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Não sei em que momento Dante apareceu, mas assim que cheguei à esquina, fui puxada por uma força avassaladora.
Acabei caindo de surpresa contra o peito dele, e o grito de "assédio" travou na minha garganta.
Estar tão perto dele assim, de repente, me fez... corar bastante.
Dante parecia ter algo a dizer, mas ao notar meu rosto subitamente vermelho, ergueu uma sobrancelha com surpresa: "Não pode ser, ficou vermelha só com um abraço? Minha Bia é tão pura assim?"
Ele agia como se tivesse descoberto um novo continente.
Tentei escapar desajeitadamente, mas com um sorriso malicioso, ele me puxou de volta para seus braços com força.
É de enlouquecer, esse Dante nunca joga conforme as regras!
O que ele quis dizer com "sua Bia"? E o que quis dizer com "pura"?
Tudo soava tão ambíguo!
Sentindo o peitoral rígido dele me incomodar, tentei empurrá-lo com força: "Que asneiras você está dizendo? A educação da família Vasconcelos não permite que suas filhas fiquem de agarramento com homens, muito menos nos braços de um!"
Uma garota deve ser recatada e se valorizar!
Falei com toda a seriedade, quase estampando "virtude" no rosto.
Os olhos sedutores de Dante brilhavam de alegria: "E com o Lucas, nunca aconteceu nada?"
"Não diga bobagens, não se pode perder a linha antes do casamento."
"Tsc." Dante parecia extremamente satisfeito.
Lancei-lhe um olhar severo. Ele conteve o sorriso e mexeu na corrente de metal que usava no pescoço: "Agora aquele tal de Lucas até me parece um pouquinho, bem pouquinho, mais suportável."
Não quis dar corda para a conversa dele. "O que você está fazendo aqui?"
Dante apontou para a placa do restaurante atrás de mim: "Olha, este lugar onde vocês jantaram é meu."
Virei-me e vi a placa com letras vermelhas garrafais onde se lia "Vazio".
Bem peculiar.
Mas Dante tinha aberto um lounge bar; Giovanna escolheu o local justamente pelo ambiente tranquilo.
Se ela soubesse que este lounge chamado "Vazio" pertencia ao Dante, provavelmente daria mais um ponto para ele.
Afinal, a imagem do Dante combinaria muito mais com um clube noturno de música ensurdecedora.
Ele usava calças pretas rasgadas, botas curtas e uma camiseta branca. As linhas musculosas e sensuais apareciam discretamente conforme ele se movia... nada frágil.
Somado ao rosto impecável e aos olhos selvagens e arrogantes, ele era a definição de um homem vigoroso...
Olhando assim, Dante tinha sim o seu charme.
Mas no segundo seguinte, ele espantou com um cigarro na boca uma garota que se aproximou para pedir seu contato: "Cai fora."
Franzi o cenho. "Agindo assim, você vai ser odiado pelas mulheres."
Ele soltou um riso de desprezo: "Meu contato não é para qualquer uma que aparece."
"Além do mais, se você já me odeia, por que eu me importaria de ser odiado pelos outros?"
Respondi por instinto: "Quem disse que eu te odeio?"
Seus dedos longos seguravam um isqueiro, prestes a acender o cigarro, enquanto a luz do poste tornava seus traços marcantes ainda mais profundos.
Ao ouvir isso, ele deu um leve sorriso, tirou o cigarro, baixou a cabeça e se aproximou de mim, deixando sua respiração ambígua envolver meus sentidos:
"Quer dizer então que, se não odeia, é porque gosta?"