30
A brisa fresca da noite soprava contra o meu corpo. Assim que saí, recebi uma ligação de Dante: "Bia, já terminou?".
A voz dele parecia ter um poder mágico, varrendo instantaneamente todo o meu cansaço.
Usei um tom carinhoso ao telefone: "Terminei. Onde você está?".
Achei que ele estivesse na empresa, mas Dante disse apenas: "Olhe para cima".
Fiquei surpresa e olhei na direção indicada.
Dante estava encostado em um carro esportivo; alto, com proporções perfeitas e aquele olhar selvagem e audacioso de sempre.
Mas o jeito como ele me olhava era extremamente gentil.
Desliguei o telefone na hora e corri para os braços dele. Dante me segurou com firmeza e bagunçou meu cabelo: "Devagar, Bia".
Abracei sua cintura magra e definida e confessei logo: "Encontrei o Lucas de novo".
A mão larga de Dante, que envolvia minha cintura, subiu para me acariciar com um toque suave; o tom de voz dele não demonstrava surpresa: "Sim, eu vi".
"Viu?" Levantei a cabeça surpresa, focando no seu maxilar bem delineado.
A aura dele estava gélida, o clima não parecia dos melhores.
Senti um frio na barriga e olhei para trás. Com certeza, aquele encosto do Lucas tinha me seguido para fora. Não era de admirar que a energia do Dante tivesse esfriado tanto.
Apressei-me em beijar o queixo de Dante: "Não fique bravo, você sabe que eu não gosto dele. Foi só um encontro profissional, você não vai ficar com ciúmes agora, vai?".
A cada palavra que eu dizia, o rosto de Lucas, do outro lado, ficava mais sombrio. Dante baixou o olhar para mim e apertou o braço em minha cintura: "Eu jamais teria coragem de ficar bravo com você. É que certas pessoas irritam só de olhar".
"Então não vamos olhar." Segurei o braço de Dante e o empurrei em direção ao carro: "Vamos, estou morrendo de fome, não consegui comer nada direito lá dentro".
Dante trocou um olhar cortante com Lucas antes de abrir a porta do passageiro para mim. Sentei-me e olhei pelo retrovisor. Lucas permanecia em silêncio, mas seus olhos, antes sempre imperturbáveis, estavam repletos de tristeza e dor. Ele me observava com um olhar profundo.
Nos seis anos em que o conheci, nunca vira uma expressão tão descontrolada em seu rosto. Mas... para quê agora?
Enquanto meus pensamentos voavam, Dante segurou meu queixo, forçando-me a desviar o olhar. Ele estreitou seus olhos sedutores e me encarou de forma perigosa: "Sentiu pena dele?".
"Claro que não!" Retruquei imediatamente. "Você não devia ficar com esses ciúmes bobos".
"Hm, não estou com ciúmes".
O tom de voz era indiferente, mas a expressão no rosto não mudou; ele manobrava o volante e dirigia em silêncio. Desde que ficamos juntos, Dante parecia estar sempre contendo suas emoções. Antes ele era violento e agia por impulso; agora, mesmo irritado, ele não dizia nada.
"Está bem." Estendi a mão para cutucar os músculos rígidos do braço dele. "Aprender a controlar as emoções é bom, mas eu te dou permissão para demonstrar quando estiver com ciúmes".
Ele ergueu o olhar e me lançou um relance arrogante: "Não quero".
Tive que tentar convencê-lo: "Então o que eu faço para você parar com o ciúme?".
O carro parou exatamente em frente a um restaurante de luxo. Dante soltou o cinto de segurança e se inclinou em minha direção: "Deixe-me te dar um beijo, o resto eu considero depois".
E, sem me dar chance de protestar, ele me envolveu em um beijo profundo. Quando terminou, meu batom tinha sumido completamente. Só pude lançar-lhe um olhar indignado enquanto retocava a maquiagem.
Dante apoiava o queixo na mão, encostado na janela do carro; seus olhos sedutores transbordavam satisfação e malícia. Estava pura provocação. Durante o retoque, olhei para ele e senti uma pontada de maldade. Eu não seria a única a ficar descabelada ali enquanto ele permanecia impecável.
"Dante, chegue aqui perto." Fiz um sinal com o dedo. Dante aproximou-se obedientemente. Então, eu o segurei e deixei uma marca de "chupão" bem visível em seu pescoço.
Ao terminar, observei minha obra com satisfação: "Pronto, agora você tem uma marca de que já tem dona".
Dante não se importou; pegou meu espelho de maquiagem para conferir, ergueu a sobrancelha e ainda abusou da sorte: "Não foi o suficiente". Então, esticou o pescoço novamente: "Faça outra".
"Não vou fazer!" Sem saber como lidar com ele, empurrei a porta e desci do carro rapidamente.
31
Dante me seguiu para dentro do restaurante. O garçom nos guiava pelo salão quando, antes mesmo de chegarmos à mesa, avistei Isadora, Bernardo e Helena. Estavam sentados no centro do salão; Isadora, com sua lábia, estava fazendo os pais rirem muito.
"Mamãe, a culpa é minha por não ter a saúde e a competência da irmã, mas prometo que cuidarei muito bem de vocês no futuro".
Bernardo olhava para Isadora com ternura: "Minha querida, você não precisa ser tão competente. Cuidar de negócios não é tarefa fácil, deixe que sua irmã faça isso sozinha".
Isadora percebeu minha presença primeiro e lançou-me um sorriso vitorioso: "Mas como assim? Eu também sou filha de vocês, seria muita maldade deixar a irmã carregar tudo sozinha, não é? Além disso, eu pretendo assumir a empresa no futuro".
Observei a cena em silêncio enquanto Dante entrelaçava seus dedos nos meus por trás. Isadora olhou para Dante e paralisou por um instante, com um brilho estranho nos olhos.
Helena ainda não me vira e servia o prato preferido de Isadora: "Filha, você não entende. Em uma empresa existem os executivos e os tomadores de decisão. Você é frágil, não precisa se desgastar; o poder será seu, e sua irmã estará lá para te ajudar".
Bernardo acrescentou: "Isso mesmo. Sua mãe e eu estamos nos retirando para os bastidores, mas vamos te orientar. Não precisa ter pressa".
"Mas..." Isadora me olhou novamente, fingindo total consideração e um ar de vítima: "Sendo assim, não seria melhor entregar tudo para a irmã de uma vez? Eu sou tão fraca, só faço vocês se preocuparem...".
"Preocupar com o quê?!" Helena pousou os talheres. "Sua irmã é quem nos faz preocupar! Se não fosse pela competência dela no trabalho, eu nem queria que ela entrasse na empresa! O casamento que arranjamos para ela não era bom? E ela ainda se atreve a casar com aquele sujeito dos Cavalcante pelas nossas costas!".
Não aguentei e interrompi a fala de Helena: "Mãe, o Dante tem nome, e ele é o meu marido!".
Dante apertou minha mão; seu olhar estava profundo. Eu sabia que ele não estava bravo com a atitude da minha mãe, ele estava sentindo pena de mim. Helena virou-se e me viu; o desprezo em seus olhos não diminuiu, e ela não demonstrou qualquer remorso por eu ter ouvido tudo.
Ao ver nossas mãos unidas, ela ficou ainda mais furiosa: "Se você não tivesse agido com tanta rebeldia, nossa família estaria passando por essas crises agora?".
Sorri friamente para ela: "Mãe, a senhora deveria me agradecer. Se não fosse por mim, acha que ainda estaria sentada aqui tranquilamente posando de madame rica?".
Helena, enfurecida, levantou a mão para me dar um tapa. Eu não me mexi. A figura alta de Dante se colocou à minha frente para me proteger. Ele segurou o braço de Helena com um olhar gélido: "Sra. Vasconcelos, a senhora está tentando agredir a minha esposa. Entenda uma coisa: eu não tenho paciência. Se voltar a insultá-la, não respondo por mim".
Helena tremia de raiva, mas não ousou dizer nada. O semblante de Bernardo estava péssimo: "Estamos em um jantar de família, parem com essa confusão!".
Dante soltou o braço de Helena com um gesto de desprezo: "Família? Eu nunca vi uma 'família' que sacrifica e ignora os sentimentos da própria filha assim!". Ele riu com escárnio e me abraçou de forma possessiva: "Vou ter que contar ao meu velho que existem pais ainda mais desprezíveis do que ele!".
Bernardo sentiu-se humilhado: "Este é um assunto de família, o Sr. Dante faria bem em não interferir".
Dante exibiu um brilho gélido em seus olhos sedutores: "Tudo bem, eu não interfiro, mas tratem de cuidar bem da minha Bia. Caso contrário... destruir os Vasconcelos seria uma tarefa bem fácil para mim".
"Como você se atreve!" Helena gritou histérica e, temendo Dante, acabou apontando para mim: "Este é o seu 'bom marido'? Como você pode destruir o trabalho de nossas vidas assim?".
"Não, não. Como pode dizer que a nossa Bia está destruindo o trabalho de vocês?" Dante acariciava minha palma de forma preguiçosa, atraindo toda a atenção para ele, enquanto me olhava com adoração: "Uma empresa é apenas um detalhe; se a Bia quiser uma, eu abro uma para ela. O trabalho da vida de vocês não passa de um brinquedo para ela treinar as habilidades dela. Então, entendam bem: não é a Bia que precisa de vocês, são vocês que dependem dela".
Dito isso, Dante não perdeu mais tempo. Abraçou-me pelos ombros e olhou-me com ternura: "Está com fome? Vou te levar para comer algo de verdade".
Após sairmos, Helena desabou na cadeira de tanto ódio, e o rosto envelhecido de Bernardo mostrava total derrota.
Ele vinha enfrentando sérios problemas de saúde e já não tinha forças para gerir a empresa sozinho.
E, como se sabe, o mundo pertence aos novos talentos, especialmente alguém como Dante. O que ele disse era a mais pura verdade.
Quanto à Isadora, ela ficou observando a silhueta de Dante se afastar, com um brilho de desejo e ambição surgindo discretamente em seu olhar.