Mas Beatriz garantiu a ele que não o faria.
Ela realmente nunca mais procurou Lucas, mas também não quis ficar com Dante.
Ela devolveu cada centavo das despesas hospitalares que ele pagou e desapareceu completamente.
Dante procurou por todos os cantos, perguntando a todos sobre o paradeiro de Beatriz, até que soube por meio de uma colega de rosto angelical e fofo que Beatriz havia voltado para sua terra natal.
Dante acendeu um cigarro e decidiu dirigir até lá para encontrá-la.
Ele disse a si mesmo que aquela seria a última vez. Não era por falta de paciência, mas porque, depois de ter se esforçado tanto, se ela ainda não gostasse dele, ele não a incomodaria mais.
Ele fumou por um longo tempo embaixo do prédio dela, até que a viu caminhando ao lado de um homem, conversando e rindo.
Aquela foi a primeira vez em muitos dias que ele a viu sorrir de forma tão radiante e feliz.
Dante sentiu uma dor amarga no peito, uma dor que o impedia de respirar.
Só jogou o cigarro fora quando a brasa queimou seus dedos. Ele perguntou se ela estava feliz e, após receber uma resposta afirmativa, virou as costas e partiu sem olhar para trás.
Desta vez, era realmente o fim.
Ele dirigia sentindo o vento no rosto, sentindo-se péssimo, realmente péssimo.
Como era possível que, no final de tudo, Beatriz ainda se recusasse a lançar um único olhar para ele?
Ele achou que, depois daquilo, não haveria mais futuro.
Mas Beatriz ligou para ele e ainda lhe deu uma explicação.
Ao ouvir a voz dela, foi como se fogos de artifício explodissem em seu coração, mas ele se manteve calmo.
Ele sabia que, desta vez, Beatriz precisava enxergar o próprio coração por conta própria.
Ele perguntou o porquê, mas ela, confusa, não ousou dar uma resposta.
Ele não teve coragem de pressioná-la. Suspirou; que fosse assim, apenas aquilo já o deixava satisfeito.
Se ela não entendia o amor, ele a ensinaria.
Finalmente, ele conseguiu ficar com ela.
Ela voltou para a mansão dos Vasconcelos para resolver toda aquela bagunça.
Ele quis ajudá-la, mas sabia que, se oferecesse ajuda direta, ela não aceitaria.
Então, ele a deixou fazer as coisas do seu jeito.
Na verdade, ele já estava preparado para o caso de ela não conseguir salvar a empresa.
Mas, para sua surpresa, ela se saiu muito bem, crescendo com garra em meio às dificuldades.
Quando estava exausta, ela agia de forma carinhosa com ele; Dante sentia pena, mas não ousava dizer para ela desistir de tudo.
Ele voltou para os Cavalcante e a ajudou secretamente.
Sua Bia era forte e, ao mesmo tempo, delicada; ele queria dar a ela tudo o que havia de melhor no mundo, mas não queria que ela sentisse que dependia dele.
E então ela conseguiu. Usando sua própria capacidade, alcançou tudo o que desejava, passo a passo.
Ele sentia um orgulho e uma felicidade genuínos por ela.
Mas havia um problema: ela agora brilhava demais. Linda e talentosa, ela era como uma rosa desabrochando no mundo dos negócios — com espinhos, selvagem e deslumbrante.
Muitos homens queriam se aproximar dela.
Como ele poderia permitir isso?
Assim, ele começou a planejar um casamento grandioso.
Ele queria que sua Bia fizesse tudo o que gostasse; ela merecia desfrutar das melhores coisas da terra e ser tão radiante a ponto de fazer todos os que a maltrataram se arrependerem.
Mas ele não esperava que sua Bia ficasse grávida primeiro.
Dante quase enlouqueceu de alegria.
O casamento teve que ser adiado, mas o pedido oficial não podia faltar.
Ele reservou o maior parque de diversões de Florianópolis e passou o dia inteiro com ela. Ao final do passeio, ele a pediu em casamento.
Ela cobriu a boca com as mãos e riu, mas logo começou a chorar.
Dante ficou desesperado de preocupação; desistiu do pedido para beijar as lágrimas dela.
"Se você realmente não quiser o casamento, nós não faremos. Bia, eu não suporto te ver chorar."
Ela, no entanto, retribuiu o beijo com paixão. "Não é que eu não queira, eu quero muito, muito mesmo."
Ela segurou a mão dele, entre risos e lágrimas.
"E o anel? Quem faz um pedido e para no meio do caminho?"
Ele procurou o anel apressadamente e o colocou em seu dedo com devoção.
Finalmente, ela era sua esposa.
Muitos e muitos anos depois, quando o "pequeno Dante" e a "pequena Bia" já haviam crescido, Beatriz continuava sendo mimada por Dante como se fosse uma filha.
Era comum que tudo o que a pequena Bia recebesse, Beatriz também recebesse em dobro.
Contudo, o pequeno Dante não recebia nada; ele apenas observava.
Isso porque, quando Beatriz deu à luz ao pequeno Dante, teve uma hemorragia grave e quase morreu.
Por isso, a regra de criação dos filhos na casa dos Cavalcante era: "Nada é maior do que a mamãe".
Às vezes, o pequeno Dante ficava inconformado e perguntava ao pai:
"Papai, eu não sou seu único filho? Eu não carrego o seu sobrenome?"
Dante, ocupado descascando camarões para Beatriz, nem sequer levantou a cabeça.
"Minha esposa é a minha única esposa. Quando você tiver a sua, vai levar o seu velho para passear? Vai descascar camarão para o seu velho?"
O pequeno Dante parou por três segundos e respondeu com firmeza:
"Com certeza não."
Dante deu um chute leve nele. "Então não diga asneiras."
O pequeno Dante esfregou o bumbum. "Então por que você descasca para a minha irmã?"
"Porque meninas precisam ser mimadas para não serem enganadas por qualquer idiota, assim como eu cuido bem da sua mãe para que ela não seja levada por nenhum outro espertinho."
O pequeno Dante fez um biquinho. "Se você cuidar bem de mim, eu também não serei enganado por nenhuma mulher."
"Se te levarem, é lucro seu."
O pequeno Dante começou a chorar, jurando que não queria mais o papai.
Dante virou-se e entregou o camarão para Beatriz. "Sua mãe me querendo já basta."
O pequeno Dante fechou os punhinhos. "Pode esperar, papai! Quando eu crescer, vou roubar a mamãe de você e fazer ela não te querer mais!"
Dante ergueu a sobrancelha. "Está querendo apanhar?"
O pequeno Dante aproveitou para abraçar Beatriz. "Quem mandou não me dar camarão?"
"Está bem, eu descasco para você." Dante disse, retirando as luvas descartáveis, pegando o filho no colo e dando dois tapinhas em seu bumbum. "Moleque, nem cresceu direito e já quer roubar minha esposa?"
O pequeno Dante abriu o berreiro, enquanto a pequena Bia batia palminhas com seus olhos redondos.
Beatriz sorriu docemente e puxou o pequeno Dante para perto. "A mamãe já se casou com o papai, então não pode casar com você, meu amor. Mas se um dia você encontrar uma menina que ame, deve cuidar muito bem dela, entendeu?".
O pequeno Dante fez um biquinho. "Entendi, mamãe. Tenho que cuidar dela tão bem quanto o papai cuida de você".
"Humph." Dante soltou um risinho arrogante e olhou para Beatriz com total ternura. "Ninguém conseguirá cuidar de você tão bem quanto eu."
Fim do Epílogo.
(FIM DA HISTÓRIA)