20
Dante parou de falar comigo.
Mandei mensagens para ele; eu queria saber se o que a Gio contou era verdade, mas ele não atendia minhas ligações. Ele estava bravo comigo.
Senti-me culpada e tentei me explicar por mensagem: "Eu realmente não estava hesitando, Dante. Por favor, não fique bravo comigo, está bem?". Ele ainda não respondeu.
Será que ele ia me ignorar para sempre por causa de um mal-entendido?
Com o celular na mão, senti uma dor aguda e constante no coração, muito pior do que quando vi Lucas colocar o anel em Isadora. Perder o Lucas foi um alívio, mas perder o Dante... eu não ousava sequer imaginar.
Não importava se Dante tinha feito aquelas coisas por mim ou não. Eu só queria ele.
A família Vasconcelos não tinha nada a ver comigo, muito menos os Almeida. Com a decisão tomada, levantei-me cedo no dia seguinte. Avisei ao Tiago que iria atrás do Dante.
Tiago não se surpreendeu: "Vá. Você já devia ter ido atrás dele ontem, quando ele saiu".
Eu estava ansiosa para vê-lo, mas ao abrir a porta, meus pais biológicos, Bernardo e Helena, estavam parados diante de mim. Meus pais adotivos ficaram chocados; eles não esperavam revê-los após dez anos.
Bernardo e Helena queriam que eu voltasse. Eu não queria; queria ir atrás do Dante. Meus pais adotivos me seguraram: "Conversem direito, afinal, são parentes".
Hesitei, pensando que realmente precisávamos esclarecer as coisas. Tentei mandar uma mensagem para o Dante pedindo que me esperasse, mas antes que pudesse enviar, Helena ajoelhou-se na minha frente.
"Bia, eu te imploro, salve a Isadora! Mamãe está implorando de joelhos."
Meus pais adotivos a levantaram imediatamente: "O que está acontecendo? Vamos conversar com calma".
Sem que eu conseguisse enviar a mensagem, Helena continuou: "Lucas mudou de ideia. Se você não voltar, a Isadora é quem vai para a cadeia. Bia, isso não pode acontecer! Eu prefiro ir para a prisão no lugar dela! Não posso deixar a Isadora sofrer".
"Bia, ela é sua irmã, você tem coragem de vê-la presa?"
Bernardo também parecia desolado. Apenas meus pais adotivos perguntaram, preocupados: "Voltar? Voltar para onde? Nossa Bia já vai se casar com o namorado dela, para onde vocês querem levá-la?".
21
Meus pais adotivos gostavam muito do Dante; achavam que ao lado dele eu poderia viver sem preocupações. Eles acreditavam que chegaríamos ao casamento. Eu também acreditava.
Mas Bernardo e Helena vieram me implorar para casar com Lucas para evitar que Isadora fosse presa. Lucas foi implacável; ele atingiu meu ponto fraco. Como eu poderia deixar meus pais biológicos idosos me implorarem de joelhos?
Mas eu também sentia ódio. Nesses meses em que estive na cidadezinha, eles nunca me mandaram uma mensagem ou ligaram. A primeira vez que vieram me procurar foi por causa da Isadora.
Eu não queria dar atenção a eles, mas Helena me pressionava. Quando eu não aceitava, ela permanecia ajoelhada, e Bernardo não fazia nada para impedi-la.
Sorri amargamente e perguntei: "Vocês já me viram como filha alguma vez?".
Bernardo desviou o olhar, e Helena chorou escondendo o rosto: "Bia, você é a irmã mais velha. Eu já falhei com você, não quero falhar com a Isadora também".
Certo. Sou a irmã mais velha, devo ceder. Já sofri muito, não importaria sofrer um pouco mais. Que ridículo. Meus pais adotivos estavam furiosos e só não os expulsaram por educação, mas suspiravam de pena por mim.
Tiago arregaçou as mangas para expulsá-los: "Sumam daqui agora! Minha irmã tem vergonha de expulsar vocês, mas eu não tenho nada a ver com vocês. Se não saírem, vou chamar a polícia".
Bernardo, embora sem saída, manteve sua postura autoritária: "Bia, só posso te dar um dia para pensar. Afinal, você não era quem mais queria casar com o Lucas?". E então levou Helena embora.
Meus pais adotivos estavam desolados: "Se soubéssemos que ir para a casa dos seus pais biológicos seria assim, nunca teríamos deixado você ir".
Baixei a cabeça, escondendo meu turbilhão de emoções; não queria que se preocupassem. "Tudo bem, pelo menos aprendi muita coisa lá". E essas coisas seriam suficientes para eu virar o jogo.
Mas antes de decidir qualquer coisa, eu precisava ver o Dante. Não importava se ele me ignorasse, eu iria. Fiz uma maquiagem leve e, ao chegar perto da casa dele, senti um frio na barriga. Tinha medo de que ele ainda estivesse bravo.
Mandei uma mensagem rápida para a Gio: "O que fazer se o namorado está bravo por um mal-entendido e não quer me ver?".
Gio respondeu: "Fácil, resolva isso na cama".
"..."
"Se não funcionar, tente duas vezes!".
Joguei o celular na bolsa; não devia ter perguntado nada para a Gio! Respirei fundo e toquei a campainha. A porta se abriu e Dante apareceu vestindo roupas confortáveis, com a clavícula à mostra, o que o tornava ainda mais atraente.
Ele mantinha aquele ar preguiçoso, olhando para mim de cima: "Achei que você ia voltar para os Almeida".
Mordendo o lábio e sem hesitar, joguei-me em seus braços: "Dante, senti tanto a sua falta".
O corpo dele ficou rígido. Levou um tempo até que ele tentasse me afastar. Sua voz era fria: "Se ainda tiver o Lucas no seu coração, não tem permissão para me provocar".
Segurei-o com força, sendo corajosa: "Eu não vim para te provocar...".
Antes que eu terminasse a frase, sabia que, pelo temperamento dele, ele tentaria me afastar. Mas eu não deixaria. Aproximei-me do ouvido dele e sussurrei: "Dante, eu vim para ter você".
A mão que Dante estendia parou no ar. Ele estreitou os olhos escuros, olhando-me com uma intensidade perigosa e sedutora: "Tsc, quer me ter?".
Cerrando os dentes e decidida a ir até o fim, assenti: "Sim. Vai me deixar?".
Ele me olhou, erguendo levemente a sobrancelha: "Está falando sério?". Antes que eu respondesse, ele tocou minha bochecha com os dedos longos: "Quem te ensinou isso? De onde veio tanta coragem...".
Antes que ele terminasse a frase, provei com ações — fiquei na ponta dos pés e beijei seus lábios finos e úmidos. Eu não tinha experiência e meus movimentos eram desajeitados, mas após um breve choque, Dante segurou minha cintura assumindo o controle e chutou a porta para fechá-la.
Fui envolvida por ele em um beijo profundo. Quando ele finalmente me soltou, eu mal conseguia respirar. Ele riu baixo:
"Bia, você é realmente muito inexperiente".
Ele afagou meu cabelo e ajeitou minha gola aberta: "Está tarde, vou te levar para casa".
Arregalei os olhos, incrédula: "Você... não consegue?".
Arrependi-me no instante em que as palavras saíram. Ele me puxou pela cintura, colando seu corpo quente e febril ao meu. Sua voz era perigosa: "Tem certeza de que quer saber se eu consigo?".
Meus dedos tremiam e, por um momento, quis fugir. Mas no fundo eu sabia: se fosse o Dante, eu queria. Reuni coragem e olhei para ele: "Sim, eu quero".
"Certo, depois não se arrependa."
Ele me lançou um olhar profundo e segurou meu pulso, prensando-me contra a parede atrás de nós. Sua mão larga protegeu minha cabeça para que eu não me machucasse, enquanto a outra entrelaçava seus dedos nos meus.
Então, seus beijos quentes desceram, intensos e gentis ao mesmo tempo, carregados de paixão. No auge do desejo, Dante sussurrou no meu ouvido: "Amanhã mesmo vamos registrar nossa união, minha boa Bia".
Eu implorei por misericórdia, mas ele não parou. O resultado do excesso... foi uma dor terrível na cintura; tudo doía.
Quando acordei, Dante não me deixava em paz. Brincava com meu cabelo e segurava minha mão; meu corpo estava marcado por ele. Ele jogou seu documento de registro civil para mim. Eu me escondi em seus braços, cobrindo o rosto: "Quem anda com o registro civil o tempo todo?".
Dante beijou o topo da minha cabeça e ergueu a sobrancelha: "Tenho que me prevenir caso certas pessoas queiram fugir da responsabilidade depois de me terem, não é?".
Murmurei, sentindo um pouco de receio: "Temos mesmo que ir?".
"O que você acha?". Dante baixou a cabeça para me beijar de novo.
Fiquei extremamente vermelha. "Vou, vou, com certeza eu vou".
Mas meu documento estava na casa dos Vasconcelos; eu teria que voltar para Florianópolis.
"Não tem problema, eu te acompanho". Dante vestiu minhas roupas com cuidado e me beijou novamente: "Finalmente consegui capturar minha Bia".