《Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo》Capítulo 9

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Fiquei internada no hospital por dois dias e, quando finalmente ia receber alta, acabei encontrando Lucas.

É até engraçado pensar nisso; antigamente, quando eu gostava dele, nunca conseguia vê-lo. Agora que desisti, parece que nos esbarramos com facilidade.

Enquanto Dante foi resolver os trâmites da minha alta, Lucas, vestindo um pijama de hospital, passou por mim no corredor. Só mais tarde soube que ele fora internado devido a mais uma crise de estômago.

Eu estava ao telefone com a Gio. Ela me perguntava se eu ainda queria as fotos e o urso de pelúcia que estavam na minha mesa.

Lancei um olhar para Lucas e respondi com a voz totalmente calma: "Pode jogar tudo fora, não preciso guardar nada disso. Sim, isso mesmo, a foto e o urso também".

Lucas esperou que eu desligasse o telefone, parado ali, apenas me encarando. Ele sabia que naquela mesa ficavam a nossa foto juntos e o urso que ele me dera.

Olhei para as roupas de hospital que ele usava e fiz um aceno educado: "Que coincidência".

Lucas disse, com um tom de voz indecifrável: "Eu estou doente".

"Bem... desejo que melhore logo".

Eu ia me retirando quando Lucas estendeu a mão e me segurou com força: "Você vai jogar fora até a foto e o urso? Beatriz, o seu amor pode ser descartado assim tão fácil?".

Antes que eu pudesse responder, ele começou a murmurar para si mesmo com um sorriso amargo: "Antigamente, quando você me via doente, a sua reação não era essa".

"E qual deveria ser a minha reação?". Afastei a mão de Lucas e me distanciei um pouco. "Lucas, não fique de agarramento comigo quando nos encontrarmos. Não quero que a Isadora veja e invente mentiras sobre mim".

"Quanto ao urso e à foto..." fiz uma pausa e balancei a cabeça em um riso autodepreciativo. "Não acha ridículo? Eu precisei recortar uma foto em grupo para ter a única foto de nós dois sozinhos".

"E o urso, se não me falha a memória, foi um brinde que você ganhou em uma loja, não foi? Lucas, o meu amor de antes, aos seus olhos, não era algo barato?".

"Um urso de brinde para se livrar de mim e uma foto que precisei de tanto esforço para conseguir. Que tolice a minha. Justo por eu gostar tanto de você, é que vocês acharam tão simples decidir me humilhar daquela forma no noivado, não foi?".

Falei cada palavra com clareza absoluta: "Eu não gosto mais de você agora, e não vou mais tratar nada relacionado a você como um tesouro. Não era isso que você queria?".

"Bia...".

Lucas olhou para mim e seus olhos ficaram marejados. Ele estava pálido e seu rosto, antes sempre confiante e elegante, estava marcado pela desolação: "Bia, eu me arrependi".

Após um longo silêncio, apenas balancei a cabeça negativamente. "Lucas, isso não é arrependimento. É apenas o seu ego ferido por alguém que sempre orbitou ao seu redor ter finalmente desistido de você".

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"Mas antes de eu desistir de você, foi você quem desistiu de mim primeiro".

Virei as costas e fui embora, sem olhar para trás. Dante estava parado a pouca distância, segurando meus prontuários médicos, observando-me com um olhar profundo.

Uma hora depois.

Dentro do ambiente confinado do carro esportivo, Dante estava me encarando há quarenta minutos por causa daquele "eu me arrependi" de Lucas.

Eu não aguentei mais: "Já disse que não vou cometer o mesmo erro, dá para parar de me encarar?".

Dante rangeu os dentes: "Eu me afasto por cinco minutos e aquele sujeito já tenta se infiltrar de novo! Que tal irmos oficializar nossa união agora mesmo? Quero ver quem vai ter coragem de tentar roubar a minha mulher!".

"Você está falando bobagem de novo".

Suspirei, peguei o celular e enviei meu currículo para algumas vagas. Em seguida, abri o aplicativo do banco e transferi 2.000 para Dante, cobrindo com folga todos os gastos da minha internação.

Olhei para ele e disse: "Você merece alguém melhor".

E abri a porta para descer. Mas Dante foi mais rápido que eu; ele travou as portas, olhou para o comprovante de transferência no celular e sorriu friamente: "Qual é a ideia? Quer cortar relações comigo?".

"Mas nós nem temos uma relação assim", respondi por impulso e me arrependi no segundo seguinte. Dante não era o tipo de homem que se devia provocar.

O sorriso dele sumiu, e seus olhos negros como obsidiana fixaram-se em mim. Senti um súbito nervosismo. Ele deu um sorriso leve e perguntou: "Bia, o que seria necessário para termos 'uma relação'?".

Enquanto falava, ele se aproximou de mim, apoiando os dedos longos no encosto do meu banco. Seus braços eram fortes e definidos. Eu, que sempre me considerei calma, senti meu coração errar uma batida com aquele gesto.

Nossos olhares se cruzaram, e aquele rosto atraente estava agora a centímetros do meu. Isso ia ser a minha perdição.

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