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Eu sabia muito bem qual era a resposta em meu coração.
Mas eu não tinha coragem de dizer.
Segurei o celular com as mãos trêmulas e minha voz soou um pouco ansiosa: "Dante... não tire vantagem de mim..."
"Isso é tirar vantagem?" Dante deu uma risada baixa, com um tom indecifrável na voz. "Se isso for tirar vantagem, Bia, receio que você não consiga resistir ao que eu posso fazer."
Meu coração quase saltou do peito. "Dante, fale sério! Se continuar assim, não falo mais com você!"
De qualquer forma, ao ouvi-lo rir, percebi que ele não estava mais bravo. "Se não tiver mais nada, vou desligar."
"Tenho algo, sim." A voz de Dante soou preguiçosa. "Bia, eu dirigi por 6 horas para te encontrar e estou morrendo de fome. Me acompanhe para jantar, pode ser?"
Olhei para o relógio. "Mas está muito tarde agora. Coma algo sozinho por enquanto e amanhã eu vou te ver."
"Amanhã? O dia inteirinho?" Dante perguntou. "Se não for o dia todo, eu não aceito."
"Bia, o que está fazendo aí ainda?" A voz da minha mãe adotiva soou dentro de casa; parecia que ela estava prestes a abrir a porta para me procurar.
Apressei-me em sussurrar para Dante: "O dia inteiro!! De qualquer forma, não tenho nada para fazer!! Eu te acompanho!!"
"Combinado." A voz de Dante era lenta, com um toque de sedução. "Só eu e você."
"...Não abuse da sorte!! Desligue logo! Preciso entrar."
"Certo, você desliga primeiro."
Ao ouvir Dante dizer isso, desliguei o telefone e gritei para dentro de casa: "Já vou, mãe."
Assim que abri a porta, Tiago estava encostado na moldura, piscando para mim com cumplicidade.
"Mana, como vai ser o seu encontro amanhã? Quer que eu te leve?"
Interrompi-o rapidamente: "Não é um encontro! É só um amigo!"
Tiago não deu a mínima e virou-se para nossa mãe: "Mãe, eu vi esse namorado da Bia. Ele estava todo preocupado com ela. E olha, até que é bonitão... só um pouco menos que eu."
"Não diga bobagens, ele é lindo, sim!"
"Uau, mana, você não devia primeiro rebater que ele não é seu namorado?"
"Tiago!!"
Nossa mãe observava nossa brincadeira, balançando a cabeça e rindo.
"Nossa Bia é tão boa, não é de se estranhar que tenha um namorado bonito e gentil. Amanhã, vista-se bem para o encontro e não precisa voltar para o jantar."
Socorro! Realmente não é um encontro!
Mas, no dia seguinte, não consegui me conter: usei um vestido branco, fiz uma maquiagem leve, lavei o cabelo e até fiz alguns cachos elaborados.
Ao terminar tudo e me olhar no espelho, percebi o que tinha feito.
Resignada, peguei a bolsa que combinava perfeitamente com o vestido e saí de casa com o coração palpitando.
"Dante, cheguei. Onde você está?"
Enviei uma mensagem para Dante; tínhamos combinado de nos encontrar na mercearia da noite anterior.
Eu já estava lá, mas ainda não tinha visto Dante.
Dante me respondeu: "Estou chegando. Faça uma contagem regressiva de 10 e eu estarei aí."
"Nossa, Dante, você está atrasado!" Reclamei mentalmente, mas acabei fazendo a contagem como se estivesse sob um feitiço.
"10, 9, 8…… 3, 2…"
Antes de eu chegar ao "1", uma sombra caiu sobre minha cabeça.
Levantei o olhar e meus olhos encontraram um par de olhos escuros brilhantes como estrelas.
Dante tinha trocado de roupa: usava uma camiseta branca simples e jeans pretos. A luz suave do sol caía sobre ele, fazendo-o parecer limpo e atraente.
"Por que parou de contar?" Ele sorriu para mim, com suas pernas longas, inclinando-se levemente em minha direção com um tom ambíguo: "Hoje a Bia e eu estamos com roupas combinando."
"Não estamos!" Afastei-me um pouco para explicar: "A rua está cheia de vestidos brancos e camisetas brancas! Agora tudo é roupa de casal?"
Dante imediatamente pareceu decepcionado. "Ah, entendi. Pensei que, no meu aniversário, eu pudesse usar roupas de casal com a pessoa de quem gosto."
Fiquei surpresa. "Hoje é seu aniversário?"
Dante ergueu as sobrancelhas levemente. "Já que é meu aniversário, você vai realizar algum desejo meu?"
Desviei o olhar e comecei a caminhar ao lado dele.
"Não tente me enganar, seu aniversário ainda não chegou. Eu ainda me lembro de quando você empurrou aquela garota da família Zhao na piscina no ano passado, e era inverno. Sério, você não tem nenhuma compaixão? Ela foi ao seu aniversário e você a jogou na água?"
Comecei a listar as várias "infrações" de Dante e terminei dizendo:
"Se meus pais soubessem do seu histórico tão terrível, certamente não permitiriam que eu ficasse com você."
Dante defendeu-se:
"Aquela garota da família Zhao foi imprudente. Se eu não a tivesse empurrado, ela teria jogado uma garotinha na água. Ela é que era maldosa! Espere..."
Os olhos de Dante brilharam. "Bia, o que você acabou de dizer?"
"Nada, só estava conversando com você."
Segurei minha bolsa. "Onde você quer ir? Eu conheço bem esta área, posso te levar a qualquer... Ei! Dante!"
Eu estava no meio da frase quando Dante saltou subitamente para a minha frente.
Parei de repente, por pouco não arruinando minha maquiagem na camiseta branca dele.
Olhei para cima e encontrei o olhar cheio de expectativa de Dante. "Espere, você acabou de dizer que aceita ficarmos juntos. Bia, diga de novo, você finalmente me aceitou?"
O olhar de Dante era intenso; parecia que ele não me deixaria passar se eu não respondesse.
Sussurrei: "Eu não tenho mais os pais da família Vasconcelos. Tenho apenas meus pais adotivos, que são pobres mas me amam muito. Você se importaria?"
Eu estava me despedindo completamente do antigo luxo e riqueza; ou melhor, de algo que nunca pertenceu a mim.
Dante soltou um palavrão de repente. "Então você não aceitava por causa disso?"
Fiquei atônita. "Bem, não é só por isso."
Eu ainda tinha muitos medos; medo de não ser digna do amor de Dante e medo de que um dia ele fosse como Lucas e estivesse apenas brincando.
Por ter medo demais, eu não ousava seguir em frente.
Mas agora, vendo o olhar sincero e sério de Dante, parecia haver uma pequena voz em meu coração dizendo: "Tente mais uma vez. Não desista da capacidade de amar e ser amada por causa de um canalha." Isso seria punir a si mesma.
"Dante..." Baixei a cabeça, sem coragem de olhá-lo. "Eu... eu quero..."
"Hm?" A voz em meu ouvido era baixa e gentil. "O que você quer?"
Pressionei os lábios, querendo dizer o que pensava, mas perdi a coragem.
Dante soltou um suspiro suave, segurou minha cintura e me puxou para perto dele. Ele me abraçou com gestos gentis e pacientes. "Eu sei o que você está pensando, eu estou aqui."
"Bia, estando comigo, você não precisa se preocupar com essas bobagens."
Ele parecia querer dizer mais algo, mas balançou a cabeça para si mesmo. "Esqueça, você é insegura demais e não tem confiança. No futuro, eu provarei para você. Vamos, vamos para o nosso encontro."