《Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo》Capítulo 26

PUBLICIDADE

41

Isadora foi condenada e Bernardo continuava internado.

Quando fui visitar Bernardo, ele estava cercado por tubos, sofrendo com o desgaste da doença. Seus olhos turvos e envelhecidos se fixaram em mim.

Contei a ele, detalhe por detalhe, tudo o que aconteceu nos últimos dias.

"Sua filha querida finalmente foi para a prisão."

A pálpebra de Bernardo tremeu levemente.

Continuei: "E não tente usar a empresa para me chantagear emocionalmente."

Coloquei um documento sobre o travesseiro dele. "Pai, o Grupo Vasconcelos já é meu há muito tempo."

Durante o período em que resolvi a crise da empresa, agi com cautela. Comprei ações da empresa a preços elevados e, somadas à parte que Dante me deu, tornei-me a maior acionista individual. Ou seja, mesmo sem o seu consentimento, o comando é meu.

Coloquei minha mão sobre a máscara de oxigênio dele, sem expressão. Bernardo arregalou os olhos.

Sussurrei calmamente: "Eu não vou te dar um rim, mas também não vou te abandonar. Pelo resto dos seus dias, o senhor ficará deitado neste hospital, assistindo de camarote ao sofrimento da Isadora na prisão."

Retirei minha mão. "E tudo isso é consequência das escolhas de vocês."

......

Dante me esperava do lado de fora do quarto. Quando saí, eu me sentia exausta, como se tivesse voltado de uma guerra.

Ele me abraçou pelos ombros. "Você está bem?".

Senti uma melancolia profunda e me aninhei em seus braços, respondendo com a voz abafada: "Dante, você acha que eu fui cruel demais?".

Dante deu tapinhas gentis em minhas costas e perguntou suavemente: "Ficou com o coração mole?".

Apertei-me contra o peito dele, como um gatinho carente. "Não."

Apenas sentia o peso do laço de sangue.

Dante me pegou no colo, com a voz carregada de uma frieza protetora: "O fato de eu ainda não ter movido um dedo contra eles já é a maior misericórdia que poderiam receber."

42

Três meses depois.

O Grupo Vasconcelos entrou nos eixos, e minha rotina se resumia à empresa e ao lar. Dante trouxe meus pais adotivos para morar conosco, e Tiago veio visitar Florianópolis após o término do vestibular.

Ele trouxe até uma namoradinha. O clima meloso dos dois era de dar vergonha alheia.

Dante vivia suspirando ao meu lado: "Amor, não podemos deixar seu irmão ganhar da gente nessa disputa de carinho".

Eu estava concentrada no trabalho quando Dante se aproximou. "Esposa, quero atenção".

"Estou ocupada."

Folheei os documentos rapidamente. "Vou precisar tirar uma licença de seis meses em breve, então o volume de trabalho agora está enorme. Aguente um pouco, está bem?".

Dante apoiou o queixo na mão, observando-me intensamente. "Vai tirar licença? Quer dizer que finalmente vamos ter nossa lua de mel?".

Minha caneta parou no meio da assinatura. Olhei para ele. "Bem...".

"Hm?" Dante começou a viajar em seus pensamentos. "Ou será que você finalmente aceitou fazer a festa de casamento? Afinal, só registramos a união, você ainda não me deu o meu lugar oficial perante o mundo".

PUBLICIDADE

"É que..." Guardei a caneta e olhei para ele sem jeito. "Talvez o casamento e a lua de mel tenham que esperar um pouco. Tenho um compromisso."

Dante sentou-se ereto imediatamente. "Que compromisso? Vai fugir com que homem?".

"Bom... pode ser um menino, ou pode ser uma menina."

Dante estreitou os olhos com ciúmes. "Amor, vou te dar uma chance de reformular essa frase".

"Dante~" Joguei os documentos de lado e tirei um exame da bolsa. "Eu preciso cuidar do nosso bebê".

Diante de sua expressão de choque total, fiz um biquinho fingindo mágoa: "E você ainda grita comigo".

—— FIM ——

Epílogo

O tempo que Dante conhecia Beatriz era, na verdade, tão longo quanto o tempo que ela amou Lucas.

No dia em que ele, aos 16 anos, empurrou a amante do pai escada abaixo, ele também foi espancado pelo pai e ficou internado por três meses. E quem estava na cama ao lado era Beatriz.

Naquela época, Beatriz tinha acabado de chegar à família Vasconcelos e passava mal por ter comido algo estragado que Isadora lhe dera. Ninguém vinha visitá-la; ela ficava ali, sem reclamar ou fazer barulho, apenas tomando seu soro em silêncio.

Dante a observou por vários dias. Até a enfermeira reclamava da crueldade dos pais dela, que nunca apareciam. Mas Beatriz era sempre obediente e silenciosa.

Certa vez, Dante não aguentou. Ele queria saber até onde ela conseguia suportar e disse de propósito:

"Eu conheço seus pais. No dia anterior à minha internação, eu os vi comprando roupas com sua irmã. Você não fica brava?".

Beatriz, que escrevia em seu caderno de lição de casa, apenas parou por um segundo e não demonstrou outra reação. Dante, com a perna engessada para cima, continuou provocando:

"Covarde. Eles são seus pais e são tão injustos, você não tem coragem de reagir?".

Beatriz continuou calada. Apenas tocou a campainha para a enfermeira trocar o soro e perguntou, com sua voz doce e suave, quando receberia alta. A enfermeira, compadecida daquela menina tão madura, afagou seu cabelo: "Mais um dia de soro amanhã e você poderá ir para casa".

Ela assentiu e voltou a se deitar em silêncio. Dante insistiu: "Ei, ouvi dizer que você é a filha que estava perdida. Seus pais te tratam assim e você não se irrita? Não quer causar um escândalo?".

Em Florianópolis, as famílias ricas se conheciam, e qualquer fofoca corria rápido. Beatriz finalmente reagiu, olhando para o jovem excessivamente bonito, mas excessivamente falante à sua frente: "E você, que causou um escândalo tão grande, seus pais vieram te ver?".

Desde que Dante fora internado, o hospital não tinha paz; ele raramente cooperava com os médicos. Dante, atingido pelo argumento, hesitou antes de retrucar:

"Eu não faço a mínima questão que eles venham. Eu não preciso de uma família assim. Se ele se atreve a arranjar uma madrasta, eu me atrevo a não dar sossego a ele pelo resto da vida".

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia