada!"
"— Quero ver até quando você vai aguentar sem mim!"
Ao ouvir aquilo, senti um riso amargo subir à garganta.
"— Você não acha ridículo dizer isso?"
"— Em todo esse tempo, com qual dos seus olhos você me viu intimidando ele?"
"— Em qual dessas vezes não foi ele dizendo qualquer coisa e você acreditando sem hesitar?"
"— Desta vez, para torná-lo vice-presidente legitimamente, você me enganou por três anos e ainda invalidou todo o meu esforço!"
"— É isso que você chama de apoio?!"
"— Cale a boca!"
Beatriz avançou para me dar um tapa no rosto.
Mas, desta vez, segurei a mão dela e a empurrei.
Ao ver a cena, Enzo correu para ampará-la e olhou para mim com a voz embargada:
"— Gabi, a Irmã Bia é tão boa para você, é assim que você a desrespeita?"
"— Peça desculpas a ela agora mesmo!"
Em seguida, ele implorou a Beatriz:
"— Irmã Bia, o Gabi não fez por mal, ele só não consegue aceitar que vocês me deram o cargo de vice-presidente."
"— Que tal eu devolver o cargo de vice-presidente para ele?"
Beatriz o impediu, com o rosto sombrio: "— Enzo, não precisa falar por ele."
"— Ele é apenas um ingrato de coração frio!"
Logo depois, ela me deu um ultimato:
"— Gabriel, vou te dar uma última chance. Amanhã é a cerimônia de posse do Enzo. Prepare um presente decente, ajoelhe-se e peça desculpas a ele em público. Assim, você poderá continuar sendo meu marido de fachada. Caso contrário, não me culpe por ser implacável!"
Ao ouvir as palavras dela, baixei a cabeça, rindo até tremer.
"— Então, quer dizer que ainda devo agradecer pela sua benevolência?"
Ao ouvir isso, ela sorriu com desprezo:
"— Com certeza. Afinal, fui eu quem te deu tudo."
Dito isso, ela puxou Enzo para o carro.
Assisti friamente os dois partirem e segui em direção ao Grupo Castro.
No dia seguinte, em um hotel de luxo.
Vestindo um terno sob medida, Enzo compareceu à cerimônia, desfrutando dos elogios de todos os presentes.
Beatriz segurava o braço dele, com um olhar terno: "— Enzo, assim que você se tornar vice-presidente, cuidará da empresa junto comigo."
Enzo assentiu emocionado, mas logo olhou para a porta.
"— Irmã Bia, já faz tanto tempo, por que o Gabi ainda não chegou? Ele ainda deve estar bravo, não é?"
"— Talvez eu devesse ligar para ele."
Um brilho de repulsa passou pelos olhos de Beatriz:
"— Esqueça ele. Eu já dei a chance. Se ele não aparecer, eu me divorcio dele."
Porém, mal ela terminou de falar, um subordinado chegou às pressas.
"— Sra. Ribeiro, algo deu errado! Um veículo da fiscalização parou na porta da nossa empresa. Estão dizendo que sonegamos impostos e exigem que a senhora compareça para colaborar com as investigações."