《Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo》Capítulo 11

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Eu estava ansiosa para me despedir de tudo o que vivi e voltei para a pequena cidade onde moravam meus pais adotivos. Quando cheguei, eles não ficaram surpresos e, após o jantar, até me entregaram um cartão bancário.

Disseram que não haviam tocado no dinheiro que enviei ao longo desses anos e que guardaram tudo para mim. Havia cerca de 300 mil ali.

Minha mãe adotiva segurou minha mão, com o coração apertado de pena: "Minha Bia sofreu demais. Guardamos uma parte do dinheiro que você nos mandou".

Devolvi o cartão para ela: "Eu tenho dinheiro. Aprendi muita coisa na casa dos Vasconcelos. Guardem isso para o Tiago comprar uma casa no futuro. Pai, mãe, agora eu sou muito capaz, eu sei ganhar dinheiro".

Tiago, o filho deles de 16 anos, estava jantando ao lado e parou para falar: "Fique com ele, mana. Meus pais dizem que homem não deve aceitar dinheiro de mulher. Eu vou ganhar o meu próprio dinheiro no futuro".

"Isso mesmo, guarde", disse meu pai adotivo com um sorriso honesto. "Você é diferente do Ti. Se você não tiver um dinheiro para se garantir, como fará se os outros te desprezarem? Tiago é homem; se ele não tiver capacidade de ganhar a vida, não adiantará dar todo o dinheiro do mundo para ele".

Senti meu nariz arder e as lágrimas quase caíram, mas não queria perder o controle na frente deles. Levantei-me apressadamente : "Fiquei com vontade de tomar uma Coca-Cola, vou até a mercearia".

Tiago veio atrás de mim: "Já está tarde, mana, eu te acompanho!"

Eram nove da noite. Sob a luz dos postes, Tiago caminhava ao meu lado carregando a Coca que pedi e uma caixa de iogurte : "Mana, peguei iogurte para você. Mulher não deve beber tanta coisa gelada. Agora que você está em casa, pode beber todo dia".

Com as mãos vazias, estendi o braço para ele: "Deixe que eu carrego a Coca".

Tiago recuou: "De jeito nenhum. Se alguém visse, poderiam zombar de mim dizendo que não sou homem o suficiente".

Soltei uma risada. Olhando para o Tiago, que já tinha quase um metro e oitenta, tentei bagunçar o cabelo dele, mas precisei ficar na ponta dos pés. Ele gentilmente abaixou a cabeça: "Pode mexer. Vocês, garotas, adoram fazer cafuné".

"Nós, garotas... Ti, você está namorando? Entende tanto assim de mulheres..."

Enquanto acariciava o cabelo dele, que era muito macio, comecei a pensar se o cabelo de Dante teria o mesmo toque. Esqueça, eu já deixei aquele círculo social, para que pensar nele? Além disso, com o temperamento explosivo de Dante, como ele deixaria alguém tratá-lo como um cachorrão assim?

Contudo, antes que eu pudesse retirar a mão, uma voz extremamente familiar soou atrás de mim:

"Beatriz, você é incrível".

Virei-me e vi Dante, que não via há algum tempo, parado sob a luz do poste. Alto, vestido todo de preto e cercado por uma pilha de bitucas de cigarro apagadas, parecia estar esperando há muito tempo.

O rosto dele estava mais sombrio do que suas roupas pretas.

Enquanto falava, ele jogou a bituca que segurava no chão, esmagou-a com o pé e levantou o olhar. Com os olhos semicerrados, fixou a vista na minha mão que ainda acariciava a cabeça de Tiago. Retirei a mão instintivamente:

"Dante, o que você está fazendo aqui?"

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