《Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo》Capítulo 25

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Dante ficou internado no hospital por meio mês.

Todos os dias, eu dava um jeito de preparar caldos nutritivos de diferentes sabores para ele. Ele, por sua vez, vivia insistindo para receber alta. "Amor, eu já estou bem. Olha só, posso até pular".

Dito isso, ele deu uma pirueta e correu para me pegar no colo. "Esposa, eu ainda consigo te carregar".

Dei um grito de susto. "Dante, não se mexa!".

Dante encostou o rosto no meu. "Querida, eu preciso trabalhar para te sustentar, já posso mesmo sair daqui".

"Não! Você só sai quando estiver completamente recuperado." Abri a marmita que trouxe e servi uma tigela de canja de galinha para ele.

Dante me mimou com um olhar: "Tudo bem, ser cuidado pela esposa também é muito bom". Ele pegou a tigela e tomou a canja colher por colher.

Na tela de LCD do hospital, passava o noticiário recente: "A esposa do presidente do Grupo Vasconcelos foi condenada à prisão por lesão corporal grave contra terceiros...".

Meio mês atrás, o relatório de sangue de Dante apresentou anomalias, e as evidências colhidas continham as impressões digitais de Isadora e Helena. Mas sobre a droga na água, Bernardo e Helena não sabiam de nada.

Eu processei Isadora judicialmente.

Helena veio me implorar para que eu a poupasse. Quando contei a verdade, ela não apenas não culpou Isadora, como deu um tapa no próprio rosto: "A culpa é minha, eu não soube educar a Isadora!". E então, ela assumiu a culpa no lugar da filha.

Hoje foi o momento em que o veredito foi anunciado.

Ao ouvir a notícia, Dante pousou a tigela e segurou minha mão. "Você está bem?".

"Sim." Desliguei a TV, não querendo ver a imagem abatida de Helena na tela.

Dante deu um tapinha na minha mão, mas antes que pudesse falar, a porta do quarto foi aberta. Bernardo, também visivelmente desgastado, parou à minha frente. "Bia, você vai mesmo deixar sua mãe apodrecer na cadeia?".

39 (Continuação)

Bernardo parecia exausto, sem qualquer rastro da autoridade de um presidente. Seus cabelos estavam brancos, como se tivesse envelhecido dez anos.

"Eu e sua mãe mimamos demais a Isadora e acabamos te magoando, nós erramos... mas sua mãe já tem idade. Se ela ficar alguns anos presa...".

Dante franziu o cenho, prestes a me defender. Balancei a cabeça para ele, sinalizando para que terminasse sua canja.

Então, encarei Bernardo: "Se vocês realmente acham que a Isadora errou, deixem que ela cumpra a pena. Por que vir me implorar?".

Bernardo levou a mão ao peito, ofegante. Sua saúde já vinha declinando há seis meses, e as preocupações recentes o deixaram ainda mais debilitado. Ele começou a tossir violentamente, precisando segurar no batente da porta para não cair.

Ele olhou para mim: "Bia, o papai te implora... sua mãe não pode ir para a prisão".

"Pai." Levantei a cabeça e olhei para ele com frieza. "O senhor faz check-ups anuais. Seus rins já apresentam problemas há anos, não é?".

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Bernardo não entendeu por que eu toquei no assunto, mas assentiu: "Estou velho, é normal o corpo falhar".

"O senhor precisa de um transplante." Enquanto geria a empresa, tomei conhecimento de todos os detalhes internos. Bernardo não conseguia mais liderar justamente por causa da saúde. Caso contrário, não estaria preparando o caminho para Isadora tão cedo.

Bernardo olhou para cima; seus olhos envelhecidos estavam turvos.

Recolhi a tigela vazia de Dante. "Vocês não favorecem tanto a Isadora? Se ela aceitar doar um rim para o senhor, eu retiro a queixa sobre a tentativa de dopar o Dante".

Bernardo paralisou.

Sorri com desprezo: "É apenas um rim. Será que a sua filha tão amada estaria disposta?".

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O caso de Helena entrou em fase de recurso. O conselho administrativo dos Vasconcelos estava prestes a se reunir, e Dante recebeu alta.

Ainda não havia notícias definitivas do lado de Bernardo. Se Isadora aceitaria ou não doar o rim, a resposta seria revelada hoje.

Antes da reunião começar, Dante me levou de carro até a empresa. Eu usava um conjunto executivo, com um visual prático e decidido. Dante apoiava a mão no volante me observando: "Quer que eu suba com você?".

"Não precisa." Passei um batom vermelho vibrante diante do espelho e perguntei: "Estou bonita?".

Os olhos escuros de Dante brilharam; ele engoliu em seco. "Amor, esse seu visual executivo...", ele disse com a voz rouca. "Tsc, dá vontade de te trancar em casa para ninguém mais te ver".

Pressionei meus lábios vermelhos e me aproximei dele, sentindo sua respiração. "Dante, me espere à noite".

Ele travou, com um brilho perigoso no olhar. "Está me provocando?".

Afastei-me com um sorriso, ajeitando uma mecha de cabelo. "Talvez".

Ele suspirou, apontando para si mesmo: "Vá vencer sua batalha, mas não ouse me provocar e depois fugir da responsabilidade. Estarei aqui te esperando".

"Combinado."

Abri a porta do carro. Giovanna já me esperava na entrada da empresa. Ela acenou, e eu caminhei em sua direção com total confiança.

Na sala de reuniões do Grupo Vasconcelos, Bernardo ocupava o assento principal, parecendo ainda mais doente e angustiado. Isadora estava ao seu lado, girando uma caneta com desleixo e um ar de tranquilidade. Os demais diretores ocuparam seus lugares.

Gio abriu o notebook e projetou os slides preparados. Isadora cruzou olhares comigo e articulou sem som: "Trabalhe bem, eu te recompensarei".

Recolhi meu olhar sem dizer nada e comecei a análise da crise e as perspectivas futuras da empresa. Terminada a apresentação, Isadora foi a primeira a aplaudir: "Bom trabalho".

Ela se levantou para falar aos presentes: "Senhores, hoje não os chamei apenas para o relatório de desempenho, mas para um anúncio importante". Isadora olhou para Bernardo cheia de expectativa. "Papai, pode falar".

O rosto de Bernardo estava marcado pelas rugas da idade. Ele tossiu duas vezes antes de declarar: "Cavalheiros, devido às minhas condições de saúde, o comando do Grupo Vasconcelos será oficialmente... entregue a Beatriz".

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Minha mão, que segurava o apontador laser, estancou.

Isadora ficou igualmente incrédula; seu sorriso vitorioso congelou no rosto. "Pai, o que você está dizendo?".

Bernardo deu o veredito final: "A competência de Beatriz é visível a todos. Acredito que, em suas mãos, a empresa terá um futuro brilhante". Os demais diretores aplaudiram em peso, parabenizando-me. "A Srta. Beatriz como nova diretora é o desejo de todos nós".

Em meio às felicitações, observei Bernardo em silêncio. Ele acenou, tossindo a cada palavra: "Estou velho, o futuro agora é de vocês".

A reunião terminou. Isadora desabou em sua cadeira, desolada. "Pai! Você disse que a empresa seria minha!".

Bernardo começou a tossir ainda mais forte. Isadora, sem qualquer consideração pela saúde dele, começou a questioná-lo aos gritos. Sentei-me e observei os dois. Isadora chorava, sem aceitar o fato de eu assumir o comando.

Tamborilei os dedos na mesa e olhei para o meu pai: "Então, no fim das contas, o senhor nem teve coragem de perguntar à Isadora sobre o rim? O senhor quer que eu me sinta culpada para poupar a minha mãe?".

Bernardo segurava a região lombar. "Sua irmã é frágil, eu não poderia...".

Meus dedos travaram na mesa. Até Giovanna, que recolhia as coisas ao lado, arregalou os olhos diante do absurdo. Ela também sabia da necessidade do transplante. O que Bernardo não terminou de dizer era óbvio.

O silêncio na sala tornou-se sepulcral. Eu achei que meu coração já estivesse calejado o suficiente para não sentir mais dor. Mas Bernardo conseguira cravar mais uma lâmina nele no último instante.

Isadora bateu na mesa: "Eu não aceito! A empresa é minha! Por que deu para a Beatriz?! Eu fui a filha criada ao seu lado! Você prometeu! Como pode voltar atrás?!".

Bernardo olhou para Isadora com um olhar complexo. Isadora parecia em transe: "A empresa é minha! Por que deu para ela!".

"Isadora." Interrompi seu delírio. "Você quer tanto assim a empresa?".

Isadora rangeu os dentes: "Não pense que venceu! Até o último segundo, ela será minha!".

"Pois bem, fique com tudo." Meu olhar era de puro gelo; tudo terminaria hoje. "Isadora, você sabe que seu pai sofre de uma doença renal?".

Isadora parou por um segundo, mas não demonstrou preocupação, apenas maldade: "E daí? O que eu tenho a ver com isso?". Ela apontou para Bernardo: "Se você deu a empresa para ela, você merece sofrer!".

Bernardo não esperava que Isadora reagisse assim ao perder o comando; ele levou a mão ao peito, perdendo o fôlego. Quão trágico e ridículo. Ele não resistiu ao esforço e desmaiou.

Gio correu para chamar socorro para levá-lo ao hospital. Isadora não demonstrou compaixão, apenas bufou: "Que morra de uma vez".

Segurei os documentos que ainda não havia apresentado, ouvindo os delírios de Isadora.

"Sabe de uma coisa? Eu também os odeio." Isadora levantou-se subitamente, vendo Bernardo ser levado pelos paramédicos, e riu de forma exagerada para mim: "Hahaha, esses pais... eles já tinham a mim, por que precisavam te buscar?".

"Eu não era o suficiente? Por que você teve que voltar? Por que?". Isadora batia com força na mesa.

Então, ela me encarou com fúria: "Beatriz! Enquanto você não sumir, a empresa nunca será minha! O título de Srta. Vasconcelos nunca será meu! O Lucas nunca será meu! Por que você voltou?! Se você estivesse morta, eu seria livre...".

Ela avançou loucamente em minha direção. Dei um passo atrás. Uma cadeira voou contra as costas de Isadora.

Dante apareceu, com um semblante sombrio como o de um ceifador. "Tente tocar nela de novo para ver o que acontece".

Isadora murchou instantaneamente, caindo ao chão entre risos e lágrimas, até explodir em um choro convulsivo. Dante caminhou até mim, preocupado: "Você está bem?". Balancei a cabeça.

Dante chamou a polícia, que levou Isadora sob custódia. A acusação de tentativa de agressão somada aos fatos anteriores seria o suficiente para que ela pagasse caro. Antes que ela partisse, eu a chamei: "Isadora, sabe por que o Bernardo mudou de ideia e me deu a empresa?".

O olhar dela transbordava ódio. Continuei lentamente: "Ele precisa de um transplante de rim. Ele não teve coragem de pedir o seu. Ele me deu a empresa para que eu assumisse os riscos e, ao mesmo tempo, tivesse piedade de você".

"Hehe...", soltei um riso amargo. "Todo o amor que você tinha, você mesma destruiu. A empresa era realmente tão importante assim?".

O rosto de Isadora tornou-se cinzento em um instante... A verdade era o pior castigo; se ela tivesse um pingo de consciência, viveria em remorso para sempre.

Dante me abraçou pelos ombros, com o olhar cheio de ternura e cuidado.

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